Domingo, 21 de julho de 2019 Edição nº 15245 20/06/2019  










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Bonde derruba governador

Voltando um pouco mais no tempo, os historiadores contam que em 1891 foi inaugurado em Cuiabá o primeiro serviço de bondes movidos a tração animal. As dificuldades financeiras de se manter tal empresa fez com que ela mudasse várias vezes de dono. A falta de expansão e conservação do "material rodante" chegou ao ponto de em 1896, uma portaria baixada pelo chefe de polícia, major Frederico Adolfo Joseti, proibiu a circulação dos bondes, por considerá-los "um perigo à integridade física e a vida dos passageiros".

Tal fato levou a queda do chefe de polícia e até o então presidente do Estado, Antônio Corrêa da Costa. Isto porque no primeiro dia em que o policiamento ostensivo foi para a estação impedir a saída dos bondes, o então senador Generoso Ponce, líder do partido do poder na época, de dentro do bonde impediu e desautorizou a ação policial.

Mesmo um posterior pedido de desculpas de Ponce ao presidente do Estado não demoveu-o do pedido de demissão. Na história ficou o fato de que o chefe de Polícia e o presidente do Estado foram derrubados por um "bonde tocado por burros".

Hoje em Cuiabá, as reclamações contra tal sistema de transporte coletivo persistem. E com razão. Os investimentos em pontos de ônibus mais moderno, com ar-condicionado e tudo mais, não escondem o desconforto da população. Ou melhor, não estão enganando os usuários do sistema. Tudo bem que no centro da Capital a coisa tem melhorado. A criação de duas estações de ônibus, a da Praça Alencastro e Ipiranga deu um novo ar ao transporte de passageiro. Mas, o mesmo não se pode dizer dos bairros mais distantes, onde falta abrigo e, quando tem, funciona de forma precária. Porém, o desrespeito maior fica por conta da in(segurança), dos coletivos em situação caótica de conversação e, pior ainda, a falta deles. Quanto a questão dos ônibus, dizem que tudo estaria amarrado com Veículo Leve Sobre Trilho. Ou seja, a sua demora (?) impossibilita a licitação para a troca ou concessão de mais ônibus. Enquanto isso...

Concluo, então, que o assunto transporte coletivo em Cuiabá sempre foi polêmico e com a certeza de que este setor pode eleger ou derrubar políticos e governantes. Hoje, apesar dos esforços de muitos, o sistema em Cuiabá ainda apresenta algumas deficiências. Mas vamos tocar o bonde pra frente e aguardar por melhorias que, ao que tudo indica, estão chegando. Será?



ROSIVALDO SENNA é jornalista em Cuiabá

rosivaldosena@hotmail.com



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