Domingo, 21 de julho de 2019 Edição nº 15244 19/06/2019  










OPERAÇÃO ASSEPSIAAnterior | Índice | Próxima

Militares e diretores são presos por facilitar entrada de celular em presídio

No total, sete mandados de prisão e 8 ordens de busca e apreensão foram cumpridos

Arquivo/DC
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Operação \"Assepsia\" foi deflagrada, ontem (18), pela Polícia Civil para o cumprimento de sete mandados de prisão e oito ordens de busca e apreensão. A ação policial foi deflagrada após investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) para apurar a entrada de aparelhos celulares em unidades prisionais de Mato Grosso. Os mandados de prisão foram decretados a cinco servidores públicos e dois internos da Penitenciária Central do Estado (PCE).\r\nDois dos presos são o diretor da PCE, Revétrio Francisco da Costa, e o sub-diretor, Reginaldo Alves dos Santos. Também foram detidos três policiais militares, sendo eles, o tenente Cleber de Souza Ferreira, subtenente Ricardo de Souza de Oliveira e o cabo Denizel Moreira dos Santos Júnior, além de dois detentos: Paulo Cezar da Silva e Luciano Mariano da Silva. \r\nAs 15 ordens judiciais são pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá, e foram expedidas depois de representação dos delegados e manifestação favorável do Ministério Público do Estado, via o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). Conforme a Polícia Civil, no dia 6 de junho, na PCE, foram localizados 86 aparelhos celulares, dezenas de carregadores, chips e fones de ouvido. Todo o material estava acondicionado dentro da porta de um freezer, que foi deixado naquela unidade para ser entregue a um dos detentos.\r\nEquipes da GCCO estiveram na PCE e verificaram que não havia nenhum registro de entrada ou mesmo informações acerca da entrega do referido eletrodoméstico. Diante dos fatos e da inconsistência das informações, todos os agentes penitenciários presentes foram conduzidos até a Gerência e questionados sobre os fatos. No mesmo dia, a autoridade policial determinou a apreensão das imagens do circuito interno de monitoramento da unidade, que foram extraídas por meio da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).\r\nPor meio dos depoimentos, da análise das imagens e conteúdo de aparelhos celulares apreendidos e ainda, da realização de diversas diligências, foi possível identificar e comprovar de maneira robusta, que três policiais militares, dentre eles um oficial de carreira, foram os responsáveis pela negociação e entrega do freezer recheado com os celulares. \r\nDurante entrevista coletiva, na sede da Diretoria Geral da Polícia Civil, em Cuiabá, o delegado Frederico Murta disse que a prisão dos servidores não é algo que deixa a unidade feliz, mas necessário pelo cumprimento do dever. \"Temos colegas extremamente competentes. A Polícia Militar e o Sistema Penitenciário são grandes parceiros e estão conosco no combate à criminalidade, mas devido essa situação grave tivemos que tomar uma atitude rápida e eficaz. Isso da mesma forma que temos que enaltecer aqueles que fazem um bom trabalho, não podemos admitir que atitudes como essa sejam omitidas ou deixem de tomar as providências devidas\", disse por meio da assessoria de imprensa.\r\nPara o delegado titular da GCCO, Flávio Stringueta, “trata-se de uma investigação séria que vem desde o início do ano, com acompanhamentos permanentes contra facções criminosas e acabamos nos deparando com essa situação envolvendo servidores públicos. Tivemos a infelicidade de nos depararmos com servidores nesse ato ilícito. Não foi com nenhuma satisfação que descobrimos isso e desencadeamos essa operação\".\r\nCom a ciência do diretor e do subdiretor da unidade, os militares enviaram o aparelho congelador que era destinado a um dos líderes de uma facção criminosa atuante no Estado. Ao longo das investigações, a Polícia Civil conseguiu comprovar que no mesmo dia, duas horas antes do freezer ser interceptado, os três militares e os diretores da unidade, participaram de uma reunião a portas fechadas com o preso líder da organização criminosa, por mais de uma hora, dentro da sala da direção. \"Toda a dinâmica dos fatos foi registrada pelas imagens da unidade prisional\", aponta o relatório da investigação.\r\nNo decorrer das investigações, ficou constado ainda que o veículo utilizado para a entrega do freezer, na unidade, pertence a outro reeducando, que também é considerado uma das lideranças da mesma facção. Esse reeducando divide cela com o destinatário do equipamento.\r\nAlém das prisões preventivas dos servidores públicos e dos líderes da facção criminosa, foram cumpridas medidas de busca e apreensão nas dependências da PCE. O superintende do Sistema Penitenciário, Gilberto Carvalho, falou sobre a prisão do diretor e subdiretor da penitenciária. \"Cortar na carne é algo doído, mas o que peço é que não condenem antes do processo judicial. É apenas o início da investigação. Participamos junto com o GCCO e municiamos o GCCO com informações que é a delegacia competente para as investigações\", disse.\r\nO subcorregedor da Polícia Militar, tenente-coronel, Alessandro Gonçalves, lembrou da parceria da Polícia Militar em outras situações envolvendo policiais de ambas as instituições, como recentemente ocorreu em Vila Bela da Santíssima Trindade. \"Nessa operação tivemos três equipes da Corregedoria da Polícia Militar e que esclarecer que a integridade física dos militares foi acompanhada de perto e quero agradecer esse profissionalismo da GCCO na condução dessa operação, inclusive, a todo o momento com equipe da Polícia Militar a eles, tanto na busca e apreensão quanto no cumprimento da prisão preventiva desses militares\", declarou.\r\nAinda, conforme a assessoria de imprensa, o delegado geral da Polícia Civil, Mário Dermeval, destacou que a operação foi técnica e cumprida no mais rigor do profissionalismo pelas equipes das instituições de segurança. O inquérito será concluído nos próximos 10 dias. Os investigados poderão responder pelos crimes de integrar organização criminosa, corrupção passiva e ainda por facilitação de entrada de celulares em estabelecimento prisional. Com assessoria de imprensa da PC.\r\n

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