Quarta feira, 23 de outubro de 2019 Edição nº 15242 15/06/2019  










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Maia diz que governo é usina de crises

O presidente da Câmara também rebateu o ministro Paulo Guedes que afirmou que deputados cederam a lobby de servidores e abortaram reforma

ANAÏS FERNANDES
Da Folhapress – São Paulo

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), rebateu as críticas feitas pelo ministro Paulo Guedes (Economia) às modificações na reforma da Previdência. Guedes afirmou que o Congresso cedeu ao lobby de servidores e que as modificações podem abortar a nova Previdência.

Segundo Maia, Câmara blindou o congresso de crises diárias provocadas pelo governo. "Dessa vez infelizmente foi meu amigo Guedes", afirmou Maia em coletiva de imprensa em São Paulo.

"Quero saber por que o ministro Guedes assinou uma regra de transição mais flexível no projeto de reforma para os militares", disse Maia em referência a críticas sobre mudanças na transição de servidores.

O presidente da Câmara também se disse triste pelas afirmações de Guedes em relação ao relatório apresentado na véspera e acrescentou que o país pode entrar em uma nova fase em que o Parlamento pode ter mais liderança na aprovação de pautas.

"Essa não é a reforma de Bolsonaro, é a reforma do Brasil", afirmou, garantindo que o projeto será aprovado "apesar das confusões do governo".

Maia já afirmou diversas vezes que a reforma da Previdência seria aprovada mesmo sem articulação do governo Bolsonaro. Desde março, executivo e legislativo disputam sobre a responsabilidade de articular votos para a aprovação de novas regras para a aposentadoria.

GUEDES

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou ontem que a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo relator Samuel Moreira (PSDB-SP) cede a privilégios e aborta a proposta de capitalização, gerando necessidade de nova reforma no futuro.

"Eles [parlamentares] mostraram que não há compromisso com as novas gerações. O compromisso com os servidores públicos do Legislativo foi maior do que o com as novas gerações", criticou Guedes, em entrevista após deixar evento no Rio.

O relatório apresentado na quinta por Moreira manteve pilares considerados importantes pelo governo, como a idade mínima, mas mudou as regras de transição para funcionários públicos e retirou estados e municípios do debate.

"Eu acho que houve um recuo que pode abortar a nova Previdência. As pressões corporativas de servidores do legislativo forçaram o relator a abrir mão de R$ 30 bilhões para os servidores do legislativo que já são favorecidos no sistema normal", disse Guedes.

O ministro da Economia defende que a economia de R$ 1,2 trilhão em dez anos era fundamental para instituir o modelo de capitalização na Previdência dos brasileiros que ainda não entraram no mercado de trabalho.

Ontem, ele disse que esperava que o Congresso alterasse sua proposta para mudanças no BPC (o benefício para idosos) e na aposentadoria rural, o que garantiria economia de R$ 1 trilhão, mas não previa o recuo na regra de transição.

"Recuaram na regra de transição e, como ia ficar feio recuar só para os servidores, estenderam também para o regime geral e isso custou R$ 100 bilhões", afirmou, calculando a economia da nova proposta em R$ 860 bilhões, contra os R$ 913 bilhões divulgados pelo relator.

"Não são mais de 900. Aí estão colocando imposto sobre banco e isso é política tributária. Estão buscando dinheiro de PIS/PASEP, mexendo nos fundos. Estão botando a mão no dinheiro do bolso dos outros", disse o ministro.

Com esse número, diz Guedes, o país precisará de nova reforma no futuro.

"Para o governo Bolsonaro, está resolvido. Levantou os R$ 860 bilhões, está tudo resolvido. Mas aí, daqui a cinco ou seis anos, tem outra reforma."

O ministro disse que, com a proposta atual, não faria diferença incluir a capitalização no texto final, já que a economia não é suficiente para permitir a migração para o novo regime.

"Isso significa que continuam com a velha Previdência. Se sair só esse corte que o relator acenou, o que ele está dizendo é: abortamos a nova Previdência e gostamos mesmo da velha Previdência e cedemos ao lobby dos servidores públicos que eram justamente os privilegiados."



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