Terça feira, 25 de junho de 2019 Edição nº 15240 13/06/2019  










ALECY ALVESAnterior | Índice | Próxima

Consumir menos

Como escolher viver com o mínimo, apenas o necessário, em um mundo capitalista onde ter dinheiro e consumir, especialmente produtos de marca (roupas, carros, jóias...) é uma exigência social, sinônimo de status, de aceitação?

A inversão de valores (morais) faz com que muitos vivam sob esforço financeiro subumano para se manterem ou se sentirem parte de determinados grupos sociais.

Não é crime ou politicamente incorreto querer consumir um pouco mais, tampouco buscar aceitação, mesmo porque a cultura capitalista nos ensina cotidianamente que somos divididos por classe social e faz de tudo para aumentar o consumo.

Nos ensinam até que não há aquecimento global e por isso não precisamos de tratado para diminuir os níveis de poluição, que a Amazônia é infinita não importa o quanto a desmatamos...

Há milhares de anos estamos aprendendo a consumir sem nos preocupar com o amanhã. Todavia, um fenômeno vem provocando a inversão, ou seria a "reinversão", a volta ao mínimo, ao necessário.

Digo volta porque grande parte dos consumistas de hoje, formadores de novos consumistas, em um passado não muito distante poderiam ser denominados minimalistas. Se bem que isso não era por opção ou escolha consciente, mas a verdade é que naquela época viviam bem, tinham até mais qualidade de vida consumindo menos.

Tenho visto e convivido com pessoas que pararam, pensaram e mudaram ou estão trilhando o caminho da mudança de hábitos. Estão comprando menos, além de abolir os poluentes, tipo canudinho, copo e outros recipientes. Fazem opção pelos biodegradáveis.

Pois é, sempre existiu uma diversidade de utensílios, desde escova de dente até panela que podemos usar e ao final descartá-los sem agredir o meio ambiente. A questão é que como as grandes indústrias não os fabricam, não os colocam ao alcance das nossas mãos em todos os supermercados, esses acabam se tornando mais caros e não atendem a nossa pressa de consumo.

Sobre o questionamento do primeiro parágrafo respondo: dando o primeiro passo, não se importe tanto com as convenções sociais. Para que precisamos de 20 calças jeans, 50 blusas, 30 pares de sapatos, 20 bolsas...? Os sapatos, por exemplo, se não usarmos com frequência, por mais famosa que seja a marca e mais caro tenha custado, com o tempo estará ressecado, deformado. Na umidade cria mofo e no calor resseca.

Que tal consumir menos? Nunca é tarde! Já dei meu primeiro passo! Há um ano sem comprar uma única peça de uso pessoal.



Alecy Pereira Alves e jornalista e acadêmica de Serviço Social



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