Terça feira, 25 de junho de 2019 Edição nº 15239 12/06/2019  










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PF vê ataque orquestrado em invasão de hackers a celulares

CAMILA MATTOSO e ANGELA BOLDRINI
Da FolhaPress – Brasília

A Polícia Federal suspeita que os ataques de hackers em celulares de pessoas ligadas à Lava Jato tenham sido realizados de forma orquestrada, por um mesmo grupo. Embora as investigações ocorram de forma individual, a PF identificou um padrão nos casos em andamento.

Há até agora quatro inquéritos abertos para apurar as invasões, em Curitiba, Rio, Brasília e São Paulo, incluindo o que envolve o ministro de Justiça, Sergio Moro.



Os hackers tiveram acesso a um aplicativo específico de mensagens, o Telegram, e o fizeram depois da realização de telefonemas para o celular que seria alvo. Os primeiros relatos são de abril.



A suspeita é a de que os ataques tenham sido feito utilizando uma ferramenta que consegue roubar dados do usuário e, assim, acessar o aplicativo ao mesmo tempo que o próprio dono, sem precisar ter acesso físico aos aparelhos e sem precisar instalar programas espiões.



Seria, na verdade, uma espécie de clonagem, que se aproveita de brechas de segurança.



Pelo que foi apurado até agora, esse tipo de instrumento que pode ter sido usado no episódio das pessoas ligadas à Lava Jato seria de baixo custo, o que pode facilitar a comercialização e, portanto, mais ataques.



Casos desse tipo têm sido um desafio para a PF, que, muitas vezes, não consegue chegar nos autores.



Nesta terça (11), o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, apresentou um projeto de lei que aumenta a pena para quem invadir dispositivos eletrônicos, como celular, de membros do Ministério Público, Judiciário ou de policiais.



De acordo com a proposição, a pena seria aumentada de um terço à metade. Hoje, a punição agravada atinge quem cometer esse tipo de crime contra os chefes de Poderes, tanto no âmbito federal como estadual e municipal.



O texto, apresentado pelo líder do partido na Câmara, Delegado Waldir (GO) e os deputados Caroline de Toni (PSL-SC) e Alexandre Frota (PSL-SP), diz que é preciso aumentar a pena por se tratar de crime "com especial gravidade".



Mensagens divulgadas no domingo (9) pelo site The Intercept Brasil mostram que o ex-juiz Sérgio Moro e procurador Deltan Dallagnol trocavam colaborações quando integravam a força-tarefa da Lava Jato.

Os dois discutiam processos em andamento e comentavam pedidos feitos à Justiça pelo Ministério Público Federal.



Após a publicação das reportagens, a equipe de procuradores da operação divulgou nota chamando a revelação de mensagens de "ataque criminoso à Lava Jato". Também em nota, Moro negou que haja no material revelado "qualquer anormalidade ou direcionamento" da sua atuação como juiz.



O site The Intercept Brasil disse ter acesso, por meio de uma fonte anônima, a mensagens trocadas por Moro, quando ainda era juiz federal, e procuradores do Ministério Público Federal, entre eles Deltan Dallagnol, um dos personagens mais conhecidos da Lava Jato.

O pacote de diálogos que veio à tona inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram de 2015 a 2018. Parte do conteúdo já foi divulgado.



Segundo as mensagens, Moro sugeriu ao Ministério Público Federal trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão judicial.



Pelo Twitter, nesta terça (10), o Telegram disse que não há evidências de que seu sistema tenha sido hackeado.



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