Domingo, 18 de agosto de 2019 Edição nº 15224 22/05/2019  










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O preço da incerteza

A barreira psicológica do dólar a R$ 4, que voltou a ser rompida na semana passada, é sintoma da instabilidade política e da depressão econômica que acometem o país. O valor é uma espécie de fronteira. Acima deste patamar, cresce a percepção de uma escalada dos riscos associados ao Brasil. É inegável que, nos últimos meses, existe um movimento de fortalecimento global da moeda americana, mas, nas semanas mais recentes, a principal influência é interna.

Jogam contra o real as incertezas relacionadas à reforma da Previdência, essencial para a solvência do país no médio e longo prazos. Os riscos se devem tanto à velocidade da sua tramitação quanto ao tamanho da desidratação que pode ter no Congresso. Neste ponto, pesa ainda a aparvalhada articulação do Palácio do Planalto. Não bastasse isso, a desconfiança dos agentes da economia é cada vez maior diante da desorientação do governo Jair Bolsonaro, que vê ainda sua popularidade se esvair a cada pesquisa de opinião feita com os brasileiros, enquanto gasta tempo com matérias secundárias.

Com a economia mundial fraca, situação agravada pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, nem sequer o setor exportador, forte em Mato Grosso, tem o que celebrar. O dólar alto também afeta quem precisa importar insumos para a produção mas, diante da atividade paralisada, quase não tem margem para repassar o aumento dos custos. É ainda um fator a pressionar a inflação, que, nos últimos anos, controlada, é uma das poucas conquistas a serem comemoradas pelos brasileiros.

Não há o que fazer diante das razões externas que impactam o câmbio. Mas existe amplo campo para melhorar o clima interno e contribuir com o esforço da equipe econômica capitaneada pelo ministro Paulo Guedes para resgatar o país do fundo do poço fiscal. Está nas mãos de Bolsonaro. Ao presidente, caberia ao menos tentar distensionar o ambiente, demonstrar empenho sincero na aprovação da reforma da Previdência e organizar uma mínima base de apoio capaz de dar estabilidade a sua gestão. O quadro de nervosismo cambial reflete as incertezas que cercam o país. O primeiro passo para reduzi-las é dar um fim aos embates via redes sociais, que dificultam qualquer acordo sobre uma agenda mínima para o Brasil.

Na sexta-feira da semana passada, o dólar chegou a R$ 4,10, a maior cotação desde setembro do ano passado. Na última vez que o dólar transitou acima deste divisor de águas que acende o alerta vermelho, vivia-se o auge da angústia pré-eleitoral. A aflição era relacionada à dúvida sobre quem governaria o país. O presidente foi eleito, assumiu, mas falta estancar a autossabotagem e começar a governar olhando para a frente.



Está nas mãos do presidente tentar distensionar o ambiente, demonstrar empenho na aprovação das reformas e organizar uma mínima base de apoio



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