Sexta feira, 20 de setembro de 2019 Edição nº 15222 18/05/2019  










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O louvável em Kardec é ampliar o cinema brasileiro dedicado ao espiritismo

THALES DE MENEZES
Da Folhapress – São Paulo

"Kardec" provavelmente será sucesso de bilheteria. E essa aprovação do público deve nascer de um dos problemas do filme: o tom panfletário de sua narrativa. Os seguidores de sua doutrina serão atraídos ao cinema.

O longa de Wagner de Assis apela direto a quem tem contato com o espiritismo ou pelo menos está de cabeça aberta para uma aproximação. O tom de panfleto, no caso, vem de um roteiro preocupado em listar conclusões que sustentem a proposta de normatizar o contato com os mortos.

A missão é ingrata porque o arco de acontecimentos é extenso. O foco vai de quando Kardec se mostra cético até sua aceitação de que tal contato é possível e o desenvolvimento de um método para comprová-lo. O enredo se estende também à publicação de "O Livro dos Espíritos" e as polêmicas que causou.

É um volume muito grande de coisas a relatar. O que se vê na tela é uma certa simplificação desses episódios. O roteiro torna-se fragmentado, mas cada momento de tensão se resolve rapidamente, não há tempo para um ritmo narrativo mais envolvente.

Em alguns aspectos, é uma produção primorosa. Os cenários de interiores têm muita qualidade. A fotografia se apresenta como o grande destaque técnico. A Paris antiga renasce de um tratamento de luz e cor dado às imagens dos prédios seculares da cidade, num resultado muito bonito, que imprime ao filme uma assinatura visual única.

Quanto ao elenco, não há qualquer reparo possível a Leonardo Medeiros e Sandra Corveloni, que interpretam Kardec e sua mulher, Amélie-Gabriel Boudet. Mas a dupla, que tem talento de sobra para garantir a química na tela, está presa a um roteiro que os obriga a uma atuação um tanto pomposa, impessoal.

O problema reside nos diálogos. Com a já citada decupagem impiedosamente rápida do roteiro, algumas falas têm a função de sintetizar a importância daqueles momentos escolhidos para recriar a trajetória de Kardec.

Quase nenhuma conversa carrega um tom natural. Cada personagem parece estar ali para defender alguma afirmação essencial para a compreensão da construção do método de Kardec. Todas as falas soam como declarações destinadas a ficar na história.

E, mesmo com essa preocupação didática, falta espaço para explicar melhor a metodologia que o Kardec empregou no trabalho. Entre as investigações iniciais dos fenômenos até a construção de uma doutrina espírita, os fatos transcorrem muito rapidamente. Assim, o filme deve ser melhor apreciado por quem já é iniciado no tema.

O louvável em "Kardec" é ampliar o cinema brasileiro dedicado ao espiritismo. Falta abandonar o tratamento doutrinário dos enredos, para inserir o espiritismo em narrativas mais atraentes. Caso contrário, continuará um cinema para um nicho de seguidores.



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