Terça feira, 25 de junho de 2019 Edição nº 15222 18/05/2019  










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Após 9 anos, circulação do tipo 2 da dengue preocupa MT

Saúde alerta municípios para que notifiquem todos os casos suspeitos da dengue, chikungunya e zika

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

A Secretaria de Estado de Saúde (Ses-MT) emitiu um alerta aos municípios mato-grossenses para a identificação do vírus tipo 2 da dengue, que evolui rápido e pode levar a óbito. Esse sorotipo já circulou em Mato Grosso em 2011, quando houve o bloqueio epidemiológico que evitou uma epidemia. Porém, segundo o setor de Vigilância Epidemiológica do órgão estadual de saúde, existe um risco de reinfecção e do surgimento de casos mais graves, especialmente, em crianças, que não desenvolveram imunidade contra o DENV-2.

Neste ano, dois casos foram identificados em Cuiabá, importado de outro estado, e o outro de Nova Xavantina. “Orientamos aos profissionais de saúde dos municípios que notifiquem todos os casos suspeitos das arboviroses da dengue, chikungunya e zika, considerando o cenário epidemiológico dessas doenças. Ao observar os sintomas, é preciso que os profissionais redobrem a atenção”, recomendou a coordenadora da Vigilância Epidemiológica da SES-MT, Alessandra Moraes.

O vírus da dengue, uma doença febril aguda, apresenta quatro sorotipos, em geral, denominados DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Esses também são classificados como arbovírus, ou seja, são normalmente transmitidos por mosquitos. No país, os vírus da dengue são transmitidos pela fêmea do mosquito Aedes aegypti (quando também infectada pelos vírus) e podem causar tanto a manifestação clássica da doença quanto à forma considerada hemorrágica.

Os casos considerados suspeitos apresentam febre de duração máxima de sete dias, acompanhada de pelo menos dois dos seguintes sintomas: febre, cefaleia, mialgia, artralgia, dor retro-orbitária, prostração, exantema e com exposição à área com transmissão de dengue ou com presença de Aedes nos últimos 15 dias. No caso de dengue grave ou óbito com suspeita de dengue, a notificação aos serviços da Vigilância Epidemiológica municipal e estadual deve ser feita imediatamente.

Outra recomendação à Rede Municipal de Saúde é para que seja feita e investigação de antecedentes epidemiológicos do paciente. “É importante enfatizar que, ao ser infectado por um sorotipo do vírus da dengue, a pessoa cria imunidade permanente contra esse sorotipo, entretanto, também cria anticorpos que podem agravar uma infecção caso seja infectado por um sorotipo diferente”, reforçou Alessandra de Moraes, por meio da assessoria de imprensa.

Diante da preocupação, a Vigilância do Estado divulgou aos municípios o fluxo de encaminhamento de amostras para diagnóstico laboratorial dos casos suspeitos de dengue, sendo o Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso (Lacen-MT) a referência estadual. O comunicado de alerta da Ses-MT ressalta ainda que a notificação de doenças e agravos de saúde pública, além de ser uma obrigação legal do profissional de saúde, tem como objetivo sinalizar a ocorrência da doença e desencadear ações de Vigilância em Saúde.

Divulgado no início deste mês pelo Ministério da Saúde (MS), o primeiro levantamento rápido de índices de infestação predial (IIP) pelo Aedes aegypti de 2019 indica que dos 141 municípios mato-grossenses, 27 (19,1%) apresentam alto índice de infestação, com risco de surto para as doenças dengue, zika e chikungunya. Entre eles, estão Cuiabá e Várzea Grande, onde os IPPs foram 5,9% e 4,5% respectivamente.

No país, o levantamento aponta 994 municípios (20% do total realizado) com alto índice de proliferação do mosquito. Ainda no Estado, outras cidades com alto índice estão Itanhagá (10,6%), Cláudia (10,3%), Santa Cruz do Xingu (8,1%), Rondolândia (8,3%), Nobres (5,3%) e Nossa Senhora do Livramento (5,0%). Já outros 48 municípios, estão satisfatórios (verde), a exemplo de Alto Boa Vista (0%), Acorizal e Alto Garças, ambos com 0,7%. Os demais em alerta, como Água Boa (2,3%), Alto Araguaia (3%) e Alta Floresta (3,6%).

O LIRAa é um instrumento fundamental para o controle do vetor e das doenças (dengue, zika e chikungunya). Com base nas informações coletadas, o gestor pode identificar os bairros onde estão concentrados os focos de reprodução do mosquito, bem como o tipo de criadouro predominante. O objetivo é que, com a realização do levantamento, os municípios tenham melhores condições de fazer o planejamento das ações de combate e controle do mosquito.



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