Sábado, 20 de julho de 2019 Edição nº 15205 24/04/2019  










CENTRO DE ESPECIALIDADESAnterior | Índice | Próxima

Denúncia de médicos que batem ponto e vão embora vai parar no MPE

Da Reportagem

Denúncia dando conta de que médicos lotados no Centro de Especialidades Médicas (CEM), em Cuiabá, estariam registrando o ponto sem dar expediente na unidade vão parar no Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT). Comprovada a prática, os especialistas podem responder por falta funcional, ato de improbidade administrativa e, até mesmo, por crime de peculato.

Ontem, o vereador Abílio Júnior informou que vai protocolar a denúncia junto ao Ministério do Estado para que a situação seja apurada. Em sessão ordinária na Câmara, ele apresentou um áudio em que a coordenadora do CEM, Nadja Sartoreli, estaria alertando os médicos sobre uma servidora revoltada com a ação praticada pelos médicos. “Ela, ainda no RH (Recursos Humanos do CEM), além de ‘ferrar’ vocês, vai ‘ferrar’ eu também”, diz trecho.

Ainda no mesmo áudio, a coordenadora afirma saber que ninguém fica lá dentro, que todo mundo tem compromisso, que teria um acordo com os médicos e que estaria em defesa deles. “Não sei o que nós vamos fazer. Infelizmente, estamos com um diretor que não ajuda em nada, não resolve nada. Eu não sei. Nós temos que nos unir, ‘pra’ gente ver o que nós vamos resolver. Calar a boca de Lucrécia”, diz a coordenadora, preocupada em perder o cargo, em virtude da ameaça de denúncia feita pela servidora que está revoltada com a prática ocorrida dentro da unidade.

Diante do exposto, Abilio informou que detém outros seis áudios que reportam ao mesmo fato, o que, segundo ele, requer uma preocupação por parte dos poderes executivo, legislativo e judiciário. “É fato. Lá no CEM, os médicos não ficam lá. Eles batem o ponto e vão embora. Eu estive lá ontem e vi. Eram três horas da tarde e a unidade estava vazia, sem ninguém para atender. Isso é preocupante, mostra a falta de gestão da prefeitura, mostra o desserviço prestado ao cidadão”, relatou.

Nas gravações pode-se constatar que funcionários batem ponto, porém não cumprem a carga horária estabelecida por lei de 40 horas semanais. O problema não ocorreria somente no CEM, unidade médica importante para a saúde população de Cuiabá e que merece ação enérgica do Ministério Público e demais órgãos de controle.

“Não vamos ficar inertes a essa situação tão preocupante. Ali no CEM funcionam diversas especialidades médicas ou, pelo menos, deveriam funcionar. São especialidades como cardiologia, oftalmologia, pediatria. Enfim, são diversos serviços especiais que a população necessita, mas que padecem na fila do SUS (Sistema Único de Saúde) devido à má gestão da Secretaria de Saúde”.



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