Sexta feira, 22 de março de 2019 Edição nº 15179 15/03/2019  










AUREMÁCIO CARVALHOAnterior | Índice | Próxima

A tutela das Forças Armadas

O governo Bolsonaro vem se estruturando com o apoio de oficiais de alta patente - embora na reserva, para seu funcionamento. Já são mais de 100 militares nos ministérios e outras funções de destaque. Volta a 1964? Saudosismo? Os que viveram os anos da Ditadura (1964-1985), como eu, não sentimos nenhuma saudade daqueles anos de chumbo. As decisões, as palavras de ordem dos ministros, mesmo os civis, usam e abusam das metáforas militares: Pátria, ordem, Deus, família. Nada de mais; não se esperava outra linguagem; dada a origem do presidente que, embora capitão da reserva - bate continência para seus superiores hierárquicos.

“O uso do cachimbo, entorta a boca”. O ministro da educação - (civil), com a obcessão da militarização das escolas públicas; em Brasília, onde se experimenta, vemos alunos marchando com as mãos às costas e em silêncio para a sala de aula, fato contestado pelos educadores; a volta da disciplina da Ditadura - OSPB - Educação Moral e Cívica. Hoje, mais uma escorregada: A democracia brasileira depende das forças armadas - “democracia e liberdade só existem quando as Forças Armadas querem”. O povo, o Congresso, o STF são dispensados, são irrelevantes na sua luta pela consolidação do regime democrático. E se as forças armadas não quiserem a democracia? “A segunda missão será cumprida ao lado das pessoas de bem do nosso Brasil, daqueles que amam a pátria, daqueles que respeitam a família, daqueles que querem aproximação com países que têm ideologia semelhante à nossa, daqueles que amam a democracia e a liberdade.

E isso, democracia e liberdade, só existe quando a sua respectiva Forças Armadas assim o quer” (sic), disse o presidente. (G1). O vice-presidente – Gen. Mourão, que vem se revelando uma pessoa cordata, sensata e acessível, tentou remediar o estrago: “Se as Forças Armadas não são comprometidas com democracia e liberdade, elas não subsistem. Está aí o nosso vizinho, a Venezuela, para mostrar isso aí.", ao falar que o presidente foi “mal interpretado” em sua fala. O ponto é saber como as forças armadas “entenderam” o recado”; não Bolsonaro, que foi claro e enfático. Ou, nós, o povo, como entenderemos o recado?.

A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), mostrou indignação. "Essa pessoa não tem limites na agressividade", tuitou. "A democracia foi conquistada pela sociedade brasileira, não é objeto de tutela ou permissão", escreveu Gleisi, para quem a democracia tem inimigos no grupo político do presidente. "Terá muita luta para defendê-la, apesar de você e seus aliados", encerrou. O deputado Ivan Valente- do PSOL, não perdeu a deixa; “Ele ataca a Constituição que diz "Todo poder emana do povo". Mais uma vez comete crime de responsabilidade e atenta contra a dignidade do cargo.

Pior, constrange os militares a assumirem o autoritarismo”. O presidente do Senado - David Alcolumbre: "Essa foi uma declaração do presidente. Do meu ponto de vista, como presidente do Senado, eu quero fortalecer as instituições, fortalecer a democracia. Nós precisamos estar juntos nesse projeto de construção de um novo Brasil, que saiu das urnas com desejo da maioria dos brasileiros de que Jair Bolsonaro fosse presidente do Brasil. Assim como elegeram governadores, deputados federais e senadores da República”. E, faz um lembrete importante e atual: “A partir do momento que o Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República, ele não foi eleito só daqueles que votaram nele ou não votaram nele. Ele é presidente do país de 200 milhões de brasileiros, 26 estados, Distrito Federal, de várias regiões do Brasil". (G1).

A percepção dos principais assessores presidenciais, segundo a mídia, é que o governo Bolsonaro é uma administração que produz crises, falas desastradas, num curto espaço de tempo e deveria focar no que realmente interessa, medidas na área econômica, caso não queira frustrar seu eleitorado e a população. Há uma preocupação cada vez maior, entre integrantes do governo e aliados, com as declarações, mensagens nas redes sociais e discursos ou entrevistas de improviso feitos pelo presidente Jair Bolsonaro.

Há o consenso de que isso enfraquece, cada vez mais, a fala presidencial, pois muitas vezes o próprio Bolsonaro precisa ser reinterpretado por auxiliares ou até mesmo pelo vice-presidente Hamilton Mourão para minimizar declarações polêmicas. Mas, usa-se o twitter, com suas bombas diárias e apoio de seus seguidores. Um exemplo: O presidente Jair Bolsonaro anunciou que vai processar o ator José de Abreu; apoiador histórico do PT e crítico do atual governo, o ator se proclamou no último dia 25 de fevereiro presidente do Brasil: o “Juan Guaidó brasileiro”. O ator naturalmente pegou a isca e respondeu; “Venha, fascista! Não tenho medo de você! Você é um tigre de papel, perdeu a arma, a moto e foi humilhado por um ladrãozinho!".

Isso é assunto de Estado, ou de mesa de bar? uma das futuras decisões do Guaidó brasileiro: “Uma delas é soltar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ele possa "assumir o Ministério dos Justos". Estamos no reino da fantasia, do surreal, do BBB. O ator diz que vai pedir Habeas Corpus para não ser preso. Sem falar no discutido vídeo do carnaval. Esse é o novo Brasil prometido na campanha? E, os mais de 12 milhões de desempregados, a previdência, a saúde falida, a infraestrutura precária das estradas, a segurança a mercê do crime organizado e das milícias, vão entrar em pauta quando? Uma declaração infeliz, consciente ou inconscientemente, feita, que acirra os ânimos e a guerra surda ideológica em que vivemos. Se o comportamento do presidente Bolsonaro continuar nesse ritmo e linguagem, é preocupante o futuro do Brasil. Seremos um eterno BBB - Big Brother Brasil? O Brasil não merece esse cenário. A população está no limite do desespero. Será frustrada mais uma vez? Tutela - direta ou indireta - dos militares resolverá nossos problemas? Votamos num novo Maduro? Um Trumph tropical? Como cidadãos, independente de cor política, todos torcemos para o êxito do governo bolsonaro, mas, que ataque os problemas cruciais do país, não postagens nas redes sociais sobre banalidades. Um estadista, não um “general de plantão”.

Bolsonaro precisa ter consciência de que a campanha política já passou; precisa descer do palanque e começar a encarar sua responsabilidade e compostura do cargo. Governar, enfim. Coisa que parece, ainda não aconteceu totalmente, para o mal do Brasil. É lastimável. "Ansiedade é a incapacidade de saber o que é importante e o que não é"- Mário Quintana - escritor e poeta.



* AUREMÁCIO CARVALHO é Advogado

auremacio.carvalho@bol.com.br



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