Sexta feira, 22 de março de 2019 Edição nº 15179 15/03/2019  










ARNO SCHNEIDERAnterior | Índice | Próxima

Conquista do cerrado

Há poucas décadas o cerrado brasileiro era totalmente inexplorado e a agricultura brasileira realizada só em terras naturalmente férteis e com pouca utilização de insumos.

A baixa produtividade era a regra para todas as culturas e o Brasil importava alimentos que eram caros e consumiam boa parte do orçamento familiar.

Em meados da década de 1960 foi iniciada a grande revolução agrícola brasileira. Nesta época foram enviados para o exterior centenas de agrônomos para fazer cursos de pós – graduação e mestrado nas principais universidades rurais dos Estados Unidos e Europa.

Este foi o principal fator que promoveu a revolução tecnológica da agropecuária do país e foi decisivo para a conquista do cerrado.

A mente aberta dos migrantes às novas tecnologias e o financiamento fácil e barato do Banco do Brasil, aliados a uma relação de troca de 20 por 1 (1 ha do sul valiam 20 ha do cerrado) estimularam a ocupação do centro-oeste a partir de 1975.

Aquelas terras fracas e ácidas que sem tecnologia não produziam nem a semente plantada, passaram, com o uso da ciência a ter altas produtividades de soja, milho, algodão, arroz, sorgo e cana.

A soja que produzia 30 sc/ha passou a produzir 60 sc/ha. Evoluiu rapidamente também a transição de uma para duas safras anuais, graças a avanços genéticos e ao plantio direto.

Os grãos baratos e a cana incentivaram o surgimento da avicultura, da suinocultura, do confinamento de bois, da piscicultura, das fábricas de ração e das usinas de açúcar e etanol.

Temos ainda no cerrado culturas inimagináveis até há pouco tempo. Plantios empresariais em extensas áreas de batata, tomate, cebola, alho e cenoura. São cultivos realizados no período seco, como 3ª safra anual, com irrigação.

Num espaço de tempo relativamente curto de 35 anos, passamos de importadores a exportadores de grãos, fibras e proteína animal.

Isto foi inédito no planeta inteiro, nenhum outro país conseguiu esta proeza em tão pouco tempo.

É uma prova que políticas públicas bem conduzidas podem mudar totalmente um setor da economia.

Novas tecnologias em fertilidade do solo e avanços na biotecnologia possibilitarão novos avanços.

A introdução de uma 3ª cultura no período seco é uma questão de tempo e o trigo é o candidato natural. Quem sabe o cerrado ainda promoverá a autossuficiência brasileira do trigo?

Um grande avanço foi a criação das associações estaduais e nacionais de agricultores e de pecuaristas, que orientam muito bem seus associados nas áreas política, jurídica, ambiental e tecnológica.

Com relação ao Mato – Grosso, diria que a conquista do cerrado é responsável por mais de 80% do PIB estadual.

A conquista do cerrado conseguiu se posicionar o Brasil como um dos maiores e mais eficientes produtores e exportadores de grãos, fibras e proteína animal do Mundo.

Seria necessário um livro para contar a história da conquista do cerrado. Talvez este artigo inspire algum historiador a escrever sobre o assunto enquanto os pioneiros ainda estão vivos.



* ARNO SCHNEIDER, Eng. Agr. e pecuarista

renato@hotelgranodara.com.br



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