Quarta feira, 22 de maio de 2019 Edição nº 15205 24/04/2019  










CPI DA SONEGAÇÃOAnterior | Índice | Próxima

Empresário diz que facção criminosa é dona de postos em Cuiabá

Segundo Aldo Locatelli, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Comando Vermelho controla 3 postos na Capital

Arquivo/DC
KAMILA ARRUDA
Da Reportagem

Em depoimento prestado junto a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Renúncia e Sonegação Fiscal na manhã desta terça-feira (23), o empresário do ramo de combustíveis Aldo Locatelli denunciou que a facção criminosa Comando Vermelho controla, ao menos, três postos em Cuiabá.

De acordo com ele, o grupo criminoso utiliza os postos de combustíveis para lavar dinheiro levantado com as ações criminosas, e acabam, inclusive, aumentando os seus “lucros”.

“Temos notícias de três postos em Cuiabá do Comando Vermelho, mas não posso entrar muito em detalhes até por questão de segurança”, disse Locatelli.

O empresário, que também é presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindpetróleo), afirma ainda que a facção escolhe este ramo devido à facilidade de sonegar impostos.

Segundo Locatelli, a sonegação de impostos nesta área é recorrente devido ao alto valor dos impostos. A carga tributária média do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre os combustíveis é de 20%.

“Comunicação e energia têm como medir o consumo, combustível não. Combustível vem por transporte terrestre para Mato Grosso, então, a sonegação é evidente. A gasolina é R$ 1 e pouco, o resto é imposto. Quanto mais caro o imposto, mais se sonega’. Isso é uma lei escrita por todos os economistas. O valor sonegado daria mais um FEX por ano”, afirmou.

Locatelli, disse que apesar de haver um alto tributo, o que encoraja o empresário a sonegar, há exceções. “Grandes companhias, como a Shell, Petrobras, Ipiranga não fazem isso. Mas elas têm que ficar brigando. Tirando dinheiro lá, põe aqui. Pois não tem lucro”, disse.

Para Locatelli, a alta carga tributária impulsiona os empresários a sonegarem. O valor projetado de sonegação é de aproximadamente R$ 450 milhões ao ano.

"Quanto mais caro o imposto, mais se sonega. Isso é uma lei escrita por todos os economistas. O valor sonegado daria mais um FEX por ano”, afirmou.

O empresário foi a terceira pessoa a ser ouvida pela CPI, instaurada na Assembleia Legislativa para apurar a renúncia e a sonegação fiscal em Mato Grosso.

Já foram ouvidos pelo grupo liderado pelo deputado estadual Wilson Santos (PSDB) a procuradora Ana Cristina Bardusco e o auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Joel Bino.

Nesta quinta-feira (25), está prevista a oitiva do atual secretário-chefe de Casa Civil, Mauro Carvalho, o procurador-geral do Estado, Francisco de Assis, o secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo, o secretário-adjunto, Fábio Pimenta e o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda.



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