Domingo, 19 de maio de 2019 Edição nº 15204 23/04/2019  










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Tite defende mais tempo de trabalho

RODRIGO MATTOS
Da Uol/Folhapress – Rio

Um seminário realizado pela CBF serviu para os treinadores Tite, Jorge Sampaoli e Fernando Diniz traçarem um cenário do motivo de o nível do futebol brasileiro de clubes estar abaixo do praticado na elite da Europa.

No diagnóstico, o estresse, pressão e histeria imposto aos trabalhos no Brasil que impedem um desenvolvimento de um jogo mais elaborado, com o time como protagonista. Como resultado, um jogo mais preso a sistemas defensivos.

"O jogo divertido se transformou em estresse, em apuro, fica difícil de desfrutar", exemplificou o técnico santista Sampaoli. "Jogador está clamando por ajuda. A gente tem que conviver melhor (com o resultado). Futebol não é um lugar para assassinar as pessoas", analisou o treinador do Fluminense, Fernando Diniz.

Primeiro a palestrar, Tite destacou que seu melhor trabalho foi no time do Corinthians de 2015 e ressaltou ter estado no clube por quatro anos e meio com interrupções. "Não acredito em varinha mágica, em treinar três dias e ser campeão. Acredito em processos", ressaltou ele, que lembrou que nesse time foi quando buscou mais criatividade no seu jogo.

Em seu seminário, ele destacou as diferentes formas de realizar o chamado jogo posicional, em que os atletas se organizam para ter aproximação e toque de bola. Ele analisou as diversas formas de sair com a bola, com construção do jogo desde trás.

Na sequência, Sampaoli dividiu o campo em três zonas, de alerta (defesa), conforto (meio-campo) e zona de definição (ataque). Segundo ele, seu objetivo nas três zonas é eliminar adversários, isto é, superá-los com passe ou drible. Seu entendimento é que o jogo tem que ser construído até o meio-campo, com aceleração só na zona de conclusão.

"O jogador acelera porque o público acelera. O público celebra quando o zagueiro tira com um chutão. Os criativos não aparecem porque são oprimidos", contou.

Sampaoli entende que a qualidade do jogador é sul-americana, mas o continente parece ter perdido a fórmula para jogar como protagonista, ter a bola, dominar o jogo. Deu o exemplo do Ajax, da Holanda, que está nas semifinais da Liga dos Campeões.

"(O Ajax tem) Essa qualidade que parece mais sul-americana, e que perdemos um pouco, nos esquecemos um pouco", disse o treinador do Santos. Ele deu exemplos dos treinos que realiza no Santos, com "rondas", trocas de passe em espaços curtos, para criar costume em seu time.

Na visão de Fernando Diniz, uma das principais abordagens deve ser em cima do jogador que deve ser estimulado porque vem sendo submetido a pressão excessiva e por isso fica temeroso de errar. Ao mesmo tempo, entende que os treinadores têm que ser corajosos na proposta de seus jogos.

"A gente importou um jeito europeu jogar no passado. Nossos jogos são muito bem estruturados na base de defesa. Fazer jogo de construção dá mais trabalho. Já na base tem a pressa. Defender é mais fácil do que construir", explicou Diniz.

Segundo ele, é preciso que o técnico se liberte do medo da demissão. "Em algum momento, vamos ser demitido", lembrou.



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