Quarta feira, 22 de maio de 2019 Edição nº 15203 19/04/2019  










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Maisa estreia talk show inspirada em Hebe

BEATRIZ VILANOVA
Da Folhapress - São Paulo

Ela tem 16 anos e trabalha na televisão desde os 3. Maisa Silva viveu a infância e adolescência sob os olhos dos espectadores e, com fama já acumulada, lança agora no SBT o seu próprio talk show: intitulado "Programa da Maisa".

Logo que o anúncio foi feito, a jovem foi comparada à humorista Tatá Werneck, que tem programa no mesmo estilo em emissora concorrente, o "Lady Night", da Globo.

Mas Maisa garante que "não tem nada a ver". "Eu também sou rápida nas sacadas, mas ela é uma humorista, uma comediante profissional, e eu não sou", diz. "Ela é uma gênia, um robozinho. É perfeita", avalia.

A adolescente explica que a abordagem de seu programa será diferente, voltado para toda a família, "principalmente porque ela [Tatá] é adulta, pode falar algumas coisas mais salientes e picantes". "Mas todo mundo gosta do "Lady Night", então, se já estão comparando o meu programa ao dela, é porque vai ser bom".

Antes previsto para se chamar "Maisera", o agora "Programa da Maisa" precisou mudar de nome a pedido de Silvio Santos, que enxergou o novo título com um maior apelo publicitário.

Maisa faz dupla no programa com o humorista Oscar Filho, que fez sucesso no humorístico "Custe o que Custar" (CQC) e também contracenou com a jovem em "Carrossel: O Filme" e sua continuação. "Ele é dono de um humor físico e é um homem, o que serve como contraponto para ela", diz o diretor do "Programa da Maisa", Lucas Gentil, também responsável por "Júnior Bake Off Brasil".

No novo talk show, Maisa recebe em um sofá dois convidados por programa para uma conversa informal, com quadros que vão de exibição de arquivos do SBT até "respostas aos "haters" da internet", conta.

Matheus Ceará, de "A Praça É Nossa", e Fernanda Souza, ídolo de Maisa, estarão no episódio de estreia, neste sábado (16), às 14h15. "Ela estava na minha lista de pessoas que eu queria muito entrevistar", diz Maisa, sobre Fernandinha. "Ela não tem muito pudor para falar as coisas. Fala tudo e é geminiana, como eu. O papo rende muito."

Também virão ao programa a cantora Gretchen e o apresentador Celso Portiolli, seguidos de Leo Dias e Carlinhos Maia, em uma tentativa de trazer o público da internet para a TV.

"É para ser um programa informal, casual. Um encontro de amigos", lembra o diretor. Maisa apoia: "É mais como a Hebe. Parece que ela está recebendo as pessoas na casa dela, e eu quero que as pessoas se sintam assim no meu programa, acolhidas. Não como se eu estivesse querendo extrair informação", diz a apresentadora.

"Tá do meu jeitinho. É a realização de um sonho. Chegou em um momento muito inesperado, porque ninguém imagina receber um programa de televisão para apresentar aos 16 anos. Assim como também com cinco anos, eu não esperava apresentar um programa."

Mas a apresentadora garante que só aprendeu tudo isso por conta da experiência. "Sempre digo que tive faculdade de TV com dois mestres, que são Raul Gil e Silvio Santos. Também convivi um pouco com a Hebe."

E, mesmo com o programa, confirma que continuará com trabalhos paralelos. "Da carreira de atriz eu não pretendo abrir mão. Acho que dá para conciliar os dois."

Segundo Gentil, de uma coisa o SBT já tem certeza: Maisa é a aposta. "Ela é a TV de hoje e do futuro."

Na trilha sonora de seu talk show, Maisa terá músicas como "Buzina", da drag queen Pabllo Vittar. Ela já deixou claro que trará seu ativismo das redes sociais para a televisão.

"Acho importante, já que tenho esse espaço", diz. "Não teria porque restringir a presença de certas pessoas no meu programa, até porque o SBT sempre foi uma emissora para a família, e as famílias são diferentes."

A apresentadora diz que não irá proibir nenhuma pessoa de ir ao programa, e quer mostrar que qualquer um pode render uma boa entrevista. Ela acredita que trazendo gente diferente e usando um tom descontraído, pessoas que tenham algum preconceito possam começar a "olhar por outro lado". "A gente não quer fechar as portas para as pessoas. Quer abrir, trazer gente nova, fazer essa "mistureba" e mostrar que o programa não vai ter só um tipo de gente", diz Maisa. "As pessoas têm histórias diferentes para contar e todos têm pontos em comum."

MÃO NA MASSA - Maisinha conta que participou do projeto de elaboração do programa desde o ano passado, mas que não sabia se daria certo.

Desde o começo, fazia questão de mostrar suas opiniões, "porque o programa leva o meu nome, tem que ter a minha cara, não pode ser feito de outra maneira."

Outra estratégia da atração, pensando nos jovens e na interação deles com a tecnologia, será o abastecimento de conteúdo digital em paralelo à exibição do talk show.

"Eu assisto muito mais a filmes em plataformas de streaming do que na TV", diz Maisa. Ela afirma que falta conteúdo para jovens na televisão, e que seu programa chega para preencher esse buraco. "A gente quer assistir aos ídolos no sofá. O próprio adolescente vai poder se identificar porque eu vou fazer perguntas que vocês fariam", finaliza.

PAUSA NOS ESTUDOS - Trabalhando desde os três anos de idade, Maisa Silva, 16 anos, sempre foi questionada sobre o papel de seus pais em sua carreira. Embora a pouca idade a tenha feito crescer em um mundo rodeado por câmeras, ela garante que essa sempre foi a sua vontade.

"Meus pais nunca me colocaram para trabalhar. Eu entrei por livre e espontânea vontade", diz a apresentadora, que se prepara para lançar neste sábado (16) seu primeiro talk show. "Assim como as crianças têm o sonho de ser astronauta, bailarina ou professor, eu via o Raul Gil e queria estar lá."

Ela diz que, como não sofria qualquer tipo de assédio, desde cedo gostava dos dias de gravações. "Era um dia que eu tirava para brincar com adulto e conhecer meus ídolos: Joelma, do Calipso, Sandy e Junior, entre outros", afirma.

Segundo Maisa, os próprios pais não deixaram que a fama subisse à cabeça e sempre a alertaram de que ela "não era para sempre".

"Não existe pessoa melhor para cuidar da sua vida do que os seus pais", defende a também atriz. "Meus pais são realmente a minha base, minha estrutura e meus protetores. Ter os meus pais para falar "filha, quer ir para o hospital, quer cancelar tal coisa?". Eu acho que um empresário nunca faria isso por mim, porque ele estaria visando o lucro. E os meus pais, não", comenta.

A apresentadora diz que atualmente não tem rotina, e segue em seu último ano de escola, cada vez com menos tempo para os compromissos.

"Eu não tenho um dia todo para estudar para uma prova, como a maioria dos adolescentes tem. Isso é impossível. Eu tenho 20 minutos. E eu tenho que ir bem [na prova], senão, não trabalho".

Terminada a escola, a apresentadora diz que pretende manter os trabalhos e descansar em 2020. Quem sabe, no ano seguinte, entrar em uma faculdade -provavelmente de cinema ou de comunicação. "Nunca soube como é a vida sem ir para a escola e trabalhar."

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