Domingo, 26 de maio de 2019 Edição nº 15203 19/04/2019  










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Lanza fez paixão por cavalos virar estudo nos EUA

DANIEL E. DE CASTRO
Da Folhapress – São Paulo

Nem só de água vive Vinicius Lanza, 22, uma das principais apostas da natação brasileira para a Olimpíada de Tóquio-2020.

Fã de cavalos, o atleta mineiro transformou a paixão pelos animais em estudo quando se mudou para os Estados Unidos e iniciou a graduação em animal behavior (espécie de zootecnia) na Universidade Indiana.

No fim de março, ele disputou suas últimas provas pelo Campeonato Americano Universitário - berço dos principais nadadores do mundo - e fez história ao vencer a disputa de 100 jardas (91,4 m) no nado borboleta, especialidade de Lanza.

O último a conseguir esse feito pela universidade havia sido o lendário Mark Spitz, 47 anos atrás. O brasileiro conquistou mais duas medalhas para Indiana durante a competição, nas 200 jardas borboleta e no revezamento 4 x 100 medley.

O desempenho em alto nível nos EUA e a medalha de bronze obtida no campeonato Pan-Pacífico do ano passado credenciam o representante do Minas Tênis Clube a ser um dos astros do Troféu Brasil Maria Lenk.

A principal competição nacional do ano, que começou nesta terça (16) no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, serve como seletiva brasileira para os Jogos Pan-Americanos de Lima e o Mundial da Coreia do Sul, entre outras competições.

Apesar de a elegibilidade de Lanza no circuito universitário dos EUA ter acabado após as quatro temporadas em que defendeu Indiana, ele ainda terá pela frente mais um ano de estudos para concluir a graduação.

Nesse período, que coincide com a preparação para os Jogos de Tóquio, o atleta continuará o programa de treinos que vem dando certo nos últimos anos.

O sucesso dentro da água, como é comum no esporte, também exigiu que o mineiro abrisse mão de alguns passatempos.

"Minha família tem uma fazendinha em São João del-Rei, e eu gosto muito de cavalos, tanto de andar quanto de cuidar. Pretendo trabalhar com isso no futuro. Quando fui crescendo e a natação ficou mais séria, ela tirou o tempo que eu podia ir para fazenda e ficar por lá", afirma Lanza à Folha.

A relação dele e da família com animais não se encerra nos cavalos ou no curso que o atleta escolheu na universidade. Ainda criança, o mineiro aprendeu a nadar por incentivo do pai, que costuma viajar com um grupo de amigos para pescarias no Pantanal.

"Eles gostam de pescar e de tomar uma cervejinha no barco. Ele falou que se desse alguma coisa errada eu tinha que saber me virar, então comecei a nadar por causa da proteção durante as pescarias mesmo", conta entre risos.

A primeira prova de Lanza no Maria Lenk será logo a que ele chama de "sua querida", os 100 m borboleta, realizada nesta quarta (17). Ele também vem treinando com afinco os 200 m medley.

Além de aumentar as chances de uma sonhada medalha olímpica, trata-se de uma estratégia para não colocar toda sua expectativa em apenas uma prova.

Depois de quatro anos na elite do esporte universitário americano, onde nada ao lado dos campeões olímpicos Blake Pieroni e Lilly King, ele afirma que o objetivo de carreira continua o mesmo: chegar a uma Olimpíada e brigar por um lugar no pódio.

A diferença é que agora Lanza tem mais ferramentas para isso do que tinha em 2016, quando não conseguiu a vaga para os Jogos do Rio por apenas cinco centésimos.

"Eu era um moleque sonhador, mas não sabia como chegar lá. Hoje em dia consegui amadurecer muito. O menino sonhador continua aqui, mas já está traçado o que ele tem que fazer para alcançar o sonho", diz.

Com a elite da natação brasileira reunida no Rio de Janeiro, o Maria Lenk vai até este domingo.

Nesta terça, o principal destaque foi a disputa dos 200 m livre, que teve a vitória de Fernando Scheffer, 21, seguido por Breno Correia, 20, Luiz Altamir, 22, e João de Lucca, 29. Os quatro estão garantidos na equipe de revezamento 4 x 200 m livre no Mundial da Coreia do Sul e no Pan.

No Mundial de piscina curta da China, em dezembro, Scheffer, Correia e Altamir integraram a equipe brasileira que bateu o recorde mundial da distância.



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