Sexta feira, 22 de março de 2019 Edição nº 15178 14/03/2019  










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Um ano depois

A prisão dos suspeitos de terem matado a vereadora Marielle Franco, do Rio de Janeiro, alvo de um atentado em que morreu também seu motorista, Anderson Gomes, representa um alívio no clamor generalizado contra a impunidade. É também um alento para as famílias das vítimas e uma demonstração para o mundo de que o Brasil não é sinônimo de porto seguro para criminosos. Apesar das pressões por resultados, as forças policiais envolvidas souberam adotar prudência e cautela na apuração de um crime extremamente complexo, com ramificações ainda não devidamente esclarecidas.

Hoje completa um ano do duplo assassinato, é de se lamentar a demora na conclusão das apurações de responsabilidade. Ainda assim, o importante é que a entrada em ação da Polícia Federal acabou se contrapondo às tentativas de obstrução das investigações. As suspeitas de que uma organização criminosa estivesse travando os trabalhos já havia levado o ex-ministro da Segurança Raul Jungmann, em dezembro, a se referir aos fatos como "uma aliança satânica entre a corrupção e o crime organizado". Sucessor no cargo, no novo governo, o ministro Sergio Moro disse ontem esperar que as prisões e buscas sejam "mais um passo para a elucidação completa deste grave crime e para que todos os responsáveis sejam levados à Justiça".

Caso sejam demonstradas as culpas, fica ainda mais evidente para a sociedade a constatação assustadora de que, dentro da própria polícia, tenham nascidos e se desenvolvido grupos de mercenários acostumados a agir com desenvoltura à sombra da lei e amparados sabe-se lá por quem. Pode-se dizer que, em se confirmando as acusações, esclarece-se uma parte relevante do mistério. Falta ainda explicar, identificar e punir quem supostamente estava embaraçando as investigações e, principalmente, os mandantes que contrataram pistoleiros de aluguel para esse trabalho criminoso e covarde.

A possibilidade de a demora nas apurações, que ainda não foram concluídas, ter a ver com as milícias é assustadora para o país. Os brasileiros não podem se conformar com essa inquietante escalada de organizações de extermínio que, de tanto poder político, têm uma capacidade de influência que vai além de um simples Estado paralelo. Já que não pôde ser evitado, o assassinato de Marielle Franco precisa agora se constituir num marco a partir do qual o país tenha a coragem de enfrentar de vez o crime organizado.



Fica ainda mais evidente a constatação de que dentro da própria polícia, tenham nascidos e se desenvolvido grupos de mercenários acostumados a agir com desenvoltura à sombra da lei



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