Domingo, 19 de maio de 2019 Edição nº 15164 20/02/2019  










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Bolsonaro gravou vídeo e fala em 'saída honrosa'

Da Reportagem

A negociação de uma "saída honrosa" para Gustavo Bebianno do cargo de chefe da Secretaria-Geral da Presidência passou por várias alterações no vídeo que foi gravado por Jair Bolsonaro e divulgado na segunda-feira.

Bebianno ficou incomodado com o fato de o vídeo não ter sido publicado nas redes sociais, como era combinado. A divulgação foi feita à imprensa por meio da Secom (Secretaria de Comunicação Social).

Depois de ter chamado publicamente Bebianno de mentiroso, Bolsonaro gravou um vídeo agradecendo o trabalho do ex-aliado e afirmando acreditar na "seriedade e qualidade de seu trabalho".

Segundo pessoas próximas às tratativas, a mensagem lida pelo presidente em aceno a seu "faz tudo" do período da campanha foi e voltou diversas vezes.

Coube ao chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, negociar com os dois lados sobre as alterações de cada vírgula ou palavra que foi retirada e colocada. Ao lado do presidente, militares também ajudaram a calibrar o teor da mensagem.

Onyx apareceu logo cedo ao Palácio da Alvorada, onde mora o presidente, antes mesmo de 8h em compromisso que inicialmente não constava na agenda das autoridades.

DISCUTIDO

O tom do vídeo já vinha sendo discutido ao longo do fim de semana e foi a falta de um consenso que impediu que a exoneração de Bebianno fosse publicada no Diário Oficial da União nas primeiras horas de ontem.

Depois de um desentendimento público na semana passada, com direito a desmentido, divulgação de áudios e trechos de conversas, chegou-se a um consenso de que o anúncio da demissão teria de ser feito de forma mais diplomática, para evitar consequências mais graves ao governo.

A exoneração de Bebianno foi confirmada só na noite de segunda pelo porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, após cinco dias de incertezas sobre seu futuro.

A fala de Rêgo Barros era esperada para 17h, mas só ocorreu após às 18h. Isso porque foi preciso aguardar que Bebianno e o Planalto chegassem a um ponto comum sobre o teor da mensagem.

"Comunico que desde a semana passada, diferentes pontos de vista sobre questões relevantes trouxeram a necessidade de uma reavaliação. Avalio que pode ter havido incompreensões e questões mal entendidas de parte a parte, não sendo adequados pré-julgamentos de qualquer natureza", afirmou Bolsonaro no vídeo.

Ele não faz qualquer menção às suspeitas de um esquema de candidaturas de laranjas do PSL, caso revelado pela Folha, no qual Bebianno foi apontado como responsável pelos repasses de recursos públicos.

O general da reserva Floriano Peixoto, secretário-executivo da pasta, foi anunciado nesta segunda como substituto no posto, em caráter definitivo, mas seu nome não foi mencionado pelo presidente.

Bebianno se tornou o centro de uma crise instalada no Palácio do Planalto depois que a Folha revelou a existência de um esquema de candidaturas laranjas do PSL para desviar verba pública eleitoral. O partido foi presidido por ele durante as eleições de 2018, em campanha de Bolsonaro marcada por um discurso de ética e de combate à corrupção.

ELEIÇÕES

Como presidente do PSL nas eleições, Bebianno foi o homem forte da campanha vitoriosa de Bolsonaro e responsável formal pela liberação de verba pública para todos os candidatos do partido. Sua ligação próxima com o presidente o alçou a um ministério instalado dentro do Palácio do Planalto.

A queda do ministro decorre da maior turbulência política enfrentada pelo governo Bolsonaro, que completou 49 dias de existência nesta segunda-feira.

O porta-voz Rêgo Barros disse que a decisão de Bolsonaro é de "foro íntimo" e não respondeu sobre os motivos que levaram à sua saída. Em pronunciamento, ele fez a leitura de uma nota em tom seco, afirmando apenas que "o presidente agradece sua dedicação à frente da pasta e deseja sucesso na nova caminhada".

O ex-ministro presidiu o PSL ao longo de 2018 e foi o responsável por negociar a filiação de Bolsonaro à legenda.

Na mensagem, o presidente agradece ao ex-aliado pela dedicação durante o período eleitoral.

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