Sexta feira, 22 de fevereiro de 2019 Edição nº 15159 13/02/2019  










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Vida negligenciada

No mais recente episódio, em que um incêndio atingiu o alojamento no Ninho do Urubu, as perdas humanas revoltam ainda mais por envolverem também adolescentes. No incêndio, foram destruídos igualmente os sonhos de famílias inteiras que veem no futebol uma alternativa não apenas para encaminhar seus filhos para uma profissão, mas de ascensão social.

Infelizmente, também no abrigo dos jovens atletas, faltaram medidas essenciais de segurança que poderiam ter evitado o pior. Guardadas as proporções, as causas estão ligadas diretamente à falta de cuidados mínimos em relação à integridade física das pessoas tanto no caso da Kiss, no Rio Grande do Sul, quanto no rompimento de barreiras da Vale, em Mariana e Brumadinho.

Quando a prevenção falha, resta à sociedade cobrar rigor na apuração de responsabilidades para permitir, pelo menos, que os responsáveis possam ser punidos. O país, porém, não pode seguir indefinidamente à espera de novas tragédias para, só então, se comprometer com promessas de que fatos provocados por negligência e falta de fiscalização não voltarão a se repetir.

Porque não aprendemos com os erros? Qual o motivo de vermos as mesmas desgraças acontecerem, manchando de sangue a nossa história, e nada fazermos? Uma conta bancária milionária permite deitar no travesseiro e dormir sabendo que tantos choram enquanto enterram seus entes queridos?

É utopia acharmos que um governo resolverá os problemas de caráter que temos como nação, mas é imprescindível que a Justiça assuma a responsabilidade de encontrar e penalizar os responsáveis, já que a impunidade é a porta para a reincidência.

Não precisamos ter um fiscal batendo em nossa porta para descobrirmos que uma barragem sem estrutura pode romper e um alojamento que não deveria existir no local pode incendiar-se. Sabemos que não é fácil enfrentar uma grande corporação, porém, o mais doloroso é encarar pais que perderam seus filhos. Dormindo. Sonhando com um futuro que nunca chegará.



Quando a prevenção falha, resta à sociedade cobrar rigor na apuração de responsabilidades para permitir que os responsáveis possam ser punidos



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