Sexta feira, 18 de janeiro de 2019 Edição nº 15119 13/12/2018  










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Incansável, jogou quase 100 partidas até o bimundial

JOÃO GABRIEL
Da Folhapress – São Paulo

Doze de dezembro é uma data especial para o são-paulino.

Há 25 anos, o São Paulo entrava em campo no Estádio Nacional de Tóquio para enfrentar o Milan na final do Mundial de Clubes, sob um "sol de cinco horas da tarde", como lembra o goleiro Zetti. Não bastasse ser a mais importante, era também a 97ª partida da equipe naquele ano.

O segredo para ter um time 100% em forma após tantos jogos, além de um elenco recheado, era uma revolução que acontecia nos bastidores do clube desde a chegada do técnico Telê Santana e do preparador físico Moraci Sant'anna, no final de 1990.

Com décadas de trabalho conjunto, os dois se uniram ao fisiologista Turíbio Leite de Barros e iniciaram o projeto de um novo modelo de preparação física no São Paulo.

"A gente tinha um mini laboratório que o Turíbio já tocava lá", contou Moraci. "A partir de 1991, a gente começou um planejamento de fazer a avaliação não só no início da temporada e no campo [como era o comum], mas dar continuidade e fazer reavaliações usando o laboratório".

Segundo Moraci, isso foi um "divisor de águas" entre preparação empírica e científica, possibilitando a criação de curvas de progressão física e fisiológica dos atletas. O método deu resultados em campo e fez com que o então presidente do clube, José Eduardo Mesquita Pimenta, concordasse com a construção de um laboratório dentro do próprio CT da Barra Funda, afinando a relação entre os exames laboratoriais e os treinos no gramado.

"Aí a gente começou a ganhar tudo. Isso deu uma repercussão grande na época, tanto que o Palmeiras pede para o Turíbio a indicação de um fisiologista. Logo em seguida, o Corinthians também pede. Eles sentiram que estavam ficando para trás", revela Moraci.

Mas para chegar bem ao 97º e mais importante jogo da temporada, o elenco precisaria encarar 25 horas de vôo entre São Paulo e Tóquio, com escala em Los Angeles.

Campeão mundial no ano anterior, a equipe repetiu o planejamento da viagem nos mínimos detalhes, incluindo o cardápio, escala de treinamentos, um "complô" com os funcionários do hotel e o contrabando de carnes escondidas na bagagem. Moraci foi o grande cérebro por trás da logística.

Ele pediu ao roupeiro do time que já deixasse uma sacola com tudo pronto para a equipe treinar assim que desembarcasse. Assim que chegaram ao hotel, foi de porta em porta nos tirando os jogadores dos quartos, os levou até uma praça e deu início aos exercícios para "tirar o avião do corpo".

"Então começou a chuviscar. Eles queriam ir embora, eu não deixei, mandei alongar. Ficamos alongando, já tinha dado meia hora e a chuva engrossou tanto que o pessoal começou a correr, não teve jeito", lembra Moraci.

O relógio já passava das 18h e o jantar estava marcado para sair às 19h.

"Mas lá na cozinha eu também combinei com cozinheiro, garçom e todo mundo de fazer assim: eles traziam o pãozinho e demoravam um pouco; traziam a salada, espera; depois traz os pratos quentes", contou o preparador físico, que queria atrasar o máximo possível a hora de dormir para ajustar o fuso horário.

Parte indispensável da alimentação pensada pela nutricionista Patricia Bertolucci era a carne. Para economizar dinheiro, o São Paulo resolveu levar filés congelados direto do Brasil até o outro lado do planeta, porque em Tóquio seria difícil conseguir os ingredientes da alimentação cotidiana dos atletas.

"Só que pra entrar lá [no Japão], nós enfiamos os isopores com as carnes em sacos de roupa e forramos tudo com chuteiras em volta e por cima, para disfarçar e não ficar preso na alfândega. Fizemos isso as duas vezes, em 92 e 93", confessou Moraci, rindo.

O intervalo de sete dias que o São Paulo teve para se preparar para a final foi a primeira vez no ano inteiro que a equipe ficou uma semana sem nenhum compromisso.

Nada disso serviria se o resultado em campo não fosse positivo. E o adversário era o temido Milan de Fabio Capello, que mesmo não tendo sido campeão da Champions League (vencedor, o Olympique de Marselhe foi desclassificado por se envolver em um esquema de combinação de resultados), era um dos times mais temidos da Europa.

"No primeiro ano [1992], foi tudo uma novidade, não queríamos nem saber quem era o adversário", lembra goleiro Zetti. "Nós pegamos o Milan já numa cobrança maior que contra o Barcelona. O Barcelona era novidade, contra o Milan nós éramos campeões do mundo", lembra Zetti.

"Nós tínhamos muitas fitas VHS com jogos do Milan, nós vimos tudo, ele [Telê] passava na preleção. E tinha que acompanhar, não dava pra rebobinar a fita", continua.

O time de Telê Santana aliava a juventude de jogadores como Cafu, que então tinha 23 anos, com a experiência de craques como Toninho Cerezo, que mesmo com 38 "parecia uma criança, 90 minutos para ele era pouco", lembra Moraci.

O jogo atendeu às expectativas de quem esperava um grande confronto. Aos 19 minutos, Palinha abriu o placar para o São Paulo e o Milan só conseguiu empatar aos 3 da segunda etapa. Foi de Cerezo o segundo gol da equipe brasileira e de Papin o novo empate italiano.



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