Terça feira, 18 de dezembro de 2018 Edição nº 15103 15/11/2018  










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Violência infantil

As mortes provocadas por conflitos entre adolescentes acionaram, há muito tempo, um sinal de alerta ainda sem resposta adequada das instituições, da família, da escola e das comunidades. Mas a violência juvenil repetida, quase banalizada, produz também outros danos cotidianos, com sequelas físicas e também psicológicas nas vítimas, nos familiares de agredidos e agressores e nas pessoas que com eles convivem. Jovens agridem-se na escola, nas ruas, em clubes, em jogos de futebol. O mais banal dos motivos é capaz de provocar enfrentamentos não só individuais, mas ações em grupo. Passou da hora de o Brasil enfrentar a epidemia de violência entre meninos e meninas a partir da verificação de causas, para que as reações não sejam apenas as punitivas.

É evidente, pelos indícios disponíveis, que a agressividade vem sendo potencializada pela postura de expressivo contingente nas redes sociais. O mundo virtual, com tudo o que contribui para comunicar e aproximar, acaba por agregar também a outros tantos fatores o estímulo à agressão, à disseminação do ódio, à transformação de debates em duelos e à transposição de comportamentos antissociais para a vida real. O anonimato muitas vezes oferecido pela internet ganha rosto, nome e sobrenome no desfecho de casos como os citados acima.

É o resultado da perda de referências, limites e respeito mútuo. Multiplica-se um fenômeno que envergonha o Brasil. Os jovens entre 15 e 29 anos já são as principais vítimas das mortes por armas de fogo no país, numa tragédia em grande parte explicada pela degradação provocada pela guerra das drogas e pela disputa de espaços. Mas, fora desse contexto da criminalidade, há também uma propensão à violência entre adolescentes sem qualquer relação com delinquentes e entre as mais variadas classes sociais.

Para compreender e enfrentar o que se passa, o Brasil poderia copiar experiências como a do Instituto de Direitos Humanos da Catalunha e da organização espanhola United Explanations, que tentam interferir direta e positivamente, via redes sociais, em debates que possam fomentar o ódio, a discriminação e a intolerância. É outro o contexto, de um país também atordoado pelas migrações, mas que serve como exemplo de abordagem, sempre no sentido da pacificação. É óbvio dizer também que família, escola e seus entornos não podem apenas se indignar com o que ocorre. É preciso agir, em mutirões como o que acontece na Espanha, para que os próprios jovens sejam propagadores de paz e tolerância. Mas essa é, essencialmente, uma missão para os adultos.



A agressividade entre adolescentes, que resulta em tragédias, cresce na mesma medida da omissão dos adultos.



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