Quarta feira, 14 de novembro de 2018 Edição nº 15099 09/11/2018  










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Piloto comeu apenas bolacha durante 4 dias

FAB investiga causas do acidente; Piloto está internado no Hospital Regional de Peixoto do Azevedo e segue em recuperação


O piloto recebendo os primeiros socorros, na tarde de quarta-feira, quando foi encontrado na mata após 4 dias
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

As causas do acidente aéreo com o piloto Maicon Semencio Esteves, 27 anos, registrado em Peixoto de Azevedo (690 quilômetros de Cuiabá) ainda serão apuradas, mas há suspeita de que a aeronave sofreu uma pane seca. Com vida, o piloto foi encontrado na tarde da última quarta-feira (7), quatro dias depois da queda. Nesse tempo, bebeu água de um córrego e comeu apenas bolacha que levava consigo.

Maicon Esteves foi encontrado próximo ao canal d’água, bastante debilitado e levado de ambulância para um hospital em Peixoto de Azevedo, onde se recupera. “O piloto vinha com o avião baixo e, no rasante, possivelmente, por pane seca, caiu”, informou o tenente Fonseca, do Corpo de Bombeiros (CB), que comandou a busca. O acidente ocorreu no sábado passado.

Conforme o tenente, na queda se iniciou um incêndio e, na saída às pressas, Maicon Esteves queimou braços mãos e face. “Usando o celular, ele viu a estrada que estava perto, mas a bússola indicava um caminho reto pela floresta. Quando tentou caminhar pela floresta encontrou dificuldade porque é impossível fazer o deslocamento em linha reta, já que é preciso fazer curvas, contornar árvores e cipós. Nessas voltas ele se perdeu, não encontrou a estrada e andou muito mais do que esperava andar”, relatou.

O acidente foi testemunhado por um agricultor que estava mais ou menos 500 metros do local da queda, arando a terra. Ele viu o momento em que avião desceu rapidamente e não subiu. O trabalhador foi até uma fazenda próxima e avisou na sede para chamar o socorro. Já na segunda-feira foram vistos galhos quebrados por pessoas que começaram as buscas e pelos dois PMs. Os PMs encontraram a porta do avião aberta e um canivete a alguns metros da aeronave, o que indicava o deslocamento do piloto.

Contudo, o chamado via Ciosp ao Corpo de Bombeiros só aconteceu às 11 horas da manhã da segunda-feira. Segundo Fonseca, até esse momento os bombeiros ainda não tinham sido acionados. No mesmo dia, já às 14h30, a equipe do CB de Colíder, com os três militares (tenente Fonseca, sargento Veloso e o soldado Evaristo) iniciavam as buscas. “Todo deslocamento é dificultado pela distância de Colíder até o distrito de União do Norte, até o local da queda do avião e do local do avião até dentro da floresta”.

Já na terça-feira de manhã os bombeiros retomaram as buscas, caminharam entre 4 e 5 quilômetros em linha reta na mata fechada, mas no total isso significa uma distância muito maior. “Durante toda terça-feira os bombeiros ficaram dentro da floresta, não saíram, não foram vistos pelos policiais militares nem pelas pessoas das fazendas. Gritaram e soltaram fogos na esperança de que o piloto respondesse”, contou.

No dia seguinte, chegaram os bombeiros de Sorriso com o cão de busca e, na mesma manhã, o CB coordenou um grupo de 30 trabalhadores da fazenda São João. “O gerente da fazenda destacou os homens, munidos de facões para o apoio aos bombeiros. Com esse reforço o CBM coordenou uma linha de busca, o pente fino, assim encontraram o piloto próximo a um córrego. Depois de caminhar por muito tempo, o piloto parou nesse local e ficou bebendo água. Durante os quatro dias ele bebeu água, mas estava muito debilitado pelas queimaduras, pelos arranhões causados por espinhos na mata e por machucados no pé de tanto caminhar”, relatou.

Para proteger o rosto dos espinhos, o piloto ficou com capacete de voo, o que dificultou a percepção dos fogos e dos chamados que foram feitos durante toda a terça-feira, o dia que os bombeiros mais fizeram buscas e que ficaram mais tempo na mata. Quando encontraram o piloto, ele estava cansado sem condições de caminhar devido aos ferimentos. Ele tinha feridas abertas e picadas de insetos na pele. “Ele comeu somente as bolachas que tinha consigo, durante todo esse tempo. A 200 metros do local em que ele foi encontrado havia uma clareira para onde ele foi transportado em uma maca improvisada”, disse.

Nesse local foi onde o veículo chegou, uma caminhonete particular, que o transportou até o distrito de União do Norte. Lá uma unidade de resgate do município de Peixoto de Azevedo fez os atendimentos, fez os primeiros socorros nos ferimentos e aplicou soro. Os bombeiros durante a busca se feriram em urtigas e espinhos, ficaram com carrapatos presos à pele e viram um grupo de queixadas (porcos do mato) agressivo. “Eles iam dormir à meia-noite e estavam na mata assim que o sol nascia”, lembrou.

Conforme informações da Força Aérea Brasileira (FAB), investigadores do Sexto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa VI), órgão regional do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), vão apurar as causas do acidente.”



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