Segunda feira, 21 de janeiro de 2019 Edição nº 15084 18/10/2018  










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Renovação no Congresso

Contra a maioria das previsões, o novo modelo de financiamento de campanhas eleitorais, concebido e aprovado com a intenção de favorecer a manutenção de caciques políticos no poder, não conseguiu impedir uma renovação de proporções inéditas nas últimas décadas no Congresso. O fenômeno se tornou possível porque, mesmo com os esforços de muitos políticos de preservarem o mandato, o eleitor foi às urnas disposto a manter no cargo apenas aqueles nos quais realmente confia, mandando outros para casa. Na prática, a vontade da maioria acabou se impondo sobre um padrão estruturado de fazer política que, até então, parecia inabalável.

O resultado desse fenômeno eleitoral inédito nos últimos anos foi a renovação de cerca de metade da composição da Câmara e de nada menos de 85% no Senado a partir do próximo ano. A onda antissistema que se alastrou pelo país contribuiu particularmente para a eleição de policiais, militares, religiosos e líderes de manifestações anti-PT. Em consequência, uma agremiação até então inexpressiva como o Partido Social Liberal (PSL) do presidenciável Jair Bolsonaro conseguiu eleger a segunda maior bancada da Câmara.

O total de integrantes é próximo ao do PT do candidato Fernando Haddad. Há inclusive a perspectiva de que o PSL passe a contar com um número ainda maior de integrantes na Câmara. Como muitos partidos não conseguiram eleger parlamentares em número suficiente para garantir direito ao fundo público e à propaganda na TV e no rádio, a perspectiva é de que ocorra um movimentação de legendas mais à frente.

Mesmo com o radical redesenho do Congresso, o presidenciável que for eleito no dia 28 precisará de muita habilidade para negociar com outros partidos para aprovar mudanças de seu interesse. E dependerá principalmente do Centrão no caso de mudanças constitucionais, como as que preveem idade mínima para aposentadoria e alterações na Previdência dos servidores públicos, por exemplo.

O importante é que a expressiva mudança na composição do Legislativo não se restrinja apenas à troca de nomes, mas signifique uma nova forma de defender os interesses dos eleitores. A renovação do Congresso precisa servir, acima de tudo, para arejar as relações entre o Executivo e os parlamentares.



O importante é que a expressiva mudança na composição do Legislativo não se restrinja apenas à troca de nomes, mas signifique uma nova forma de defender os interesses dos eleitores



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