Quarta feira, 20 de março de 2019 Edição nº 15083 17/10/2018  










MARINALDO CUSTÓDIOAnterior | Índice | Próxima

Mulheres de ciência

Na edição de ‘Veja’ da semana passada, a sempre excelente repórter Jennifer Ann Thomas, que escreve preferencialmente sobre ciência e tecnologia e que há pouco estreou blog na revista sobre a temática ambiental, nos trouxe uma pequena entrevista, “A ciência feminina”, em que mantém um bate-papo com a cientista canadense Donna Strickland. Vem a propósito de uma conquista de peso: Donna é apenas a terceira mulher na história a ganhar o Prêmio Nobel de Física, infiltrando-se num grupo essencialmente masculino e passando a fazer companhia a cientistas do porte de um Albert Einstein.

Donna repartiu o Nobel de Física com o francês Gérard Mourou e o americano Arthur Ashkin por transformarem lasers em ferramentas para uso em laboratórios e em cirurgias.

Com Donna Strickland e Jennifer Ann Thomas, falamos de alta ciência e, no limite, de alta cultura, de mulheres que se agigantam num mundo, ainda, muito machista.

Noutro campo que não o da alta cultura da universidade, da ciência e dos laboratórios, mas com um pé na ciência na acepção popular da palavra (de quem faz as coisas com conhecimento de causa), em Mato Grosso, recentemente, mulheres também brilharam, aumentando a sua participação na vida pública – com a ressalva de que esse pouco, assim como no caso de Donna Strickland, significa muito, muitíssimo.

Num terreno tão majoritariamente masculino quanto o da Física no Prêmio Nobel, batalhando na arena da representação política, algumas mulheres fizeram bem feito o seu métier, inscrevendo com louvor os seus nomes na história do estado.

Na legislatura que se inicia em 1º de fevereiro de 2019, Mato Grosso terá mulheres entre seus representantes nas três tribunas: Assembleia Legislativa, Câmara Federal e Senado: na AL, a reeleita Janaina Riva, desta vez, a 1ª colocada entre os 24, cravando vantagem de mais de 14 mil votos sobre o 2º; na Câmara, a Professora Rosa Neide; e Selma Arruda, 1ª colocada ao Senado com mais de 170 mil votos à frente do favorito Jayme Campos.

E nas eleições 2018 ainda há que se registrar as performances louváveis da Professora Maria Lúcia, que disputou o Senado, e Gisela Simona, líder de votos em Cuiabá para a Câmara Federal e que por muito pouco não se elege – ambas, sem dúvida, nomes fortes para os próximos pleitos na cidade e no estado.

Para arrematar, tomando emprestadas palavras de Donna, provocada por Jennifer, espero que, em outros textos, no futuro, falemos apenas das conquistas delas sem ter de lembrar, a toda hora, que tais feitos são ainda mais notáveis porque foram alcançados por mulheres.



MARINALDO CUSTÓDIO, escritor, é mestre em Literatura Brasileira pela UFF

mcmarinaldo@hotmail.com



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