Quarta feira, 12 de dezembro de 2018 Edição nº 15081 12/10/2018  










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Adam Roberts brinca com a ficção

Autor revisa história da ficção científica e adianta seu nascimento em dois séculos

IVAN FINOTTI
As Folhapress - São Paulo

O crítico e autor britânico Adam Roberts lança no Brasil pela Seoman "A Verdadeira História da Ficção Científica - Do Preconceito à Conquista das Massas", uma obra de 700 páginas na qual defende que o gênero nasceu muito antes de Júlio Verne, H. G. Wells ou Mary Shelley.

Segundo ele, a FC (ficção científica) é fruto da Reforma Protestante, que abre o pensamento humano para as ciências e relativiza os mandamentos bíblicos do catolicismo.

A primeira obra do gênero, diz Roberts, é "Somnium" do astrônomo Johannes Kepler, escrito por volta de 1600, mas lançado postumamente em 1634. No livro publicado no século 17, um sonhador vai à Lua carregado por um demônio e conhece seres das duas faces do satélite.

O livro de Roberts detalha ainda obras de FC escritas por Cyrano de Bergerac e Voltaire.

Ele diz que seus pares da crítica não abraçaram sua ideia de forma entusiasmada, preferindo manter a ideia clássica de que o gênero nasceu no século 19.

"A Verdadeira História da Ficção Científica", entretanto, vai muito além de apenas estabelecer uma nova origem para o gênero. Isso é feito em 140 páginas da obra.

Nas restantes, Roberts conta como as histórias sobre tecnologia ganharam popularidade nos séculos 18 e 19, chegaram às telas no 20 e traça um panorama do que está acontecendo com elas agora, no 21.

Leia a seguir trechos da entrevista com o autor.



Pergunta - Como o sr. teve essa ideia tão original?

Roberts - "Tão original" é uma forma polida de dizer "excêntrica", não? Mas é verdade. Em geral, os historiadores localizam o início da ficção científica em 1818, com "Frankenstein", ou com Júlio Verne e H. G. Wells no final do século 19. Ou ainda na explosão da literatura pulp americana a partir de 1926. Outros falam das novelas gregas antigas.

O problema de todas essas argumentações é que existe material demais que podemos chamar de ficção científica nos séculos 18 e 17: viagens pelo espaço, robôs, invenções tecnológicas, especulações futurísticas etc.

Busquei identificar o momento em que o que hoje chamamos de FC se separou da literatura fantástica. E acredito que isso tenha acontecido na Reforma.



P - O sr. cita a morte de Giordano Bruno na fogueira, em 1600, como fundamental.

Roberts - Acho que foi sintomático. Giordano Bruno desafiou a ortodoxia católica com uma visão de universo infinito, e foi queimado na fogueira.

As disputas culturais nessa época eram um fenômeno maior do que apenas um homem, mas ele resume o cabo de guerra: um lado tentando preservar o velho conceito mágico-religioso do universo e o outro querendo abrir o cosmos para a ciência no sentido moderno. E tentando substituir o sublime mágico do catolicismo medieval pelo sublime material do Renascimento e da investigação científica.



P - Como o sr. chegou à conclusão de que o gênero era anterior ao século 19?

Roberts - Eu costumava achar que a FC tinha começado com o "Frankenstein" de Mary Shelley. Inclusive, o primeiro livro crítico sobre ficção científica que escrevi argumentava nesse sentido. Mas, quando minha editora me chamou para escrever essa obra mais extensa, tive que olhar mais detidamente o assunto. E pensar o que fazer com tantos exemplos de FC que existiam antes de Mary Shelley. Foi isso que me fez reconsiderar opiniões.



P - E o que mudou na FC com a chegada de Júlio Verne e H. G. Wells?

Roberts - Por anos, a FC havia sido um gênero interessante, mas de pequena escala. Com eles, o gênero ganhou uma popularidade inédita. Além disso, entre as décadas 1870 e 1930, novas tecnologias de produção de livros e de distribuição contribuem para disseminá-los.



P - Seu livro teve uma primeira edição em 2006 e, há dois anos, uma grande ampliação, que está sendo lançada no Brasil agora. Como essa revisão do nascimento da FC está sendo vista pelos seus colegas?

Roberts - Eu diria que que a maioria dos acadêmicos e estudiosos de literatura do gênero continua... não convencida.



A Verdadeira História da Ficção Científica

Autor: Adam Roberts. Tradução: Mário Molina. Ed. Seoman. R$ 75 (704 págs.)



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