Quarta feira, 12 de dezembro de 2018 Edição nº 15080 11/10/2018  










EDIVALDO DE SÁAnterior | Índice | Próxima

O novo e o velho Brasil

Terminado o primeiro turno das eleições de 2018, já é possível fazer algumas reflexões do som emitido pelas urnas com o resultado eleitoral, que bem poderia ser captado pela classe política brasileira.

Mas vou me ater apenas a duas reflexões que creio serem mais importantes, sendo a primeira delas relacionada a renovação de parte da classe política tanto em nível de estadual como federal, notadamente dos novos componentes do parlamento estadual e federal, estes últimos representarão Mato Grosso na capital federal. O que se viu foi uma “cacetada” do eleitor naqueles velhos políticos de carreira, abrindo-se as portas para “novos” nomes do cenário político estadual.

Envolvidos em escândalos receberam um alto e sonoro não, obtendo votações pífias se comparadas com as eleições de 2014, quando se sagraram vencedores, e outros “velhos” nomes que se arriscaram a pleitear cargos levaram um “chega pra lá” dos Mato-grossenses.

Assim, muitas surpresas nos saltaram aos olhos, inclusive para deputado federal, que o digam Nelson Barbudo e José Medeiros. Enfim, que se cuidem os novos representantes do povo, porque ao que me parece, parte do povo está atenta e se não houver um cumprimento da expectativa gerada no eleitor, a reeleição estará comprometida.

A segunda observação que faço, é a que vivi bem de perto, ou seja, testemunha ocular, de que o “Brasil que eu quero” nada mudou, e ficou tão somente no discurso de alguns poucos bem intencionados. A maioria literalmente vendeu seu voto, uns por alguns litros de combustível para andar com o adesivo do candidato, outros, pasmem, até por uma dentadura, sem contar os que pediram e até ganharam sacos de cimento, madeira, telha, tijolos, e os mais variados e velhos pedidos.

No interior, fora dos olhos da justiça eleitoral, os candidatos a deputados federal e estadual fizeram uma verdadeira farra, comprando inclusive vereadores e lideranças políticas.

Em resumo, o fim da velha pratica política ficou apenas no discurso e continua sendo utilizada para atender os interesses mais diversos, a prova cabal, são as apreensões feitas pela polícia no Estado de Mato Grosso, de dinheiro para compra de votos. E mal sabem os eleitores, que o reflexo desse toma lá da cá, é a corrupção dos que se elegem utilizando desses recursos, para recuperar os recursos gastos e ainda se preparar para a próxima disputa.

Enfim, o novo Brasil que saiu das urnas, ainda continua velho na mentalidade e comportamento dos eleitores de todas as idades, que vendem sua dignidade e a chance de dar início a uma nova história.

Está claro, que o sistema político em vigor, só favorece quem tem recursos públicos e quem está no poder, salvo as raras exceções que conseguiram romper as barreiras e se eleger em meio ao peso de quem já se encontra na sombra dos poderes.



* EDIVALDO DE SÁ TEIXEIRA é advogado em Nortelândia



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