Quinta feira, 18 de outubro de 2018 Edição nº 15080 11/10/2018  










RENATO DE PAIVA PEREIRAAnterior | Índice | Próxima

Busca de eficiência

Escolher governantes competentes é muito mais difícil do que parece, principalmente porque as informações que deveriam orientar esta seleção são insuficientes, malandramente filtradas pelos candidatos ou manipuladas sem nenhum embaraço.

Estamos há tantos anos submetidos a políticos corruptos que criamos uma falsa ideia de que basta ao administrador ser honesto para ser eficiente. Claro que é indispensável a integridade, mas tal atributo, por si só, não garante o bom desempenho do eleito.

Diante da raridade de homens probos e dos recorrentes casos de desvios no setor público criamos um caríssimo aparato para coibir ou amenizar os prejuízos. Entretanto esse esforço fiscalizatório consome grande quantia de dinheiro, que ao invés de beneficiar o cidadão que paga imposto, é consumido nas ações intermediárias de controle. Os Tribunais de Contas são exemplos de entidades onerosas, cujas demandas orçamentárias talvez sejam maiores que o valor dos desvios que evitam.

Esses órgãos determinam que tais ou quais percentuais da arrecadação pública sejam gastos na educação e na saúde, por exemplo, mas não levam em conta a qualidade destes gastos. Assim basta comprovar, através de notas fiscais, às vezes inidôneas, que as verbas destinadas a cada setor estejam em conformidade com os percentuais predeterminados para ter as contas aprovadas.

Mas estes controles, ainda que necessários diante do quadro recorrentes desvios de dinheiro público, não são suficientes para sabermos se uma administração é boa. Também não basta levar em conta apenas o lado mais visível da gestão como rodovias conservadas ou escolas bem cuidadas. São coisas necessárias, mas incapazes de garantir que este ou aquele governador fez um bom trabalho administrativo. Uma avaliação melhor deveria levar em conta a saúde das contas públicas recebidas do antecessor, a arrecadação no período, as reais melhorias conseguidas e o caixa ou dívidas entregues ao administrador seguinte.

Não servem de nada os dados exibidos pelo administrador dizendo que empregou mais que o exigido percentualmente pela lei na saúde e na educação, por exemplo. O que conta não é o tanto aplicado, mas a eficiência dessa aplicação.

Muitos administradores se gloriam de ter aumentado os salários dos servidores públicos como se fosse um grande feito de sua administração. Os professores de Mato Grosso estão entre os mais bem remunerados do país e ainda tiveram aumento real de salários no atual governo que ainda põe como meta torná-los os campeões de ganhos da nação.

É o clássico gasto ineficiente, pois o simples aumento salarial não melhora qualidade do ensino e ainda usa o dinheiro que é de todos para privilegiar determinada categoria. Esta preferência talvez seja decorrente da força que esse grupo numeroso tem nas urnas ou porque ele (o grupo) aprendeu, nos governos do PT, a exigir e conseguir através de greves e manifestações ruidosas uma parte maior da arrecadação, em desfavor dos demais servidores ou contribuintes.

E assim vamos valorizando e reelegendo os administradores que pagam salários em dia, aumentam os ganhos de grupos escolhidos e aplaudindo os que têm as contas aprovadas nos caros órgãos de controle. Aprovação que é somente uma análise contábil baseada nos documentos apresentados.



* RENATO DE PAIVA PEREIRA – empresário e escritor

renato@hotelgranodara.com.br



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