Sexta feira, 19 de julho de 2019 Edição nº 15059 12/09/2018  










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Lições do Vizinho

O pacote com duras medidas econômicas anunciado pelo governo argentino durante a semana passada, que incluiu corte no orçamento e fusão de diversos ministérios, é uma amostra de que, quando reformas profundas são adiadas, os sacrifícios necessários são ainda maiores.

Está mais do que evidente que a estratégia adotada pelo presidente Mauricio Macri, de apostar no gradualismo para resolver os problemas da economia, não funcionou. A crise de confiança instalada com a demora na implementação de mudanças derrubou a cotação do peso argentino, obrigando o Banco Central a elevar a taxa de juro para 60% ao ano, a mais alta do mundo.

No Brasil, a instabilidade no país vizinho acende um alerta para os impactos na balança comercial, mas deixa, sobretudo, importantes lições sobre os riscos de fazer reformas estruturais pela metade.

Os candidatos à Presidência da República precisam, mais do que assumir o compromisso de acabar com o déficit público, mostrar aos eleitores brasileiros, por meio de um discurso transparente e factível, como pretendem mitigar essa chaga fiscal.

Acima de tudo, não se pode subestimar as dificuldades de fazer um ajuste rigoroso e eficaz, outro erro do governo argentino. A correção das tarifas públicas foi um bom prelúdio da administração Macri, mas a demora em colocar em prática as reformas estruturais necessárias para equilibrar as contas e alavancar o crescimento é indício claro de que não há espaço para postergações de promessas feitas em campanha.

Sem dúvida, a crise que chacoalha a Argentina cruza a fronteira e traz impactos. Mas o principal perigo é reproduzirmos aqui o ritmo lento implementado pela Casa Rosada na condução de reformas.

O Brasil vive hoje um cenário de inflação baixa, com as menores taxas de juros da história e reservas cambiais consistentes, condições essas que habilitam o país a enfrentar com mais segurança e rapidez às adversidades no caminho.



Sem dúvida, a crise que chacoalha a Argentina cruza a fronteira e traz

impactos. Mas o principal perigo é reproduzirmos aqui o ritmo lento

implementado pela Casa Rosada na condução de reformas



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· Argentina, Chile, Peru, vem adotando me  - acir carlos ochove




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