Sexta feira, 15 de fevereiro de 2019 Edição nº 15059 12/09/2018  










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Ex-governador Beto Richa é preso pelo Gaeco no Paraná

GÉSSICA BRANDINO e ESTELITA HASS CARAZZAI
Da Folhapress – São Paulo e Curitiba

O ex-governador do Paraná Beto Richa, atual candidato ao Senado pelo PSDB, foi preso pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do estado na manhã de ontem. Richa é suspeito de fraude em licitação em obras de estradas rurais no estado.

Também foram presos a mulher dele, Fernanda Richa, e o ex-chefe de gabinete, Deonilson Roldo. Ao todo, 15 pessoas são alvo de mandados de prisão temporária.

O tucano é suspeito de ter participado de fraudes no programa Patrulhas do Campo, de recuperação e abertura de estradas rurais no interior do estado.

"É aquele padrão: licitação dirigida, pagamento de propina e eventual lavagem de dinheiro", afirmou à Folha o procurador de Justiça Leonir Batisti, coordenador do Gaeco, braço do Ministério Público do Paraná.

O Patrulhas do Campo cedia máquinas como escavadeiras, tratores e motoniveladoras a municípios do interior, para a abertura e manutenção de estradas rurais. Pelo menos 2.000 km de estradas foram recuperados ou abertos por meio do programa desde a primeira gestão de Richa, que governou o Paraná entre 2011 e 2018.

OPERAÇÃO PILOTO

A gestão de Richa também é alvo nesta terça de uma nova fase da Operação Lava Jato, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, batizada de Operação Piloto -em referência ao suposto apelido do ex-governador na planilha de propinas da empreiteira Odebrecht.

A investigação mira pagamentos indevidos de pelo menos R$ 3,5 milhões, em espécie, relativos às obras da rodovia estadual PR-323, no noroeste do Paraná, entre Francisco Alves e Maringá. Segundo a Procuradoria, o valor foi pago em 2014 pela Odebrecht em troca do direcionamento da licitação.

São cumpridos dois mandados de prisão preventiva, um de prisão temporária, além de diversos mandados de busca e apreensão em Salvador, São Paulo, Curitiba e nas cidades paranaenses de Lupianópolis e Colombo.

Um dos líderes do esquema de arrecadação seria Deonilson Roldo -que também estaria coordenando de forma oculta a atual campanha do tucano ao Senado, segundo o Ministério Público Federal.

Roldo é apontado como "o principal operador do esquema de arrecadação de recursos ilícitos de empresas fornecedoras do governo do estado", escreveu o juiz Sergio Moro, em despacho.



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