Quarta feira, 21 de novembro de 2018 Edição nº 15058 11/09/2018  










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E a crise vira rotina no Santos

ALEX SABINO
Da Folhapress – São Paulo

O mandatário do conselho deliberativo do Santos, Marcelo Teixeira, pediu a palavra para se dirigir a José Carlos Peres e o anunciou como o "ainda" presidente do comitê de gestão. A gafe não chamou a atenção porque se existe uma esperança para Peres continuar no cargo, esta é Teixeira.

Caso isso aconteça, será convocada assembleia de sócios. Se estes decidirem, por maioria simples, que Peres merece o impeachment, terá de deixar o cargo.

O cartola tenta barrar o processo na Justiça. Ele já obteve uma liminar, derrubada semanas depois. Alega que não teve tempo para apresentar a defesa. Seu advogado cometeu um erro e entrou com ação contra a comissão de inquérito e sindicância do clube. O correto seria o presidente do conselho deliberativo.

Peres é acusado de ser sócio de empresas de agenciamento de jogadores ao mesmo tempo em que era presidente do clube, algo proibido pelo estatuto social.

Ele afirma que a empresa jamais atuou no mercado, não emitiu notas e existia apenas no papel. As companhias foram encerradas neste ano.

A oposição busca explicações também sobre a negociação para a contratação do zagueiro equatoriano Jackson Porozo, 17. O Santos prometeu repassar 30% do lucro de uma venda futura para a Hi Talent, empresa que não fez qualquer investimento na negociação e que já teve como um dos cotistas Ricardo Crivelli, ex-sócio de Peres e contratado por ele para ser coordenador das categorias de base.

Apelidado de Lica, ele está afastado do cargo, acusado de abuso sexual. Crivelli nega ter cometido o crime e o caso é investigado pela polícia.

Crises políticas não são exceções no Santos. São regras.

A possível saída de Peres não seria novidade na história recente do clube. Miguel Kodja Neto foi afastado pelo conselho deliberativo em 1994 por causa do que ficou conhecido como escândalo do telebingo. O cartola promoveu evento transmitido pela TV em que prêmios seriam entregues a torcedores que comprassem as cartelas e fossem sorteados. Os carros e motos prometidos jamais chegaram aos ganhadores.

Kodja Neto foi processado pelo clube e parte de seus bens foram penhorados.

A partir de 2010, quando a comissão fiscal do conselho passou a ter os membros eleitos e não indicados pelo presidente, todos os presidentes tiveram contas rejeitadas: Marcelo Teixeira, Luis Alvaro de Oliveria Ribeiro, Odilio Rodrigues e Modesto Roma Filho tiveram o mesmo destino.

O déficit e a contratação de funcionários contra a recomendação da comissão fiscal, podem fazer com que o mesmo aconteça com Peres, caso não receba o impeachment.

Como um espelho do país, a política interna do Santos jamais esteve tão polarizada.

Isso fez com que aparecessem dezenas de grupos políticos no clube, o que intensificou as negociações antes de eleições, traições após o pleito, pressão no conselho e troca de apoio por cargos.

Desde a eleição no final de 2017, o segundo andar da Vila Belmiro, onde está a sala da presidência, é um campo minado. Menos de três meses após a posse, o vice-presidente Orlando Rollo estava rachado com o presidente, que se fechou em um círculo cada vez mais restrito de aliados. Hoje, ele tem ao seu lado alguns assessores e Pedro Dória, integrante do Comitê de Gestão.

A tensão na relação entre presidente e vice também prova que a vida no Santos gira em círculos. Com o apoio de Pelé, Samir Abdul-Hak foi peça fundamental para derrubar Miguel Kodja Neto em 1994. O vice assumiu e governou o clube até o final de 1999. Quando ficou doente, Luis Alvaro se afastou e entregou o cargo a Odilio Rodrigues Filho, em 2012. Não demorou a reclamar que o número dois da administração tomou decisões que iam contra o que acreditava.

Como sempre acontece, o futebol é o determinante no humor dos santistas, sejam associados, conselheiros ou torcedores comuns. O Santos não ganhou títulos em 2018 e foi eliminado da Copa Libertadores por causa de um erro administrativo cometido na Vila Belmiro, o que fez com que Carlos Sánchez, suspenso, fosse escalado contra o Independiente (ARG). Em nove meses, o clube teve três gerentes de futebol. Gustavo Oliveira ficou menos de 60 dias, saiu por divergências com Peres e hoje cobra R$ 700 mil de salários, direitos de imagem e trabalhistas não pagos.



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