Terça feira, 18 de setembro de 2018 Edição nº 15057 07/09/2018  










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Um governador em sintonia com o povo

Wellington Fagundes (PR) quer participação feminina no Paiaguás, não tem plano mirabolante e de modo simples espera botar Mato Grosso nos trilhos

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EDUARDO GOMES
Da Reportagem

Rondonópolis ensaiava os primeiros passos de recém-emancipada, quando a família de Wellington Fagundes a escolheu para viver e seus pais, João Antônio Fagundes – o João Baiano – e sua mãe, dona Minervina, ainda tinham nos pés os calos da longa caminhada a pé da Boa Terra da Bahia até Mato Grosso. Wellington ali nasceu e cresceu junto com a cidade. Técnico agrícola na antiga Escola de São Vicente. Veterinário pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Jovem comerciante de produtos agropecuários. Líder empresarial presidindo a Associação Comercial e Industrial (ACIR) de sua terra. Casado com a dentista Mariene Fagundes que lhe deu os filhos João Antônio e Diógenes. Conservador, desde o casamento mora na mesma casa num antigo conjunto habitacional. Sua vida poderia ser pautada pelo cotidiano rondonopolitano, mas ele tem uma veia política, que um dia o levou ao secretariado da prefeitura que era administrada por seu primo Jota Barreto; ali, abraçou a política. Em seis eleições consecutivas conquistou mandato de deputado federal e em 2014 foi eleito senador. Agora, encabeçando a única chapa ao governo que tem uma mulher em sua composição – Sirlei Theis - quer chegar ao Palácio Paiaguás. Um governo que não quer reinventar a roda, mas ser exercido ao lado do povo, ouvindo as vozes das ruas e em harmonia com os poderes, para botar Mato Grosso nos trilhos. É isso o que Wellington diz nesta entrevista, onde antecipa que tem um programa de ocupação e desenvolvimento para a faixa de fronteira com a Bolívia.



DIÁRIO – Num governo de coalização, como se monta secretariado?

WELLINGTON – Primeiro teremos que ouvir toda a sociedade e valorizar o servidor público. Há secretarias específicas de carreiras. Por exemplo, a Secretaria de Saúde. A Saúde Pública tem que ter alguém que entenda de Saúde Pública. No meu entendimento não deve ser alguém que entenda da saúde empresarial. Acho que a Saúde Pública tem que ser administrada com a participação de todos.



DIÁRIO – Educação seria da mesma forma?

WELLINGTON – Sim. Na Educação é importante que tenha alguém com conhecimento específico nessa área.



DIÁRIO – Sua vice é mulher. Isso é sinal de participação feminina em seu eventual governo?

WELLINGTON – Essa é uma área da qual não abri mão. Na composição da aliança (a coligação A Força da União, formada pelo PR, PV, PP, PTB, PCdoB, PRB, PT, PROS, PMN e Podemos) eu disse que a mulher teria que se fazer presente. E tive a felicidade de poder escolher a advogada Sirlei Theis (PV), uma mulher preparada, servidora pública de carreira, com uma história de vida imensa. Servidora da Secretaria de Segurança Pública ela tem a experiência de ser gestora naquela secretaria. Ela é uma das grandes referências nessa área, no Brasil. Essa secretaria tem um impacto social muito grande. Sirlei será uma grande participante do governo. A mulher é imprescindível, com toda sua ternura, com toda sua meiguice, com sua capacidade maior de ver os problemas sociais. Foi uma dádiva divina ter encontrado a Sirlei dentro da indicação dos partidos. Em respeito a mulher, nossa chapa também tem uma candidata ao Senado, a ex-reitora da UFMT, Maria Lúcia Cavalli (PCdoB), que é uma educadora digna dos maiores elogios.



DIÁRIO – Eleito governador, como fica sua cadeira no Senado?

WELLINGTON – Sou um candidato ao governo que sendo eleito terei o meu senador, que é o senador Jorge Yanai, de Sinop, que antes foi deputado estadual, foi suplente do senador Jonas Pinheiro, que foi uma referência nacional na agricultura. Aproveito aqui para reverenciar a memória do Jonas, que foi meu amigo, meu companheiro, meu colega médico-veterinário. O Jorge Yanai foi senador da República e agora é meu suplente. Portanto ele é um médico humanitário que já vivenciou a política e tem uma representação regional muito grande. Jorge Yanai enquanto médico e figura humana será meu grande parceiro e orientador na área da Saúde Pública, que está um caos.



DIÁRIO – Como seria o ensino superior em seu governo?

WELLINGTON – Nós temos projetos para a criação de uma universidade federal em Barra do Garças, com curso de medicina e outros, para atender a vasta região do Araguaia; e para a emancipação da UFMT em Sinop, para transformá-la na grande universidade do Nortão, a exemplo do que fizemos recentemente em Rondonópolis com a mesma UFMT. Paralelamente a isso investiremos e fortaleceremos a Unemat.



DIÁRIO – Quais são os números da arrecadação e da dívida do governo?

WELLINGTON – Os números são questionáveis, porque o próprio candidato Mauro Mendes (DEM), que indicou o secretário de Fazenda apresentou um número e o governo o questionou. Quem tem o secretário de Fazenda apresenta um número e o próprio governo rebate. Pergunto: quem tem os números corretos? Eu não posso afirmar se os números apresentados pelo governo são corretos. O Tribunal de Contas do Estado já questionou esses números. O que sei é que hoje existe um déficit muito grande, que pode chegar à casa de R$ 4 bilhões.



DIÁRIO – Por que existe esse déficit?

WELLINGTON – Porque não teve controle nos gastos. Porque o governo não teve aproximação com a sociedade e da bancada federal. Você se lembra e todos sabem o quanto lutei para liberar o FEX, que é o fundo de compensação das exportações. Se não fossem esses recursos (do FEX) o déficit de Mato Grosso seria ainda maior. Enquanto governador vou procurar fazer um trabalho buscando todos os poderes, inclusive articulando com a Assembleia Legislativa para que ela não vote antes das eleições de outubro o orçamento do próximo ano, para que possamos discutir logo após as eleições o orçamento ideal para 2019.



DIÁRIO – Retomando aos números conflitantes de Mauro Mendes e do governo, como se explica a participação de Mauro Mendes no governo?

WELLINGTON – É simples. Em boa parte do secretariado do Pedro (Taques) hoje o Mauro Mendes está presente ainda. Eles tiveram um rompimento pouco tempo antes das convenções e hoje o Mauro Mendes reclama da ineficiência do governo Pedro Taques, mas eles estão próximos um do outro e até recentemente foram aliados.



DIÁRIO – Existem áreas problemáticas no governo?

WELLINGTON – Existem. Por exemplo: a Saúde Pública, porque houve concentração muito grande, não houve parceria ideal com os municípios e as microrregiões. Nosso governo vai descentralizar a Saúde Pública e acima de tudo fazer parcerias.



DIÁRIO – Com Wellington o trem viria para Cuiabá?

WELLINGTON – Quero aqui resgatar a história do senador Vicente Vuolo. Tive a oportunidade de trabalhar com aquele homem visionário que lutou muito por algo que parecia um sonho, mas ele conseguiu levar o trem da Rumo ALL pela Ferrovia Senador Vicente Vuolo até Rondonópolis. A ferrovia tem que vir para Cuiabá e integrar com o Nortão. Nós temos a Ferrovia FICO, que ligará Campinorte a Água Boa e depois se integrará a Rumo ALL para ligar o Nortão ao porto em Miritituba. Ferrovia não dá para falar no curto prazo. Não dá para sonhar que em quatro anos realizaremos tudo. Ferrovia precisa principalmente da parceria público-privada (PPP), pois governo sozinho não dá conta e ferrovia é papel do governo federal. Eu conheço os caminhos. É uma área onde sempre tive intenso trabalho, com resultados concretos para Mato Grosso, tanto sobre a ferrovia quanto as rodovias federais.



DIÁRIO – Qual seu entendimento sobre infraestrutura?

WELLINGTON – Para falar em infraestrutura precisamos falar em desenvolvimento. Precisamos de estradas e de hidrovias, e precisamos fazer com que as ferrovias sejam realidade. Quanto a isso posso dizer que conheço, que busco recursos, inclusive internacionais se preciso for, para fazermos parcerias.



DIÁRIO – É possível criar infraestrutura sem garantias jurídicas?

WELLINGTON – Não. Precisamos de segurança jurídica, porque os contratos de longo prazo não podem ser política de governo; têm que ser política de Estado. Após as eleições nós teremos que criar um mecanismo com esse sentido na Constituição – tenho uma PEC com esse enfoque – para que o contrato não seja alterado de acordo com a mudança de governo.



DIÁRIO – A insegurança jurídica ainda é maior na faixa de fronteira...

WELLINGTON – É verdade. Infraestrutura é para promover desenvolvimento. Tenho um projeto específico para o desenvolvimento da região de nossa faixa de fronteira. Inclusive na condição de relator da Defesa e Segurança tenho discutido muito com o comandante do Exército, o general Villas Boas, e com o Alto Comando do Exército, com a Polícia Federal, com a Polícia Militar, com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fazermos um trabalho integrado. A PRF pode fazer um papel muito além da segurança nas rodovias 163, 174, 364 e 070. Ela pode ter um papel mais eficiente ainda naquilo que atormenta Mato Grosso, que é o narcotráfico.



DIÁRIO – Como assim?

WELLINGTON - Ora, fazendo investigação integrada entre órgãos policiais e com o Exército ocupando a faixa de fronteira, onde nessa parceria a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres pode juntamente com a Hidrovia Paraná-Paraguai promover um processo de desenvolvimento econômico. Dentro disso queremos a participação das universidades e das escolas técnicas estaduais e federais, para desenvolvermos juntamente com a (Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste) Sudeco um programa de ocupação da nossa faixa de fronteira. Se me perguntarem como se faria isso, diria que, primeiro oportunizando aos jovens mais vagas no Serviço Militar, mais aprendizado profissionalizante e com isso atraindo empresas com incentivos.



DIÁRIO – Incentivo virou palavra quase satanizada...

WELLIGTON – Incentivo tem que ser dado de forma controlada, com política de desenvolvimento duradouro. Temos o exemplo do algodão. O nosso candidato ao Senado, Adilton Sachetti (PRB) propôs ao governador Dante de Oliveira a criação do programa Proalmat, que foi muito importante, pois Mato Grosso não produzia nada e passou a produzir mais da metade do algodão brasileiro. Depois se criou um programa para a industrialização, mas esse foi abandonado, porque o governo não deu sequência. Não se pode dar incentivo que não seja para a promoção do desenvolvimento, com efetiva criação de empregos e observando-se outros requisitos de interesse social. O Estado tem que promover o desenvolvimento da cadeia produtiva com incentivos. Por isso digo que quero a participação das nossas universidades no programa na faixa de fronteira, porque elas podem ser nossas grandes parceiras indo além da área da formação, ocupando espaço na pesquisa e na extensão da nossa economia. Se fizermos a junção da Sudeco - que é um grande instrumento e que já foi importante em Mato Grosso – com as universidades, e buscarmos recursos inclusive do BNDES, do qual o “S” do Social pouco vem para nosso Estado alcançaremos nosso objetivo. Podemos fazer disso um grande atrativo de desenvolvimento para Mato Grosso, principalmente a partir da faixa de fronteira, desenvolvendo, abrindo postos de trabalho e principalmente gerando o primeiro emprego para nossa juventude, porque na formação militar existe escassez de vagas, mas nós podemos aumenta-la numa nova formatação, inclusive nas cidades junto com o Exército. Isso já está planejado e aceito pelo general Villas Boas.



DIÁRIO – Wellington é o candidato que não olha pelo retrovisor?

WELLINGTON – (Sorrindo) Olhar para trás é importante para você aprender com os erros. Toda noite ao dormir faço minha oração e reflexão. Tento aprender com aquilo que errei, para não errar mais. Agora, um governador é diferente do legislador. O legislador legisla, fiscaliza, faz pronunciamentos. O governante, não. Ele toma decisão e não pode toma-la isoladamente, não pode ser o dono da verdade. Quem ganha tem que ser mais humilde do que quem perde. O ganhador tem que ter a capacidade da agregação. Se você (governante) ficar olhando pelo retrovisor somente para apontar erros, não é correto. Ele tem que olhar para frente, para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Por isso insisto que quero ser um governador do modo que sempre fui, do modo que sou: próximo das pessoas, indo às comunidades, próximo do movimento comunitário. Quero um governo humano, um governo que vá lá e veja a necessidade daquela comunidade, porque o cidadão mais simples pode apontar solução para um problema que às vezes parece insanável, porque ele o vive e sabe sua solução. Por isso quero ser um governador próximo das pessoas e não fechado no gabinete. No meu mandato quero no mínimo, 50% do tempo andando por Mato Grosso e, claro, visitando Brasília, que é onde se pode buscar desenvolvimento para o Estado.



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