Sexta feira, 21 de setembro de 2018 Edição nº 15055 05/09/2018  










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Messi busca reinventar seu jogo

Fora do prêmio de melhor do mundo, craque argentino tenta reiventar-se

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Foi a primeira vez desde 2006 que o argentino Lionel Messi não entrou na lista de melhor do mundo da Fifa
ALEX SABINO
Da Folhapress – São Paulo

Não se sabe qual foi a reação de Lionel Messi ao saber que não estava entre os finalistas para o prêmio de melhor do mundo da Fifa. Foi a primeira vez desde 2006 que o argentino não entrou na lista.

No momento de maior incerteza da carreira, o craque se fechou em si mesmo. Mais até do que o normal para alguém reconhecido pelas poucas palavras.

Os amigos de Rosário não encontraram com ele nas férias, como sempre acontece. Não houve sinal do atacante no Club de la Milanesa, um dos seus restaurantes favoritos na cidade natal. Ele ficou menos tempo do que o costume em uma de suas duas mansões na região e os torcedores apenas souberam que ele estava no Caribe porque o meia espanhol Cesc Fàbregas, do Chelsea (ING), postou uma foto.

A estimativa do governo argentino é que cerca de 30 mil pessoas do país tenham viajado para a Rússia para ver a Copa do Mundo. Elas também não ouviram nenhuma palavra de Messi sobre a campanha ruim da equipe.

O atacante fez apenas um gol e a seleção caiu diante da França nas oitavas de final. Sem definir o seu futuro com a camisa argentina, está apenas certo que não será convocado mais neste ano.

"Não se pode esperar que Messi seja uma pessoa de palavras. Depois do que aconteceu na Rússia, temos de deixá-lo em paz e ver o que deseja fazer", defende Alfio Basile, o único técnico que dirigiu Messi e Maradona na seleção argentina.

Messi quebrou o silêncio na última segunda (3), horas antes do anúncio do finalista para o prêmio de melhor do mundo, em entrevista à Rádio Catalunya. Foi quando constatou que, aos 31 anos, não tem mais condições de dar uma arrancada atrás da outra em campo, como acontecia antes.

"Eu entrava pensando que tinha de fazer um gol em todas as partidas. Hoje, não. Vivo diferente. Prefiro dar assistências para gols. Se não faço, não tem problema", disse.

Não que as estatísticas corroborem as palavras. Nos 11 jogos que fez na temporada (contando a Copa do Mundo), Messi fez nove gols e deu quatro assistências. Na última partida, contra o Huesca, pelo Campeonato Espanhol, anotou dois.

Mas Messi percebeu que precisa se transformar de forma tão eficiente quanto seu nêmesis Cristiano Ronaldo. O português deixou de ser ponta driblador e de jogadas de linha de fundo para se tornar centroavante. Neste ano, está novamente entre os finalistas para o prêmio de melhor do mundo.

A transformação de Messi é mais difícil porque desde que era criança, nas categorias de base do Newell's Old Boys, ele se acostumou a ser o dono do time, jogar na posição que queria e ser o principal artilheiro.

Na Copa do Mundo da Rússia, em todos os jogos ele voltava à defesa para buscar a bola e não conseguia chegar ao ataque para finalizar.

"Eu entendo Leo ficar calado. Ele sempre foi assim quando criança. Nas poucas vezes em que nosso time perdia, ele ficava dias sem conversar com ninguém", afirma Gerardo Grighini, ex-companheiro do atacante no Newell's.

Fora de campo, o atacante reconhece que mudou e sabe dizer o momento em que isso aconteceu: em 2012. Foi quando nasceu Thiago, seu primeiro filho. Ele mesmo afirma que até aquele momento sua vida se resumia a jogar futebol e videogame.

"Tudo mudou. Eu passei a ter um motivo a mais para voltar para casa e não pensar em futebol", admitiu.

Mudar dentro de campo é outra coisa. O jogador que tinha 19 anos na última vez em que não foi finalista no prêmio da Fifa, também afirmou saber que precisa se adaptar. Daquele jeito de Lionel Messi que, como definiu seu biógrafo Leonardo Faccio, morde as palavras para tentar evitar que elas saiam de sua boca. Mas admitiu.

Criar um novo estilo pelo Barcelona, onde está em casa e relaxado, é mais fácil. Chegar a esse mesmo patamar na seleção argentina, é outra coisa.

"É um processo natural. Todo grande jogador passa por isso. Estamos falando de Lionel Messi, um dos maiores da história. Ele ainda tem muito a dar à seleção e ao futebol", completa Basile.



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