Sábado, 22 de setembro de 2018 Edição nº 15055 05/09/2018  










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Mato Grosso recebe Missão Compradores 2018

Da Reportagem

Durante dois dias, Mato Grosso recebeu a visita de estrangeiros interessados em conhecer melhor o sistema produtivo do algodão e de controle de qualidade, visando ampliar suas compras da pluma brasileira. Eles retornaram a seus países – Indonésia, Turquia, Bangladesh, Vietnã, China e Colômbia – mais confiantes, depois de conhecerem laboratórios de classificação de fibra, usinas de beneficiamento e fazendas em quatro municípios mato-grossenses, na etapa final da Missão Compradores 2018, realizada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em parceria com a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa).

"Estamos buscando alternativas para a pluma importada da Austrália e dos Estados Unidos, que está se tornando muita cara para nós. Há um mal-entendido no meu país quanto ao índice de fibras curtas no algodão brasileiro, mas após esta visita retorno mais confiante", comentou Tasnim Sadek, CEO e diretor de compras da Roshawa Spinning Mills, uma das principais indústrias de fiação de Bangladesh. Sadek explicou que o comprimento da fibra é uma questão muito importante para a indústria de fiação já que tem impacto direto na velocidade de funcionamento das máquinas e, consequentemente, na produtividade e na rentabilidade da empresa num ambiente de negócios altamente competitivo. No momento, a Roshawa não compra algodão brasileiro, porém, pretende retomar o consumo este ano. "Vamos fazer experiências para ver como será a performance da pluma brasileira, mas estou esperançoso", afirmou Sadek em Campo Verde, um dos municípios mato-grossenses visitados pelos compradores.

Bangladesh aparece hoje como um dos cinco maiores importadores da pluma brasileira, no período de janeiro a julho de 2018, segundo dados da Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea), atrás de Indonésia, Turquia e Vietnã. Eddy Ely, diretor comercial da P.T. Kusuma Sandang Mekar Jaya, indústria têxtil da Indonésia, também pretende ampliar o consumo da fibra brasileira a partir da visita a Mato Grosso e outros estados produtores. "Hoje o Brasil responde por 10% do total de nossas importações. Os Estados Unidos são nossos maiores fornecedores, mas nossa intenção é ampliar a participação brasileira em até 25%", disse Ely, ressaltando que tudo depende do preço. Segundo ele, a qualidade do algodão brasileiro melhorou bastante, contudo ainda desperta preocupação quanto ao percentual de fibras curtas.

O vietnamita Tran Quang Vinh, gerente de compras da Phu Gia Spinning Group, maior empresa do setor privado do Vietnã na fabricação de fios, que já tem o Brasil entre seus fornecedores (em torno de 7 mil toneladas de pluma/ano), também expressou sua preocupação com o índice de fibras curtas (Short Fibre Index). Vinh contou que o principal objetivo de sua primeira visita ao Brasil como comprador foi conhecer o controle da qualidade da pluma produzida no país e o resultado foi bem positivo. "A qualidade dos laboratórios de classificação de fibra me impressionou", comentou o vietnamita, acrescentando que aconselharia seus amigos a comprarem mais algodão brasileiro.

Opinião semelhante foi compartilhada pelo chinês James Wang, vice-diretor de Shandong D&Y Group e gerente geral da Shandong D&Y Textile &Ganment Group, e pelo turco Ismail Nohutlu, proprietário da Nipas Textile. As duas empresas já trabalham com algodão brasileiro, porém tinham algumas reservas quanto à qualidade da pluma no que diz respeito à uniformidade e ao índice de fibras curtas. "Estou mais confiante para comprar mais algodão do Brasil", comentou Wang, que representa um grupo de fiação, tecelagem e vestuário, com unidades na China e Malásia. Nohutlu, representante de uma empresa familiar na Turquia, também se disse mais confiante no algodão brasileiro após conhecer o processo de produção e o sistema de controle das empresas que visitou.

O colombiano Jorge Hernan Olarte Ochoa, diretor executivo da Diagonal, empresa fundada em 1950 para facilitar o fornecimento de matéria-prima para a indústria têxtil da Colômbia, foi outro que se mostrou otimista quanto à compra de algodão do Brasil. Hoje, sua empresa importa 30 mil toneladas de pluma, sendo aproximadamente 80% dos Estados Unidos. "Viemos para conhecer a qualidade da pluma brasileira e verificar a rastreabilidade do produto. O Brasil está perto da Colômbia e pretendemos comprar mais, porém tudo depende do preço. Hoje o frete encarece a pluma brasileira", afirmou Ochoa, que elogiou "o profissionalismo e a honestidade" dos produtores brasileiros.

MERCADO - Iniciada na Bahia no dia 27, a Missão Compradores 2018 tem como objetivo apresentar ao mercado global o modelo nacional de produzir algodão, caracterizado por altas produtividades, intenso uso de tecnologias e práticas sustentáveis. Os países participantes, majoritariamente asiáticos, estão entre os maiores compradores do algodão brasileiro, escolhidos juntamente com as cinco tradings que mediam os negócios com a commodity: Ecom, Reinhart, Cofco, Louis Dreyfus e Cargill. Na safra corrente, Mato Grosso ampliou sua área de cultivo do algodão e as estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e da Ampa preveem a colheita de 1,3 milhão de toneladas de pluma.

"A Missão Compradores é uma vitrine para o mundo. Trata-se de uma oportunidade para mostrarmos a nossa responsabilidade enquanto produtores em relação ao cumprimento de contratos, ao processo produtivo e à qualidade da pluma mato-grossense", afirma o presidente Ampa , Alexandre Schenkel.



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