Quarta feira, 12 de dezembro de 2018 Edição nº 15054 04/09/2018  










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Nada novo sob o sol

Infelizmente o que está por vir é mais do mesmo. O horizonte não é dos mais promissores. O cenário eleitoral não será transformador. O paladino da justiça não está montado em seu alazão para salvar o povo dos maus políticos.

Não haverá mudanças estruturais na política após a posse de deputados estaduais e federais, governadores, senadores e o (a) presidente da República. Digo isso não pelo simples pessimismo, mas por visualizar que a estrutura política brasileira se mantém a mesma há séculos, onde os personagens mudam, mas o modo de se fazer política continua o mesmo. Protecionista, aristocrata, endinheirada e sem escrúpulos. Quem não se encaixa nesse padrão é engolido por ele.

Entra operação, sai operação e o Judiciário, através do ativismo judicial, quer se fazer maior que o Estado. Não podemos deixar de reconhecer a importância daquela que é mais falada nos últimos anos, a famigerada Operação Lava Jato. Ela é a maior operação anticorrupção do mundo com dezenas de fases e desdobramentos, quase duas centenas de delações premiadas, mais de R$ 12 bilhões devolvidos aos cofres públicos, mas será que ela realmente desarticulou o grupo que está investigando ou só jogou a m* no ventilador?

Vários dos "peixes grandes", nomes de peso da política nacional estão presos... em suas mansões avaliadas em dezenas de milhões de reais. Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara Federal), Sérgio Cabral (ex-governador do Rio de Janeiro), Geddel Vieira Lima (ex-ministro e ex-deputado federal) são exemplos de como o sistema entrega os seus para o abate em benefício de toda organização. Ou seja, os famosos "bois de piranha" do imaginário popular.

O fato é que o crime é realmente organizado. Como já roteirizava José Padilha em Tropa de Elite "o sistema entrega a mão para salvar o braço. O sistema se reorganiza, articula novos interesses, cria novas lideranças. Enquanto as condições de existência do sistema estiverem aí, ele vai resistir".

A "reforma eleitoral" aprovada pelo Congresso Nacional é mais um exemplo de protecionismo da classe política. Mais uma cortina de fumaça, um artifício torpe onde deputados e senadores legislaram em causa própria! Se reorganizaram e votaram uma proposta de centralização do poder partidário... O financiamento público bilionário está agora nas mãos dos caciques partidários com o claro interesse de manutenção e perpetuação do poder. Engana-se também as pessoas que acreditam que não terá mais caixa dois, pois o conceito principal do caixa dois é justamente o patrocínio / doação de recursos financeiros não contabilizados e não declarados aos órgãos de fiscalização competentes para o político. Ou seja, já começou e vai continuar a rolar a grana debaixo dos panos.

E nem venha me dizer que o povo está cansado dos políticos porque é isso que eles querem. Um povo desanimado, uma massa amorfa e indistinta, sem interesse em lutar. A política se faz no dia-a-dia, na exposição de idéias, no diálogo com o outro. Não apenas de 2 em 2 anos.

A falta de disposição de maioria esmagadora da população brasileira também é responsável pelo perene sistema político da nação. As eleições não são anuladas se 50% + 1 dos eleitores não comparecerem às urnas. Temos como exemplo a eleição suplementar que ocorreu em Tocantins onde a soma de votos nulos, brancos e as pessoas que não foram às urnas ultrapassou 51% de todo o eleitorado tocantinense.

Ou seja, o jogo eleitoral continuará o mesmo e as velhas raposas serão re-re-re-re-re-eleitas.

O sistema [proporcional para eleição de vereadores e deputados] é tão cruel que até cria possibilidade de eleição de pessoas comprometidas com a população só para manter aceso, em nosso íntimo, a falsa esperança de que dias melhores estão por vir.



* EVERTOM ALMEIDA é administrador público e especialista em Ciência Política

meireles.laura@gmail.com



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