Quinta feira, 20 de setembro de 2018 Edição nº 15054 04/09/2018  










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Maneira como Maria é retratada na novela 'Jesus' divide público

FABIANA SCHIAVON
Da Folhapress - São Paulo

A trama bíblica "Jesus", exibida pela Record, ainda não emplacou o sucesso de novelas religiosas anteriores da emissora, como "Os Dez Mandamentos" (2015), que bateu a barreira dos 30 pontos de audiência (cada ponto equivale a 71 mil domicílios na Grande SP).

Ao mesmo tempo em que mantém fãs fiéis -alguns até de outras religiões- membros da Igreja Católica deixaram de ver a história de Paula Richard por conta das adaptações que teriam sido feitas no enredo, tido como original. A principal delas está relacionada à Virgem Maria. Na trama, a santa, vivida por Claudia Mauro, é casada com José e tem mais outros seis filhos além de Jesus.

Na capital, a novela exibida pela Record -propriedade do bispo Edir Macedo, também fundador e líder da Igreja Universal- estreou com 13 pontos no Ibope e sofreu queda. Na última semana, chegou à faixa de 10 pontos. Já no cenário nacional, os índices são um pouco melhores, com média de 11 pontos no primeiro mês.

Uma carta divulgada pelo arcebispo metropolitano de Goiânia, Dom Washington Cruz, desestimula oficialmente a audiência da novela e afirma que a trama "só causa desinformação".

Isso porque, afirma o religioso, "a Santíssima Virgem Maria, a mãe de Jesus, é apresentada de modo discordante com as informações feitas na Sagrada Escritura".

A atriz Claudia Mauro, que interpreta Maria, não acredita que a questão tire o mérito da trama. "Independentemente de religião, a novela fala sobre tolerância, amor, perdão e aceitação, coisas que precisamos muito nos dias de hoje", diz.

"Respeito todas as religiões e, mesmo com diferentes leituras da Bíblia, acredito que Maria represente o feminino da natureza. Seja como virgem que concebeu o Messias ou como mulher que teve uma história de amor com José, ela representa a maternidade, que é algo divino", finaliza.

Para a Igreja Católica, porém, a personagem deve ser imaculada, virgem. "Não acompanho novelas, e essa história de Maria não está nos escritos. Novelas não são lugar de formação cristã", diz o padre Julio Lancelloti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua em São Paulo.

PÚBLICO - Alguns fãs de "Jesus" (Record) ouvidos pela reportagem parecem não se importar com a forma como os personagens são retratados. Diferentemente da visão católica, na trama, Maria (Claudia Mauro) não é virgem. E Maria Madalena (Day Mesquita) não é prostituta (como ficou conhecida na história).

O empresário Léo Almeida, 29, é seguidor do candomblé e adora a produção. "Não sou evangélico e não sigo nenhum tipo de doutrina cristã, mas fui fisgado pela novela como história e pelas belas imagens. Acho lindo que um enredo religioso que faça sentido para a vida de tantas pessoas seja transformado em novela. Eu ia amar ter uma novela da minha religião. Acho que cabe o respeito a todas. Então, vejo Jesus como uma forma de conhecimento e entretenimento", afirma Almeida.

A produtora Angela Karam, 60, mesmo tendo formação católica, afirma que gosta da novela. "Eu me surpreendi quando vi na novela que Maria tinha mais filhos. Não vejo problemas em retratá-la dessa forma, porque ela era virgem no nascimento de Jesus, mas, depois disso, teve uma vida normal", arrisca Angela.

Elmo Francfort, diretor do Instituto Memória da Mídia, avalia que, mesmo que a novela não sirva como fonte de informação religiosa oficial, pode gerar curiosidade e incentivar aprofundamento. "Não vejo importância se a novela é fiel ou não à Bíblia, já que uma telenovela tem licenças poéticas que a dramaturgia permite. De qualquer forma, o texto da Bíblia está sendo levado para a TV de maneira didática", avalia.

"Mesmo quando há licenças poéticas, para que o público possa se informar melhor sobre o que é mostrado, há uma legenda que aparece na TV apontando o trecho da Bíblia de que trata aquela cena", ressalta.

POLÊMICA - ogo que a novela "Jesus" (Record) foi anunciada, outra personagem que causou repercussão foi Maria Madalena (Day Mesquita). Ela também é retratada de forma bastante diferente do que é contado pela Igreja Católica.

Maria Madalena ficou marcada na história como suposta prostituta, que se tornou seguidora de Jesus Cristo. No entanto, a trama de Paula Richard a retrata como uma mulher rica.

Em sua entrada na saga, aliás, Maria Madalena acaba de chegar a Jerusalém acompanhada de uma comitiva, após uma longa viagem. Assim que ela conhecer Jesus, ele vai livrá-la de sete demônios e, com isso, ela se tornará a sua seguidora.

A autora da trama explica de onde veio essa nova faceta da Maria Madalena da novela. "Durante muito tempo, ela foi confundida com outras mulheres de passagens bíblicas, como a prostituta que unge os pés de Jesus ou a mulher adúltera. Retratada como a pecadora arrependida em obras de arte, sua imagem como prostituta entrou no imaginário e se consolidou", afirma a autora.

"As informações que temos sobre Maria Madalena na Bíblia são de que Jesus a livrou de sete demônios, que ela estava presente na crucificação e que é para ela que Jesus aparece no sepulcro, depois de ressuscitado. Está escrito também que Jesus é ajudado financeiramente por mulheres de posses, e Maria Madalena seria uma delas. É tudo o que há nos Evangelhos canônicos sobre Maria Madalena e criamos a personagem a partir dessas informações", completa Paula.

Há ainda obras de ficção que sugerem que Jesus Cristo teria mantido um envolvimento carnal com Maria Madalena. "Essa versão de que Jesus teria sido casado com ela é muito frágil e não se sustenta nos relatos bíblicos", diz a autora.

Day Mesquita, a atriz que foi escalada para viver Maria Madalena no enredo da Record, também não faz distinção entre as interpretações que a personagem possa ter. Para ela, o papel é desafiador. "Além de ser uma personagem conhecida, ela tem múltiplas faces por ser atormentada pelos sete demônios. Isso abre mil possibilidades de interpretação", afirma a atriz.



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