Domingo, 21 de abril de 2019 Edição nº 15052 31/08/2018  










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Desafio a democracia

O elevado percentual de eleitores com intenção de votar em branco ou nulo nas eleições de 7 de outubro é uma questão que desafia candidatos em campanha e os próprios eleitores. A mais recente pesquisa Datafolha mostra que, somados aos indecisos, os que pretendem votar em branco ou nulo significam hoje uma parcela de 34% dos entrevistados. O percentual é superior à intenção de votos de cada um dos candidatos com mais chance de chegar ao segundo turno. Diante do somatório de crise política e econômica enfrentado pelo país, a tendência preocupa, por revelar um nível elevado demais de descrédito com a política e os políticos.

O fenômeno não é recente. Em alguns dos maiores colégios eleitorais, incluindo Cuiabá, o número de votos brancos, nulos e de eleitores que não compareceram às urnas em 2016 superou o dos candidatos em primeiro lugar. Nas duas maiores cidades nas quais foram realizadas eleições suplementares no dia 3 de junho, a proporção de abstenções, votos nulos ou brancos aumentou mais ainda. Por isso, um dos desafios da campanha eleitoral, que deve chegar às ruas depois da Copa, é oferecer opções que contemplem as aspirações dos eleitores. Essa missão se mostra particularmente mais difícil num momento de desencanto com a política de maneira geral e com a capacidade dos gestores públicos enfrentarem problemas como a crise econômica e sua face mais visível – as taxas persistentes de desemprego.

Votar em branco e anular o voto são direitos assegurados aos cidadãos. Uma ou outra opção, portanto, precisam ser respeitadas. Ainda assim, decisões desse tipo têm consequências que precisam ser avaliadas antes do fechamento das urnas. Voto nulo não anula eleição, como supõem alguns. A democracia ganha mais, e se fortalece, quando as decisões diante da urna são embasadas com o máximo de informação sobre os candidatos. E esses, geralmente, são políticos com os mesmos defeitos e virtudes da sociedade que pretendem representar.

Os eleitores precisam levar em conta que as saídas para o país não dependem de um ou outro candidato especificamente, mas de políticos comprometidos com a ética e com projetos coerentes com os interesses coletivos. E, independentemente de suas opções, não devem perder de vista que seu papel não se encerra no voto, mas vai além, com o acompanhamento permanente dos eleitos.



A perspectiva de uma avalanche de votos brancos e nulos e de uma elevada abstenção nas eleições de 7 de outubro desafia a democracia



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