Terça feira, 17 de setembro de 2019 Edição nº 15051 30/08/2018  










VENEZUELANOSAnterior | Índice | Próxima

Governo federal pode controlar entrada

Temer admitiu ter sido discutido um mecanismo, como a adoção de senhas, para reduzir o número de migrantes. Presidente deve manter reajuste de servidores

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O presidente Michel Temer avalia entregar senhas para frear entrada de venezuelanos em Roraima, fatos que tem gerado confrontos
TALITA FERNANDES
Da Folhapress – Brasília

O presidente Michel Temer afirmou ontem que o governo pode limitar a entrada de venezuelanos no Brasil por meio do uso de senhas.

Em entrevista à Radio Jornal, do Recife, o presidente admitiu ter sido discutido em reunião na terça um mecanismo para reduzir o número de migrantes que cruzam a fronteira diariamente, atualmente na casa das centenas.

"Eles pensam em, quem sabe, colocar senhas de maneira que entrem 100, 150, 200 por dia e cada dia entre um pouco mais para organizar essas entradas", disse Temer.

O presidente afirmou que hoje ingressam em território brasileiro entre 700 e 800 venezuelanos diariamente e que isso está criando problemas para a vacinação.

Temer classifica como "inadmissível" a situação da Venezuela e disse estar em contato com presidentes de outros países como Colômbia, Peru e Equador, que também têm recebido refugiados.

"Há tempos propusemos ajuda humanitária com alimentos e remédios e o governo recusou. O governo recusa lá e os venezuelanos vem para cá. O ideal para nós é que eles recebessem nossa ajuda humanitária e pudessem permanecer [em seu país]", afirmou Temer.

O presidente ressaltou, contudo, que a política do Brasil é de acolhimento dos refugiados, o que significa que a fronteira não deve ser fechada, como solicita a governadora Suely Campos (PP).

Temer autorizou na terça-feira a atuação das Forças Armadas em Roraima, que enfrenta uma crise migratória com o fluxo de venezuelanos que fogem da crise no país de Nicolás Maduro.

A partir de ontem, militares podem atuar nas faixas de fronteira norte e leste e também nas rodovias federais. O decreto, a princípio, terá validade de duas semanas, até o dia 12 de setembro.

Desde 2015, mais de 120 mil migrantes cruzaram a fronteira com o Brasil para fugir das dificuldades enfrentadas na Venezuela, onde falta comida e remédios e a inflação deve bater em 1.000.000% neste ano, segundo o FMI.

O governo afirma que apesar do número elevado de venezuelanos, alguns já deixaram o território nacional e foram para outros países. Permanece no país cerca de metade dos que chegaram, a maioria deles ainda em Roraima, dado o atraso da política de interiorização proposta pelo governo

Diante do volume de recém-chegados a um estado de 520 mil pessoas, a governadora de Roraima reclama de falta de recursos para atender a demanda em segurança pública, saúde e educação.

O estado também enfrenta aumento nos casos de xenofobia, com confrontos e perseguição dos venezuelanos por brasileiros.

Segundo a ONU, a crise venezuelana já se aproxima, em termos de emergência, do êxodo de africanos e povos do Oriente Médio pelo mar mediterrâneo. Cerca de 2,3 milhões de pessoas deixaram o país - ou 7,5% da população-, sendo que dois terços desse contingente o fizeram após 2015.

SERVIDORES/REAJUSTE

O presidente Michel Temer pretende manter o reajuste dos servidores federais, que a equipe econômica tentava adiar para 2020. O impacto calculado no Orçamento de 2019 é de R$ 6,9 bilhões.

São reajustes que variam de 4,75% a 6,65%, negociados em 2015, e programados para os anos seguintes para mais de uma centena de carreiras do serviço público civil do governo federal.

"Até o presente momento o reajuste dos servidores do poder executivo está em pleno vigor. Nada o impede", afirmou o ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Em meio ao esforço do ajuste fiscal, o Ministério do Planejamento havia tentado, no ano passado, adiar a parcela do aumento dos servidores em 2019, por meio de uma medida provisória.

Mas o Supremo Tribunal Federal vetou o adiamento.

A avaliação do Planalto é que, uma vez que a questão já foi judicializada, não vale a pena voltar à carga em nova tentativa.



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