Terça feira, 21 de maio de 2019 Edição nº 15046 23/08/2018  










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Milho e Mato Grosso podem ter perdas, prevê Anec

MARIANNA PERES
Da Reportagem

Caso o tabelamento do custo do frete não seja revisto pelo governo Federal na audiência pública marcada para o próximo dia 27 de agosto, com o ministro Luiz Fux, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) estima que a exportação de milho, que estava prevista para atingir 27 milhões de toneladas, cairá para 20 milhões de toneladas em 2018.

“A imprevisibilidade gerada pelo tabelamento pode aniquilar a exportação de milho, fazendo com que o mercado perca competitividade”, afirma Sérgio Mendes, diretor geral da Anec.

Para Mato Grosso, maior produtor e exportador nacional do cereal, o diretor geral da Anec, Sérgio Mendes, projeta como principal impacto a diminuição da área plantada de milho e o crescimento de outras culturas, como o algodão, por exemplo.

“A grande vantagem do Brasil sobre seus competidores é a de haver área suficiente para o crescimento de todas as culturas. Em outros países que não dispõem de área, como Argentina e USA, o crescimento de uma cultura sempre ocorre em detrimento de outra. Desta forma, no caso brasileiro, você realmente perde, neste ano, cerca de US$ 1,8 bilhão, correspondentes à receita equivalente à 10 milhões de toneladas de milho que devemos deixar de exportar”.

O Brasil é o 2º maior produtor de milho no mercado mundial, “posição conquistada com muito esforço e que está em risco agora devido ao tabelamento”, diz o representante da Anec.

Mendes vai mais longe. De acordo com ele, o impacto em outras cadeias de valor agregado, assim como carne e frango, será enorme, inclusive sobre a venda de proteína animal no mercado externo. “Com a possível retração da produção do milho, por conta do impacto dos custos logísticos provocado pela tabela, o produto deverá encarecer, tanto para o comprador na granja, quanto para o consumidor final. Lembrando que essa commodity é fundamental para a perenidade de diversos segmentos, sendo o insumo mais importante e mais barato para a produção de proteína animal. O mercado futuro da safra de milho está travado e é uma incógnita num momento em que o Brasil poderia nadar de braçada em função da crise Estados Unidos e China”, alerta Mendes.

DIFERENÇA – Sob os impactos do tabelamento do frete, analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), chamam à atenção para o aumento do diferencial de base MT-B3. O que segundo eles “demanda atenção”, pois ele vem se ampliando com o aumento do custo com o frete de transporte no Estado.

Como explicam, na primeira quinzena de agosto as cotações do milho na bolsa B3 apresentram valorização de 8,26%, fechando esse período com uma média de R$ 41,58/sc. “A alta dos preços nessa temporada de entrada de safra é considerada atípica, mas vem sendo sustentada diante da demanda das agroindústrias e do setor pecuário, enquanto que os produtores do cereal vêm segurando novas negociações devido às incertezas quanto ao frete rodoviário. Além disso, as preocupações quanto à oferta do cereal em grande parte dos estados produtores também têm limitado novas vendas.

Em Mato Grosso, mesmo com a colheita quase finalizada, os preços também estão sendo influenciados pela demanda do mercado interno e já acumulam um ganho de 7,40% e preço médio de R$ 21,17/sc. “Essa diferença de R$ 41,58 para R$ 21,17, ou seja, a base B3 e MT é que está aumentando, mesmo observando alta de preços para ambos. A distância entre as médias de preços é bastante significativa”.



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