Segunda feira, 20 de janeiro de 2020 Edição nº 15045 22/08/2018  










MARINALDO CUSTÓDIOAnterior | Índice | Próxima

Era pra sair no jornal

De todas as minhas saudades, de coisas da infância que, cá adiante, acabaram influenciando decisivamente o meu ofício de escritor (escrevinhador?), a leitura de jornais está, com certeza, entre as mais relevantes. Disso, aliás, de vez em quando falo, acerca de ler, ler e ler, ler tudo que me caía nas mãos. Tudo, tudo, até jornais manchados de sangue, daqueles que o pai trazia da vila embrulhando as compras do açougue. Até os anúncios fúnebres! Às vezes, mais de uma vez, como ainda hoje faço com notícias, entrevistas, trechos de livros, resenhas, poemas que acho mais interessantes.

O ato de ler, aliás, tem salvado vidas e as vai salvando enquanto caminha a história da humanidade, enquanto o mundo for mundo e tiver perfume a flor...

Relatos nesse sentido sempre me interessam grandemente, por isso os coleciono: alguns grafados em papel ou no computador; outros registrados na memória.

Então, eu, que comecei escrevendo para o grande público justamente em jornal (em 1991, em ‘A Gazeta’, de Cuiabá, com artigos e pequenos ensaios), sempre que vou escrever meus textos literários ou pretensamente literários, logo penso que eles deviam sair no jornal – antes ou depois de sair em livro. “Era pra sair no jornal” – é o mantra sempre por mim repetido.

Por isso, tanto em meu primeiro livro (Viagens inventadas), de 2010, quanto no que está “no prelo” (Vestida de preto e outras crônicas), lá estão o jornal e o jornalismo marcando presença. Nesse sentido, tem gente, a exemplo dos jornalistas Kleber Lima e Lucas Bólico, que até vai além e diz que, mesmo quando não quero fazer jornalismo em literatura, sempre faço!

Nesse ‘namoro’ jornalismo-literatura, dou vazão a temas, modos de fazer, fetiches, à ligação com o mundo contemporâneo e com as outras mídias, em meu diálogo sonhado com o mundo das artes e da cultura.

No meu mundo ideal, até mesmo um texto de várias páginas como a crônica “Eles no circo, elas no celular”, que integra o novo livro e fala do primeiro contato que tive com a dupla Milionário e José Rico, em 1971, e com as meninas Lorena e Rafaela, em 2016, era pra sair no jornal.

Era pra sair no jornal.



MARINALDO CUSTÓDIO, escritor, é mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

mcmarinaldo@hotmail.com



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