Quarta feira, 13 de novembro de 2019 Edição nº 15043 18/08/2018  










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Vice deixa sombra por protagonismo

Primeiro na linha sucessória do governador, seu companheiro de chapa deixa de ser coadjuvante e ganha destaque político em Mato Grosso

DINALTE MIRANDA/DC
Sirlei Theis, vice de Wellington
Otaviano Pivetta, vice de Mauro
Rui Prado, vice de Taques
EDUARDO GOMES
Da Reportagem

Historicamente vice-governador desempenha importante papel em Mato Grosso. Desde a divisão territorial quem em 1979 criou Mato Grosso Sul, o governo mato-grossense foi definido em 10 eleições, sendo uma indireta. No período, quatro titulares renunciaram e seus vices assumiram. Em meio a isso, dois romperam com o governador. Neste ano a eleição ao cargo é disputada por Pedro Taques (PSDB), que tenta a reeleição; pelo ex-superintendente da Polícia Rodoviária Federal, Arthur Nogueira (Rede); o ex-prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (DEM); o servidor público estadual, Moisés Franz (PSOL); e o senador Wellington Fagundes (PR). E seus companheiros de chapa, quem são? O que fazem? O que pensam? Para responder a esses e outros questionamentos ouvimos os cinco: o Enfermeiro Wanderley Guia (PSOL), que concorre em chapa partidária; Rui Prado (PSDB), que dobra com o correligionário Taques; Otaviano Pivetta (PDT), que repete com Mauro a dobradinha pela qual concorreram ao Palácio Paiaguás em 2010; Sirlei Theis (PV), companheira de Wellington; e Sadi Oliveira dos Santos (PPL) na aliança liderada por Nogueira.

Ao pé da letra vice é o primeiro na linha sucessória do governador em caso de renúncia, licença, cassação, afastamento, morte ou vacância do cargo. No passado, pelo entendimento político à época, o companheiro de chapa não precisava somar votos: bastava não o espantar. Agora mudou e ele tem importância estratégica para se ganhar eleição. E como se diz nos meios políticos: quem ganha junto, junto governa.

Assim no mosaico político atual, o vice se transforma em canalizador de recursos para campanha, em fator de regionalização da chapa, em ponto de equilíbrio entre gêneros, em pluralização de idéias etc. Por isso a montagem das chapas ao governo levou em conta o peso do vice.

Taques, que recentemente perdeu o vice Carlos Fávaro (PSD) eleito com ele em 2014 e que renunciou, tratou de botar um político ligado ao agronegócio em sua chapa. Daí a escolha recaiu sobre Rui Prado, seu correligionário e uma das figuras mais representativas do agro mato-grossense.

Franz concorre por um partido que se isola dos demais e nessa condição teria que receber um vice indicado pelos convencionais do PSOL, que definiram pelo Enfermeiro Wanderley Guia, que reza pelos ensinamentos partidários.

Mauro não tentou reinventar a roda. Repetiu seu vice na corrida ao governo em 2010, Pivetta. Os dois são amigos e mantiveram o casamento político que os une, mesmo com o candidato a governador tendo trocado o PSB de 2010 pelo Democratas.

Nogueira disse pouco antes da convenção que gostaria de ver em sua chapa uma mulher, mas isso não foi possível. Coligado com o PPL entregou àquele partido a indicação do vice, que lhe apresentou Sadi.

Wellington fez mistério até o último momento antes de anunciar Sirlei Theis em sua chapa. No anúncio o senador estufou o peito dizendo que a sua era a única chapa com participação feminina.

Pivetta é um dos maiores empresários do agronegócio nacional. Por três vezes foi prefeito de Lucas do Rio Verde, cumpriu mandato de deputado estadual e em parte do primeiro governo de Blairo Maggi (2003/06) foi secretário de Desenvolvimento Econômico. Em 2016 Pivetta tentou se reeleger prefeito, mas perdeu a eleição por 242 votos para Flori Binotti (PSD).

Detalhe: na noite anterior ao pleito o Tribunal Regional Eleitoral, por unanimidade, cassou o registro da candidatura de Pivetta e ele concorreu sub judice, o que pode ter influenciado na decisão do eleitorado.

Nem mesmo o forte temperamento de Pivetta o impediu de compor chapa com Mauro em duas eleições, incluindo a de agora. Esse temperamento resultou num questionamento do Jornal: “É possível ser vice, sendo que em suas atividades tradicionalmente a última palavra é a sua? Ele responde com naturalidade, “É sim. E isso pela convergência de pensamento e comportamento na vida pública. Também tem o Estado que queremos, além da confiança mútua que nutrimos desde que nos conhecemos”.

“Mas, vocês têm estilos bem diferentes?”. Sua resposta é serena: “estilo e identidade cada um com o seu. Ele (Mauro) brasileiro mato-grossense oriundo de Goiás, engenheiro eletricista e do setor industrial. Eu, brasileiro mato-grossense vindo do Rio Grande do Sul, ‘cruza’ de caminhoneiros com colona, com formação básica, da produção e indústria de alimentos. Acho que nossa soma vai ajudar muito Mato Grosso”, resume.

Pivetta deixa claro que o governador será Mauro, que sua função constitucional será a de substituto, “Porém, se o titular me confiar alguma missão estarei em pé e às ordens”. Enquanto vice, diz que se dedicará para seguir honrando os compromissos de campanha.

Lucas, onde Pivetta foi prefeito, tem os melhores índices dos indicadores sociais mato-grossenses. A cidade é totalmente pavimentada, conta com ciclovias, coleta seletiva de lixo, saúde pública de qualidade e as escolas municipais são de alto padrão. Detalhe: na administração de Pivetta não houve culto à personalidade. As escolas construídas em sua gestão receberam nomes de educadores e figuras ligadas à cultura. O município tem mais de 120 quilômetros de agroestradas pavimentadas construídas por PPPs entre a prefeitura e produtores rurais. Na iniciativa privada o candidato a vice-governador é um dos maiores produtores de soja, milho safrinha e algodão do Brasil, além de ser industrial e exportador de carne suína.

Otaviano Olavo Pivetta, 59 anos, casado, empresário, nasceu em Caiçara (RS) e mora em Lucas do Rio Verde há 35 anos.

Rui Prado, 55 anos, casado, é veterinário e produtor rural em Campo Novo do Parecis, onde fundou e presidiu o Sindicato Rural por dois mandatos. Mesclando a atividade particular com o sindicalismo patronal rural liderou o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária (Famato) entre 2011 e 2016, e ocupou a presidência da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) em Mato Grosso e nacionalmente. Indicado por sua categoria integrou o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o "Conselhão", de 2012 a 2014 no governo do presidente Lula da Silva.

Rui Prado nasceu em Campo Grande (MS) onde cursou veterinária na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e onde também militou na política acadêmica tendo presidido o Diretório Central dos Estudantes. Ao concluir o curso em 1985 pensou logo em se mudar para Mato Grosso e o fez no ano seguinte, quando se transferiu com a família para Campo Novo do Parecis.

Político que gosta de política, no final de 2011 Rui Prado aceitou o convite do então deputado estadual José Riva para se filiar ao PSD, que acabava de ser fundado e em Mato Grosso era dirigido por ele e o à época vice-governador Chico Daltro, que agora é candidato a deputado estadual pelo PRB coligado ao senador republicano Wellington Fagundes, que concorre ao governo. Na eleição de 2014, por aquela sigla, Rui Prado concorreu ao Senado recebendo 137.380 votos (10.24%) ficando em terceiro lugar na disputa.

Convidado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Rui Prado filiou-se ao PSDB. Numa composição partidária para formação da chapa de Taques à reeleição, seu nome foi indicado por unanimidade da cúpula tucana com aval da convenção.

Rui Prado conhece bem o estilo turrão de seu companheiro. Por isso, segundo deixa transparecer, será um vice acomodado, sem trombar com os planos do titular. Ele sabe muito bem que não compensa tentar convencer o governador sobre ‘isso’ ou ‘aquilo’. Também sabe que em 2022, caso sua chapa seja vencedora agora, Taques deixará o poder para disputar outro mandato, o que em outras palavras quer dizer: Rui Prado governador.

Pouco se sabe sobre a chapa partidária do PSOL. Ao contrário dos principais nomes nacionais dos partidos, que sempre estão abertos aos jornalistas, em Mato Grosso essa sigla soma ao sigilo do voto seu silêncio sobre os políticos que a representam nas urnas.

O companheiro de Franz é o cuiabano Vanderley da Guia, o Enfermeiro Vanderley Guia, 41 anos, divorciado, que foi candidato a deputado federal em 2014 recebendo 1.425 votos, e concorreu a vereador por Cuiabá em 2016 cravando 261 votos.

Na disputa para a Câmara Vanderley da Guia foi ofuscado pela candidatura a deputado federal do mais conhecido nome de seu partido, o Procurador Mauro. Agora, sem concorrência eleitoral predadora no partido, seu rendimento nas urnas será ditado pelo desempenho do PSOL.

Nogueira formou aliança com o PPL e seu vice Sadi Oliveira dos Santos, filiado àquele partido. Sadi é gaúcho e reside em Cuiabá desde 1983; atua no ramo publicitário; e preside a ong Amigos do Bem, o Instituto São Pio e a Associação Mato-grossense de Doenças Inflamatórias.

Amigos do Bem foi criada em 2007 por Sadi. A princípio a ong participava de campanhas para localizar crianças e idosos desaparecidos. Com o passar do tempo, por inspiração de Sadi, criou-se o banco de alimentos, na sequência banco de óculos e banco de remédios, além de atuação de seus voluntários em ações de limpeza urbana. Enquanto isso acontecia Sadi planejava a criação de um mecanismo social para oferecer consultas oftalmológicas gratuitas a portadores de problemas de visão. Num passo mais ousado a ong lançou a pedra fundamental do Hospital São Pio Amigo da Visão, em Cuiabá. Ao longo de sua existência Amigos do Bem prestou 91 mil atendimentos.

Sadi não tem experiência política, mas se sente bem identificado com ação social, que num eventual governo de Nogueira poderia se transformar em importante elo da engrenagem de amparo social que o candidato ao governo pensa em montar para quebrar o desnivelamento que deixa milhares de mato-grossenses ao léu bem ao lado dos bolsões de riquezas.

Sirlei Theis (PV) é candidata a vice na chapa de Wellington. Seu currículo é apresentado formalmente: advogada, formada em Letras, ex-secretária-adjunta Sistêmcia de Segurança Pública nos governo de Silval Barbosa e Pedro Taques. Mas ela é bem mais que isso.

Nascida no Rio Grande do Sul, Sirlei mudou-se para o Paraná, de onde saiu quando as águas da hidrelétrica de Itaipu inundaram as terras de seu avô materno, Alfredo Theis. A saída da família foi partir em busca do Eldorado em Mato Grosso. O destino foi Santo Antônio do Rio Bonito, hoje no município de Nova Ubiratã e à época integrante do então maior município do mundo, Chapada dos Guimarães.

O avô Alfredo morreu. O pai de Sirlei, Francisco Assis, ganhava o pão de cada dia ao volante de um caminhão. Um dia ele pegou a BR-163 para um frente. Nunca mais voltou e o caminhão evaporou-se. Pode ter sido vítima das quadrilhas que tomavam caminhões à força para vendê-los sem documentação a madeireiros no eixo daquela rodovia no Pará.

Com o desaparecimento do pai, que era provedor da família, sua mãe, Maria Dulce, não teve alternativa senão encontrar um emprego para ela. Assim, a menina Sirlei foi levada para Nobres, onde adotada, trabalhou de babá. Daquela cidade foi para Sinop com nova adoção e continuando na mesma profissão.

Sinop abriu as portas do mundo a Sirlei: cursou Letras na Unemat. Mudou-se para Cuiabá, onde o seu relacionamento a colocou no grupo de mulheres vítimas da violência doméstica. Continua com marcas, muitas na alma. Aprovada no vestibular de direito da Unic, colocou grau, passou no Exame de Ordem. A passos largos para se proteger da violência que sofria do companheiro voltou para Sinop, trabalhou no Ministério Público assessorando o agora procurador de Justiça Paulo Prado. Dali retornou para sua Nova Ubiratã e foi escrivã no recém-instalado fórum. Retornou a Cuiabá. Aprovada em concurso público assumiu cargo na Secretaria de Segurança Pública.

Ambientalista convicta, ao concluir o curso de direito seu TCC foi Licenciamento Ambiental (LAU). Filiada ao Partido Verde recebeu convite de Wellington para sua vice. O partido avalizou seu nome.

O desafio é grande. Sirlei tem consciência disso, mas garante que está bem preparada para secundar Wellington na administração em caso de vitória.



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