Segunda feira, 19 de agosto de 2019 Edição nº 15043 18/08/2018  










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VLT, moradores de rua e usuários de drogas

Maior e mais caro projeto previsto para a Copa do Mundo de 2014, o modal já consumiu R$ 1 bilhão e segue sem previsão de retomada

DINALTE MIRANDA/DC
Pelos menos 10 pessoas passaram a viver embaixo do viaduto, construído para a passagem do modal
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Longe de cumprir a sua função, a obra inacabada e parada do veículo leve sobre trilhos (VLT) vem servindo como abrigo para moradores de rua, depósito de lixo, para a prática de sexo e o uso de drogas. Pelo menos essa é a situação existente hoje na estação e embaixo do viaduto, que ficam próximos ao centro de manutenção e controle operacional do modal, ao lado do Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande.

Maior e mais caro projeto previsto para a Copa do Mundo de 2014, o VLT já consumiu R$ 1,066 bilhão e segue sem previsão de retomada dos serviços. Além do mato e da ferrugem que tomam conta dos trilhos, a estrutura do terminal próximo ao aeroporto está depredada, com pisos e vidros quebrados e os guichês tomados por lixo, roupas sujas e fezes.

Entre o terminal e o centro de manutenção, pelos menos 10 pessoas, a maioria homens, passaram a viver embaixo do viaduto, construído para a passagem do modal. No local, eles colocaram sofás e colchões velhos, mesa (que estava com vários tomates) e até improvisaram um fogão a lenha, que usam para cozinhar os alimentos doados pela comunidade.

À reportagem do Diário um deles garante que está no local desde o fim do Mundial de futebol. Outro reclama que não tem documentos e, por isso, não consegue arrumar trabalho. “Eu sou soldador, mecânico. A gente procura serviço, mas ninguém quer dar trabalho”, disse o rapaz, que não quis se identificar.

Para a estudante Juliene Soares, 21 anos, a situação é vergonha para Mato Grosso. “A gente vê que houve muitos desvios de dinheiro público e que esse VLT, além de virar um elefante branco, está sem utilização. Está servindo apenas para piorar a imagem da cidade”, disse a jovem enquanto espera por um ônibus. “Isso revolta a população, que esperava que o VLT funcionasse e diminuísse o tráfego de carros e melhorasse o transporte público”, acrescentou.

Ela também não acredita na finalização da obra. “Não acredito que vão terminar tão cedo. A gente vê (por exemplo) que ali na Fernando Correa e na Prainha (em Cuiabá) já estão plantando árvores e colocando gramas nos canteiros. Isso é bem revoltante”, disse.

O VLT foi considerado a principal obra de mobilidade urbana para a Copa do Mundo, em Cuiabá. Pelo projeto inicial, o sistema contaria com dois eixos, sendo um deles entre o aeroporto e a Avenida Historiador Rubens de Mendonça (CPA), na capital. O outro eixo, entre a Tenente Coronel Duarte (Prainha) e a Fernando Correa, no Coxipó. Porém, apenas cerca de cinco quilômetros de trilhos foram concluídos e os trabalhos seguem paralisados.

Responsável pelo modal, a Secretaria de Estado de Cidades (Secid) lembrou que o contrato com Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande foi rescindido de forma unilateral após instalação de processo administrativo pelo Governo do Estado para apurar infrações contratuais. A decisão de instalar investigação ocorreu após a deflagração pela Polícia Federal, em agosto de 2017, da operação “Descarrilho”, que indicou indícios de irregularidade no contrato.

Quanto as 40 composições do VLT, a Secid informou que eles passam diariamente por manutenção. O trabalho seria desenvolvido pelo Consórcio VLT e é acompanhado por uma equipe do órgão estadual. “Os trens são movimentados manualmente, porque não podem ficar parados. Na prática, é feito uma movimentação do trem de maneira a garantir um giro de 360 graus nos eixos de cada uma das unidades, e para cada trem são necessários dois dias de manutenção”, informou.

O centro de manutenção com uma área de 64 mil metros quadrados, onde além dos vagões, estão armazenados os equipamentos das subestações, postes, tubos e caixas pré-moldadas de concreto para as redes de drenagem, e demais materiais ou produtos necessários para dar continuidade às obras, que aguardam apenas a ordem para

retomada dos serviços. A obra do centro de manutenção está com 65% executada, restando a parte dos acabamentos e instalações.



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