Segunda feira, 14 de outubro de 2019 Edição nº 15023 21/07/2018  










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Ciro lança candidatura e acena à esquerda

Rechaçado por empresários e com dificuldades de fechar, Ciro convocou "todas as forças políticas que tenham espírito público" para transformar o Brasil

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Presidenciável pela 3ª vez, desta vez pelo PDT, o presidenciável Ciro Gomes acumula polêmicas ao longo da vida política
GUSTAVO URIBE e E MARINA DIAS
Da Folhapress – Brasília

Durante o lançamento oficial de sua candidatura ao Planalto, ontem em Brasília, Ciro Gomes (PDT) fez um discurso calculado, com acenos ao empresariado mas, principalmente, a partidos de esquerda, para tentar romper com o isolamento em que se viu mergulhado nos últimos dias.

Rechaçado por empresários e com dificuldades de fechar alianças - na quinta-feira Ciro perdeu o centrão para Geraldo Alckmin (PSDB) e não anunciou nenhuma sigla aliada no evento que chancelou sua candidatura -, o presidenciável do PDT convocou "todas as forças políticas que tenham espírito público" para transformar o Brasil.

Apesar das inúmeras referências à necessidade de priorizar os que mais precisam, Ciro afirmou que as mudanças não serão feitas apenas pelos pobres e pela classe trabalhadora, mas também por aqueles que estão "na ponta da nossa indústria, produção e comércio".

"Não é só com os trabalhadores e os pobres, a quem devo primeiro a minha atenção, que acho que o Brasil precisa mudar. O colapso da economia brasileira atinge também, de forma grave, aqueles que estão na ponta da nossa indústria, e na produção ou no nosso comércio. Também para eles o projeto nacional de desenvolvimento é, de igual forma, urgente", declarou durante seu discurso de trinta minutos.

Há duas semanas, o presidenciável foi vaiado por empresários em evento promovido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) ao dizer que revogaria pontos da reforma trabalhista. Esta semana, ele causou mal-estar no setor ao enviar uma carta se posicionando pela interrupção das negociações entre Embraer e Boeing.

Depois de elencar números sobre desemprego, segurança e outros dados que, segundo ele, "doem no fundo da alma" mas refletem a dificuldade para a recuperação da economia, Ciro citou o ex-presidente Lula (PT) e disse que o povo já viu, "no passado recente, que é possível ser diferente quando o governo é conectado com o povo".

"Depois de tudo o que houve com o ex-presidente Lula, a nossa responsabilidade aumenta muito. São 207 milhões de pessoas que temos que vestir, empregar, garantir que se alimentem e tenham cuidado médico decente. Todas elas já viram no passado recente que é possível ser diferente quando o governo é conectado com o povo. Convidamos todas as forças políticas que realmente tenham compromisso com o Brasil, espírito público e amor ao nosso povo para nos ajudar a transformar nosso país", completou.

A fala de Ciro tem destinatário certo: PSB e PC do B, siglas mais alinhadas à esquerda com as quais têm negociado uma possível aliança.

Após o revés que o fez perder o centrão - formado por DEM, PP, PR, SD e PRB-, o candidato tenta atrair os outros dois partidos e evitar o isolamento político total na corrida ao Planalto. Sozinho, Ciro tem apenas 33 segundos de tempo no horário eleitoral na TV.

Ele tenta unificar esse grupo depois de flertar com partidos de espectro mais à direita, e insiste na polarização com Jair Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas sem Lula. Na convenção, Ciro fez referências ao capitão reformado sem citá-lo nominalmente, e disse que era preciso acabar com a política do "ódio".

Ainda durante seu discurso, Ciro disse que a geração de emprego é a "primeira e mais urgente" tarefa, caso seja eleito em outubro, e repetiu que "comete erros", mas "nenhum deles por desonestidade intelectual". "Querem desgastar o carteiro para que o brasileiro não leia a carta", disse em referência às críticas de que tem temperamento explosivo.

POLÊMICAS

Polêmicas em que se meteu ao longo da vida política são frequentemente relacionadas a Ciro Gomes, que lançou ontem sua terceira candidatura à Presidência da República, desta vez pelo PDT.

Nos últimos dias, o pedetista chegou a ser aconselhado no partido a ser mais ponderado ao fazer críticas públicas. Num jantar recente com potenciais apoiadores, em Brasília, também foi cobrado para que tentasse segurar a língua.

No mesmo dia do puxão de orelha, ele havia se irritado em um congresso de prefeitos em Belo Horizonte. Ameaçou se retirar do palco e acabou sendo vaiado pela plateia.

O episódio mais rumoroso da trajetória eleitoral de Ciro ocorreu na corrida presidencial de 2002. Na época, questionado sobre o papel que sua então mulher, a atriz Patrícia Pillar, tinha na campanha, o candidato disse que o principal era dormir com ele.

Depois o ex-ministro se retratou, mas esse foi considerado um dos motivos para a derrocada dele nas intenções de voto.



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· O problema desses "trabalhistas&quo  - Flávio Benedito de Souza




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