Sexta feira, 24 de maio de 2019 Edição nº 15023 21/07/2018  










MORTE DE BANCÁRIAAnterior | Índice | Próxima

PMMA não deve ser usado para estética

Médicos criticam o uso do PMMA (polimetilmetacrilato) para fins estéticos, como faz o Dr. Bumbum

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A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica não recomendam o uso do produto para fins estéticos nos glúteos
ANDRESSA PAES
Da Reportagem

Não é de hoje que o PMMA (polimetilmetacrilato) carrega má fama, mas a substância continua causando complicações graves.

No último domingo (15), a bancária Lilian Calixto morreu no Rio, aos 46 anos, após complicações em cirurgia realizada pelo médico Denis Cesar Barros Furtado, 45, conhecido em redes sociais como Doutor Bumbum, na casa dele.

A suspeita é que ela tenha sofrido uma embolia pulmonar devido à aplicação da substância PMMA para preenchimento nos glúteos.

De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o PMMA pode ser usado em procedimentos estéticos para corrigir rugas e restaurar pequenos volumes perdidos de tecidos com o envelhecimento.

Mas nem a SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) nem a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) recomendam o uso do produto para fins estéticos. Segundo médicos das entidades, a exceção seria o uso do preenchimento facial em pessoas com HIV/Aids, para corrigir a lipodistrofia causada pelos medicamentos, indicação prevista pela Anvisa em portaria de 2009.

Segundo o CFM (Conselho Federal de Medicina), quando usado em grandes quantidades, o PMMA não é seguro, tem resultados imprevisíveis a longo prazo e pode causar reações incuráveis.

No censo de 2017 da SBCP, a entidade incluiu pela primeira vez dados sobre as sequelas dos implantes com PMMA devido ao aumento no número de complicações. Em 2016, foram feitas 4.432 cirurgias plásticas para corrigir defeitos decorrentes da aplicação da substância, de um total de 664.809 operações reparadoras.

O total de complicações, porém, é bem maior, segundo pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. No mesmo ano de 2016, houve mais de 17 mil registros em todo o país.

Para a maioria dos cirurgiões plásticos ouvidos pela entidade, o produto deveria ter seu uso e comercialização banidos do mercado nacional.

Em 2006, o CFM (Conselho Federal de Medicina) e a SBCP já haviam se manifestado sobre o assunto, condenando sua utilização indiscriminada. Em 2007, após ampla discussão, a Anvisa proibiu a manipulação da substância em farmácias.

"Há vários produtos biocompatíveis e seguros, como o ácido hialurônico, que faz parte do corpo e é absorvível. O PMMA é barato, definitivo e traz um monte de riscos, mas as pessoas se enganam pelo sonho, pela mentira, pela fantasia", diz Níveo Steffen, presidente da SBCP.

O material é permanente, ou seja, não é absorvido pelo corpo, e pode causar deformações, inflamações, necrose e até a morte.

"Imagine se você coloca essa substância solta num tecido como a região glútea. Você levanta, senta, anda, se mexe, e o organismo reage àquilo como um corpo estranho, provocando uma reação inflamatória", diz ele.

Para médicos, a autopromoção agressiva em mídias sociais aumenta o risco de problemas do tipo.

"Pacientes estão se deixando levar por médicos blogueiros. A participação nas redes é legítima, mas o conteúdo tem que ser ético e educativo. Parece que quem mais posta está mais atualizado", diz Sergio Palma, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

CASO - A bancária Lilian Calixto, de 46 anos, morreu no domingo, após passar por um procedimento estético na cobertura do médico Denis Cesar Barros Furtado, na Barra da Tijuca. No sábado, Lilian saiu de Cuiabá, no Mato Grosso, rumo ao Rio, onde Denis aumentaria seu glúteo usando PMMA, polimetilmetacrilato, uma substância sintética.

Ela pagou R$ 20 mil para ganhar os contornos que sempre desejou, mas passou mal logo depois da intervenção e foi levada pelo próprio Denis e pela mãe dele para o Hospital Barra D’Or. Imagens de câmeras do hospital mostram Lilian numa cadeira de rodas, aparentando mal-estar. Ela morreu por volta de 1h de domingo. No domingo à noite, agentes da 16ª DP estiveram perto de prender Denis, que, no entanto, conseguiu fugir com a mãe. A namorada dele que atuava como secretária, foi presa. Tudo graças ao taxista que levou Lilian até a casa de Denis, cujo papel é considerado decisivo na elucidação do caso. Foi ele o primeiro a notar que algo havia dado errado quando, no sábado à noite, estranhando a demora da passageira, ligou para o celular dela e quem atendeu foi Denis. O médico desceu do prédio e lhe deu R$ 300 para que fosse embora, alegando que ainda demoraria. Desconfiado, ele permaneceu e pôde ver Denis saindo coma paciente para levá-la ao hospital. Ele ligou então para uma amiga de Lilian.

Não foi a única ação do motorista. No domingo, ao ser chamado pela namorada de Denis, que queria entregar-lhe objetos pessoais de Lilian, ele chamou a polícia que o acompanhou. Foi quando Renata foi capturada. Denis escapou da sala que usa como endereço de consultório — mas que tem registro de salão de beleza. Na fuga, derrubou até uma cancela do shopping. Foi preso, com sua mãe, pela polícia na última quinta-feira, no escritório do advogado, na Barra da Tijuca, no Rio.

Conhecido como "Doutor Bumbum", Denis, de 45 anos, tem sete anotações em sua ficha criminal. Uma delas, de 1997, é por homicídio e foi feita quando o médico tinha 24 anos, segundo a delegada Adriana Belém, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca). A polícia ainda busca a técnica de enfermagem Rosilane Pereira da Silva, de 24. Além de auxiliar o médico, Rosilane também trabalhava como empregada doméstica para ele, de acordo com a polícia. Ela foi indiciada junto com o médico, sua mãe e a namorada, por homicído qualificado e associação criminosa.

DR.BUMBUM - Após ser preso por policiais militares nesta quinta-feira, o médico Denis César Furtado permaneceu ontem detido na 16ª DP (Barra da Tijuca), onde prestou novo depoimento nesta sexta-feira. Segundo o advogado do "Doutor Bumbum", Marcus Cezar Feres Braga, o médico e a mãe, Maria de Fátima Furtado, também acusada de participar do caso, passaram bem a noite. Braga aguarda o laudo médico da necropsia para entender o que de fato aconteceu na noite do episódio. O advogado espera que o documento seja liberado até a próxima segunda-feira.

“O laudo é que vai poder dizer as circunstâncias da morte. Meu cliente garante que ela saiu bem da casa dele, andando. Precisamos saber o que houve depois que ela chegou ao hospital”, afirmou Braga.



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