Quarta feira, 13 de novembro de 2019 Edição nº 15023 21/07/2018  










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Agrotóxicos afetam moradores em MT

Da Reportagem

Intitulado “Você não quer mais respirar veneno”, relatório da organização internacional Human Rights Watch revela que moradores de determinadas áreas rurais, localizadas em Mato Grosso, estão sofrendo intoxicações decorrentes da pulverização de agrotóxicos nas proximidades de suas casas, escolas e locais de trabalho.

Com 52 páginas, o documento aponta a intoxicação em sete zonas rurais do Brasil, incluindo, comunidades quilombolas, indígenas e escolas. Além de Mato Grosso, essas áreas ficam na Bahia, Pará, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás. Ontem, a HRW recomendou que o Brasil rejeite uma polêmica reforma da lei sobre agrotóxicos e estude com urgência um plano para reduzir o uso de pesticidas altamente perigosos.

No estudo, 73 pessoas foram entrevistadas. Entre os sintomas relatados, estão vômito, diarreia, dormência, irritação nos olhos, dor de cabeça e tontura. “Eu comecei a me sentir mal, enjoada. Eu tentei beber água para melhorar, mas não ajudou. Eu comecei a vomitar várias vezes, até que vomitei tudo que tinha no estômago”, contou Carina (que teve a identidade preservada), uma estudante adulta de uma escola rural de Primavera do Leste (240 quilômetros, ao sudeste de Cuiabá).

Segundo o documento, a exposição das pessoas aos agrotóxicos acontece quando estes são pulverizados em plantações e se dispersam durante a aplicação ou quando evaporam e seguem para áreas adjacentes nos dias após a pulverização. Contudo, a HRW constatou que muitas pessoas temem sofrer represálias de grandes proprietários de terra.

“Agrotóxicos pulverizados em grandes plantações intoxicam crianças em salas de aula e outras pessoas em seus quintais em zonas rurais espalhadas por todo Brasil”, afirmou Richard Pearshouse, diretor-adjunto da divisão de meio ambiente e direitos humanos da organização e autor do relatório.

Conforme a organização, o Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo: as vendas anuais no país giram em torno de 10 bilhões de dólares. Cerca de 80% dos agrotóxicos são usados em plantações de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. “Muitos dos agrotóxicos utilizados no Brasil são altamente perigosos à saúde humana. Dentre os 10 agrotóxicos mais usados no Brasil no ano de 2016, quatro não são autorizados para uso na Europa, o que evidencia quão perigosos eles são para outros governos”.

A Human Rights Watch aponta ainda falhas na proteção de comunidades rurais expostas à dispersão dos pesticidas. “O Brasil precisa de regulamentações mais rígidas e de um plano de ação nacional para diminuir o uso de agrotóxicos”, disse Pearshouse.

Para tanto, propõe que o país rejeite projetos de lei que "enfraquecem a estrutura regulatória brasileira de agrotóxico, incluindo o projeto 6.299/2002", batizado pelos críticos como "PL do veneno". Este projeto, que visa a flexibilizar o uso de agrotóxicos, foi aprovado por uma comissão legislativa em junho e deverá ser submetido à plenária da Câmara dos Deputados.

SOBRE – Fundada em 1978, Human Rights Watch é uma organização internacional de direitos humanos, não-governamental, sem fins lucrativos. Conta com uma equipe composta por profissionais de direitos humanos, como advogados, jornalistas e especialistas e acadêmicos de diversas origens e nacionalidades. É reconhecida por investigações aprofundadas sobre violações de direitos humanos e por sensibilizar diversos públicos sobre suas causas.



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