Sábado, 21 de julho de 2018 Edição nº 15017 13/07/2018  










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Greve tirou R$ 1,1 bi da economia de MT

Imea calculou, de forma financeira, os impactos gerados pela paralisação do setor de transporte que atingiram cotações e volumes da soja

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Estado perdeu mais de R$ 1,1 bilhão apenas com a movimentação de soja no mercado disponível
MARIANNA PERES
Da Reportagem

Mais do que um mercado parado, sem a chamada precificação, a greve dos caminhoneiros em maio, impôs impactos além do que se contabilizou inicialmente. A paralisação das vendas da soja em grão quebrou o ritmo forte de vendas, embalado pela valorização do dólar, e fora isso, sem demanda, a cotação caiu. Sem vender e com preço ‘descolado’ da realidade do mercado naquele momento, deixaram de circular no Estado mais de R$ 1,1 bilhão apenas com a movimentação de soja no mercado disponível, ou seja, do grão estocado em silos, tipo ‘a pronta-entrega’.

O cálculo, feito pelos analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), considerou somente o grão disponível e não os desdobramentos sobre o mercado a termo, aquele – também movimentado em maio pela ascensão do dólar – em que os produtores vendem a soja que ainda vão plantar, a partir de setembro, como forma de viabilizar o plantio. O mercado a termo também sofreu com ‘paralisia’ do mercado durante todo o mês passado, semanas após o fim da greve.

“Para se ter uma idéia, ao considerar este mesmo preço e uma comercialização seguindo o ritmo dos últimos meses, bem próximo da média dos últimos cinco anos, deixaram de circular no Estado mais de R$ 1,1 bilhão apenas com a movimentação de soja no mercado disponível”, explicam os analistas.

A comercialização de soja, que iniciava um movimento de recuperação nos últimos meses, sofreu com os efeitos da greve dos caminhoneiros, estancando a movimentação de compra e venda da soja disponível e da soja a termo.

Para a safra 2017/18, o avanço foi de apenas 0,68 pontos percentuais (p.p.) no período, totalizando 86,26% da safra comercializada até o início de julho. Se não bastasse isso, o preço médio mensal de comercialização recuou 5,43% no mês, fechando com média de R$ 66,63/sc. Já para a safra 18/19 não foi diferente, os negócios que vinham acelerados nos últimos meses, estagnaram, com avanço de apenas 0,18 p.p., totalizando 21% da safra comercializada.

Após semanas sem o preço disponível da soja em Mato Grosso – comportamento acompanhado desde o início de junho pelo Diário - os players começam a voltar ao mercado e a precificar a soja pouco antes da virada do mês. Por semanas, entre maio e junho, a saca de 60kg ficou sem referencia no Estado, o que inibiu negócios. O indicador Imea/MT encerrou a semana com preço médio de R$ 66,41/sc, 17,45% a mais que a média apurada pelo indicador em igual momento do ano passado, R$ 56,54.

SURPRESA - Apesar de todas as incertezas em relação ao frete no último mês, o escoamento do produto surpreendeu, uma vez que o país exportou 10,42 milhões de toneladas, o maior volume já registrado para o período, contando com a contribuição de 2,82 milhões de toneladas de soja oriundas de Mato Grosso, uma participação de 27,1% de toda a oleaginosa enviada ao exterior pelo país.

Neste momento, o Estado acumula um total de 14,14 milhões de toneladas escoadas em 2018, volume muito próximo ao do mesmo período de 2017. No entanto, com a quase ‘estagnação’ da comercialização durante o mês de junho, e o imbróglio dos fretes, que parece não chegar ao fim, os próximos meses tendem a ser desafiadores, visto que ainda resta um volume considerável de soja a escoar nos próximos meses dentro da janela de exportação do milho brasileiro.



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