Quarta feira, 12 de dezembro de 2018 Edição nº 15014 10/07/2018  










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Plano de saúde interfere na conduta médica

Para 94% dos médicos, plano de saúde interfere na autonomia do médico, aponta pesquisa Datafolha

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A maioria dos ginecologistas e obstetras do país, 94%, afirma que o plano de saúde interfere na autonomia do médico
MARINA ESTARQUE
Especial para o DIÁRIO

A maioria dos ginecologistas e obstetras do país, 94%, afirma que o plano de saúde interfere na autonomia do médico.

Os profissionais apontam várias formas de intervenção das operadoras de saúde, que vão desde o não pagamento de procedimentos e consultas até pressão para influenciar o tempo e local de internação.

As informações são de um levantamento da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo), feito pelo Datafolha e divulgado na última quinta-feira (5).

Para a presidente da Sogesp e professora da Faculdade de Medicina da USP, Rossana Pulcineli Francisco, o resultado da pesquisa é preocupante. "A gente não achava que essa interferência na conduta médica fosse tão grande", diz.

A pesquisa entrevistou 604 ginecologistas e obstetras, por telefone, entre 24 de maio e 14 de junho de 2018. A margem de erro é de 4 pontos.

Entre os entrevistados, 78% dizem que o não pagamento, por parte do plano, de procedimentos já realizados é uma das maiores interferências.

Pulcineli cita como exemplo o número de consultas no período final de gestação. "O recomendado é ter uma consulta a cada sete dias. Mas a maioria dos planos vai pagar um retorno a cada 15 dias, ou seja, um não será pago", afirma.

Segundo ela, isso pode influenciar a decisão do obstetra sobre quais casos vai aceitar. "O médico pode deixar de fazer pré-natal ou não aceitar gestantes de risco, que precisam de consultas mais frequentes, muitas das quais o plano não vai pagar", diz.

Outras intervenções comuns listadas pelos médicos são: restrições a doenças preexistentes (74%) e a exames e tratamentos (73%).

"O profissional pede um tratamento, mas o plano não libera. Ele é obrigado a trocar por um mais barato", diz Pulcineli. O mesmo pode ocorrer em cirurgias, como a retirada de um cisto no ovário, afirma.

"O médico pode fazer uma videolaparoscopia, que é menos invasiva, com uma recuperação melhor para o paciente. Mas, por ser mais cara, é substituída por uma cirurgia aberta, com mais riscos."

Na pesquisa, 61% dos médicos também relataram restrições a internação de pacientes, e 57%, interferências no tempo de internação. Há ainda, para 65%, uma pressão para indicar a rede conveniada para realizar procedimentos.

Dois terços dos médicos consideraram a qualidade dos serviços das operadoras como regular, ruim ou péssima.

Procurada, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que representa operadoras, diz que a "responsabilidade pelo ato médico é exclusiva e indelegável do médico". "Isso não impossibilita que as equipes médicas das operadoras solicitem informações, esclarecimentos e justificativas da conduta proposta. Perguntar não é interferir", diz.

Já a Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde) diz que as operadoras "mantêm canais permanentes de diálogo e negociação com os prestadores de serviços".

A FenaSaúde afirma que nem sempre consultas e exames complementares geram cobrança de honorário e que os mecanismos de direcionamento de consultas, exames ou internação estão previstos na Lei dos Planos de Saúde.

A Abramge diz que a possibilidade de escolha do paciente varia de acordo com o contrato firmado com a operadora.

Sobre a avaliação que os médicos fazem do serviço, a Abramge menciona outras pesquisas de satisfação, com resultados mais positivos. "A Abramge vê com preocupação que os próprios prestadores de serviços considerem baixa a qualidade de seus serviços".

A FenaSaúde diz que, segundo pesquisa do Ibope de 2017, 8 a cada 10 brasileiros beneficiários de planos de saúde estavam satisfeitos ou muito satisfeitos com o serviço.

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) deixou a Câmara de Saúde Suplementar da ANS (agência nacional de saúde), que regula os planos, afirmando que as recentes mudanças nas regras publicadas pela agência foram aprovadas "sem acolher nenhuma" de suas propostas.

Já a ANS afirma que incorporou total ou parcialmente seis propostas do instituto em consulta pública sobre o tema.



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