Quarta feira, 24 de abril de 2019 Edição nº 15006 28/06/2018  










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O custo de não planejar

O atraso em obras da Copa que, previstas para terem sido concluídas ainda em 2014, se arrastam até hoje na Capital, é o resultado de duas práticas danosas, tipicamente brasileiras, que servem de alerta para os gestores públicos: iniciar serviços sem recursos assegurados e realizá-los sem um planejamento adequado. Esse tipo de comportamento, comum em todo o país, evidencia que, há muito, a Prefeitura, como de resto o Estado e o governo federal, trabalham mais para manter a própria máquina, não para reverter impostos em obras em benefício dos cidadãos. Por isso, é preciso dar um fim a esse desperdício descontrolado de dinheiro público. A situação só se mantém por falta de uma cobrança mais efetiva por parte dos contribuintes, diretamente ou por meio dos órgãos de fiscalização.

Na maioria dos casos, o motivo da paralisação dos trabalhos é a escassez de recursos, o que só reforça como gestores públicos que tendem a trabalhar com base na imprevisibilidade. Se uma obra em residência ou condomínio privado já costuma tumultuar a vida dos moradores, não é difícil imaginar o que ocorre nos casos de empreendimentos de interesse de toda uma comunidade. Além de não contemplarem a sociedade com seus objetivos iniciais, projetos inacabados provocam transtornos no trânsito e prejuízos ao comércio da área, entre outros problemas. O desgaste provocado pelo tempo tende a encarecer também o custo final.

Em Mato Grosso, a atual gestão não conseguiu reiniciar a principal obra de mobilidade urbana iniciados na administração anterior, o VLT de Cuiabá e Várzea Grande. Ainda assim, o elevado valor dos recursos que ainda precisam ser assegurados não acena com qualquer perspectiva de conclusão imediata. Essa é uma situação que se repete por todo o país, envolvendo não apenas obras da Copa. Levantamento encomendado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção indica que seriam necessários nada menos de R$ 76 bilhões para concluir milhares de obras paradas de norte a sul no Brasil. O setor público, obviamente, não dispõe desses recursos, mas essa é uma questão que deveria ter sido avaliada na fase de pré-projeto.

É urgente uma redefinição na área de projetos governamentais no Brasil. As obras inacabadas da Copa, especificamente, reforçam a necessidade de uma reforma estrutural da gestão pública brasileira, na qual sejam privilegiados os investimentos em infraestrutura e serviços de cunho social.



As obras inacabadas da Copa reforçam a necessidade de uma reforma estrutural da gestão pública brasileira, na qual sejam privilegiados os investimentos em infraestrutura



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