Quinta feira, 21 de fevereiro de 2019 Edição nº 15004 26/06/2018  










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Família preserva memória

No dia 14 de maio de 2018, a Família de Raimundo Maranhão Ayres, representada pelos filhos Aimée Maranhão Ayres Ferreira e Humberto Maranhão Ayres, compareceu à Casa Barão de Melgaço a fim de dialogar com a Curadora da instituição, Elizabeth Madureira Siqueira, sobre a intenção de doar significativa parcela do acervo acumulado pelo Acadêmico Raimundo Maranhão Ayres, em sua profícua carreira de jornalista e literato. Para tanto, a citada Curadora levou a Família para conhecer os acervos, a fim de verificar a possibilidade de efetivar futuramente a doação. Aprovado o espaço, foi pensada a aquisição de novos armários para acondicionar condignamente o precioso acervo.

Trata-se de um dossiê muito relevante para a reconstituição da trajetória intelectual de Mato Grosso, uma vez que pertenceu a Raimundo Maranhão Ayres, nascido na cidade de Carolina-MA, aos 3 de outubro de 1914, devendo completar, em 2019, 105 anos de seu nascimento. Na terra natal, fundou um grêmio literário denominado Casa Humberto de Campos, o que já demonstrava seu pendor para as letras.

Na década de 1930 mudou-se para Guiratinga-MT, onde criou e dirigiu o jornal Novo Mundo, que enfeixou publicações literárias de toda a América do Sul, dos Estados Unidos e da Europa, além de circular por mais de 70 países, inclusive os asiáticos. Segundo nos conta o também poeta e desembargador João Antonio Neto, conterrâneo de Raimundo e colaborador daquele periódico, os jornais eram distribuídos a partir dos correios de Uberlândia” (www//aml.com.br). De acordo com Eduardo Ferreira, em Admirável Novo Mundo. (www.overmundo.com.br/overblog/admiravel-novo-mundo. Acesso 17 de julho de 2011), “Raimundo Maranhão Ayres chegou a falir, disponibilizando tudo o que ganhava trabalhando em suas profissões. Ele investiu no sonho de manter um jornal com características tão inovadoras e tão capazes de chamar a atenção da mídia nacional e de várias academias e movimentos importantes na época, no Brasil e no exterior. Os textos dos colaboradores estrangeiros eram publicados em suas línguas originais: uma autêntica babel poética”.

De acordo com a estudiosa do periódico e da personalidade de Raimundo Maranhão Ayres, Acadêmica Yasmin Jamil Nadaf, “Em 1945, após o término da 2ª Guerra Mundial, na pequena cidade de Guiratinga, região de extração garimpeira em meio ao sertão de Mato Grosso, surgiu o periódico literário Novo Mundo, visando a fraternidade intelectual e humana e a difusão da cultura entre os povos das três Américas. O jornal, idealizado e editado pelo escritor Raimundo Maranhão Ayres, desapareceu possivelmente em 1954, e circulou em mais de cinquenta países, tendo recebido a colaboração de escritores de Mato Grosso, de outros Estados brasileiros e do estrangeiro, notadamente dos hispano-americanos” (https://periodicos.unemat.br/index.php/ecos/article/view/966)

Além de dirigir o jornal Novo Mundo, Raimundo Maranhão Ayres publicou em livro: Ronald de Carvalho; O Poeta da “Flor de Neve” (1945); Poesia e Fraternidade (1947) e Síntese Cultural do Paraná (1953).

Raimundo Maranhão Ayres pertenceu, do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, na categoria de sócio correspondente, tendo também integrado os quadros da Academia Mato-Grossense de Letras, sendo o primeiro ocupante da Cadeira n. 23, patrocinada por Antônio Gonçalves de Carvalho e ocupada por ele e, posteriormente, por Agenor Ferreira Leão e atualmente pelo poeta Tertuliano Amarilha.

O Arquivo da Casa Barão de Melgaço se sente honrado em receber o acervo que pertenceu ao Acadêmico e literato Raimundo Maranhão Ayres, cuja produção literária dignifica as letras de Mato Grosso, esperando que os estudiosos se apropriem do material em suas pesquisas, aumentando, nessa medida, a história da literatura de Mato Grosso.



* ELIZABETH MADUREIRA SIQUEIRA do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e da Academia Mato-Grossense de Letras

bethmsiqueira@gmail.com



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