Sábado, 21 de julho de 2018 Edição nº 14998 16/06/2018  










IRMÃOS ARAÚJOAnterior | Índice | Próxima

Ex-policial é condenado a mais de 24 anos de prisão

Da Reportagem

Após 18 horas de julgamento, no Tribunal do Júri, em Rondonópolis (210 quilômetros, ao sul de Cuiabá) o ex-soldado da Polícia Militar, Célio Alves de Souza, foi condenado a 2?4 anos e oito meses de prisão pelos assassinatos dos agricultores Brandão Araújo Filho e José Carlos Machado Araújo. Já o ex-capitão Marcos Divino Teixeira da Silva foi absolvido por insuficiência de provas. A sentença foi lida, ainda ontem pela madrugada, pelo juiz Wagner Plaza Machado Júnior.

O primeiro homicídio aconteceu no dia 10 de agosto de 1999, quando Brandão Filho foi surpreendido pelo pistoleiro e ex-cabo Hércules Araújo Agostinho, e executado a tiros de pistola em pleno centro da cidade. O segundo assassinato ocorreu em 28 de dezembro de 2000, ano em que José Carlos foi executado, também a tiros de pistola 9 mm. Neste caso, a execução aconteceu no estacionamento da agência central do Banco Bradesco, no centro da mesma cidade. Em ambos os casos Célio Alves ajudou Hércules Agostinho.

De acordo com as provas produzidas nos autos, os assassinatos dos Irmãos foram motivados pela disputa judicial de uma fazenda de 2.175 hectares, localizada na região conhecida como Mineirinho, que fica a 70 quilômetros de Rondonópolis, em direção a Campo Grande (MS), objeto de negócio mal sucedido entre José Carlos e Sérgio Marchett, realizado em 1988, cuja demanda até hoje se arrasta na Justiça.

O pistoleiro confesso, e já condenado, Hércules Agostinho, apontou como mandantes dos crimes os proprietários da empresa ‘Sementes Mônica’, mesmos proprietários da Agropecuária Marchett LTDA, Sérgio João Marchett e sua filha Mônica Marchett, a qual inclusive chegou a ficar presa por alguns dias.

Uma das provas que incriminam os mandantes foi a transferência de um Gol, de propriedade da empresa “Mônica Armazéns Gerais LTDA” para Célio Alves. O veículo teria sido dado como forma de pagamento pelas mortes. Segundo o inquérito, o ex-capitão Marcos Divino foi responsável pelo recrutamento dos pistoleiros.

À polícia, Hércules não só assumiu os assassinatos dos irmãos, como apontou os seus ajudantes e a família Marchett como mandantes dos crimes. No fim de maio passado, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu que Mônica Marchett não poderá ir a júri popular. O entendimento é de que não há indícios suficientes de que ela teve ligação com as execuções. O pai dela está em liberdade beneficiado por um habeas corpus (HC).



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