Quinta feira, 16 de agosto de 2018 Edição nº 14996 14/06/2018  










RENATO DE PAIVA PEREIRAAnterior | Índice | Próxima

O agrônomo e o Tamburi

Quem segue a Avenida Antarctica morro abaixo em direção ao Sucuri encontra, a mais ou menos quatrocentos metros do Trevo do Santa Rosa, no canteiro central que divide as duas pistas, um Tamburi antigo convivendo com várias espécies exóticas e outras urbanizadas.

Observando melhor vai ver seu silencioso protesto. Contido por obras urbanas em uma faixa estreita de terra, insuficiente para seu tamanho, ele aflora suas poderosas raízes erguendo o meio-fio que o limita e destruindo o asfalto opressor.

Os passantes mais atentos vão notar, nas manhãs de sábados e feriados, um homem solitário de pele muito clara aproveitando a sombra do Tamburi e das mangueiras vizinhas. Mas que ele não está curtindo merecido ócio. Vestido com bermuda, tênis e um chapéu de palha de aba muito larga cuida com esmero da limpeza do quarteirão que divide com a frondosa árvore remanescente.

Empunhando uma vassoura, uma pá e um saco de lixo ele se dedica a limpar a parte da rua em frente sua casa, que fica na via descendente e ainda estende seus cuidados ao canteiro central e ao outro lado da rua. É um serviço solitário e paciente, pelo qual não pede nem espera recompensa.

Agora que estamos no outono seu trabalho aumenta porque as árvores derrubam as folhas que se acumulam nas ruas. Neste último sábado um vento forte soprou por aqui triplicando o trabalho do nosso personagem. Nem sei se ele deu conta de tanto entulho.

Enquanto jogamos sujeira nas ruas dizendo que é obrigação da prefeitura recolher, porque pagamos impostos, o diligente senhor do enorme chapéu de palha, ajunta o lixo que não espalhou e limpa ruas que não sujou, dando um extraordinário exemplo de convivência social.

Daqui a pouco, quando mudarem as estações, ele lutará com as frutas maduras que caem, com a sujeira extra que as chuvas de verão fazem escorrer e com as flores abortadas ou descartadas depois de cumprirem sua missão de reprodução. Mas ele continuará firme, tenho certeza, fazendo o tanto que a idade lhe permita.

O Tamburi e o “Zelador” (vamos chamá-lo assim) convivem em paz: um dá sombra, quando a posição do sol permite, a despeito da opressão do concreto e do asfalto, o outro, limpa com paciência a sujeira descartada por cidadãos incivis.

Não vou registrar o seu nome porque não lhe pedi autorização, mas fica aqui minha despretensiosa homenagem e o convite para os leitores conhecerem dois belos exemplares, moradores antigos da Avenida Antarctica: o copado Tamburi teimoso que prospera em meio adverso e o respeitado engenheiro Agrônomo, rara espécie de cidadão consciente, que parecia extinto do meio urbano.

* Árvore de grande porte nativa do cerrado.



* RENATO DE PAIVA PEREIRA – empresário e escritor

renato@hotelgranodara.com.br



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