Segunda feira, 18 de junho de 2018 Edição nº 14996 14/06/2018  










JUACY DA SILVAAnterior | Índice | Próxima

Brasil: matança generalizada

Mais um capítulo da violência no Brasil, uma realidade macabra que amedronta, ao mesmo tempo envergonha e mancha a imagem de nosso país ao redor do mundo, com a divulgação de mais um Atlas da Violência, referente ao ano de 2016 e uma visão retrospectiva e comparativa, neste estudo produzido pelo IPEA e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado há poucos dias.

Os dados, principalmente em sua dimensão evolutiva e também ao caracterizar a violência que está dizimando, exterminando grandes contingentes demográficos, além de representar o descaso como nossos governantes vêm tratando esta questão, também revela a incompetência, insensibilidade perante um drama que afeta, em maior grau, a população pobre, os negros, pardos ou afrodescendentes, os jovens e as mulheres.

Em 2016 foram assassinadas 62.517 pessoas no Brasil, numero maior do que a soma dos homicídios ocorridos na Europa, Estados Unidos e China somado. Basta lembrar que esses países reunidos representam pouco mais de 2,4 bilhões de pessoas, enquanto o Brasil, em 2016 tinha apenas 206 milhões de habitantes ou seja, apenas 9,8% da população daqueles países em conjunto.

A taxa de homicídios por 100 mil habitantes vem crescendo desde os anos 1980, passando de 11,7 no inicio daquela década para atingir 30,3 no ano de 2016 e, com certeza muito mais em 2017 e 2018, com o destaque que nos últimos dez anos a taxa de homicídios para a população branca caiu 6,8%, enquanto esta mesma taxa para a população afrodescendente (negros e pardos) aumentou em 23,1%.

Segundo o jornal O Dia de 07/12/2017, o numero de homicídios em 2017, quando divulgado oficialmente, devera ser de 70,2 mil e a tendência de que o ano de 2018 terá um numero ainda maior. Isto demonstra que estamos vivendo uma verdadeira Guerra civil ou um genocídio.

Outro dado importante deste estudo, para entender a dinâmica deste extermínio de jovens, principalmente negros e pardos, é que a taxa de homicídios nesta faixa etária para a população branca é de 16 por cem mil habitantes enquanto para negros e pardos é de 40,2, ou seja, 151,2% maior do que entre jovens brancos. A conclusão que se pode extrair desses dados é que 71,5% das vitimas de homicídios no Brasil em 2016 (44.700 pessoas) eram negros enquanto 29,5% eram brancos (17.817 vítimas), que perderam a vida em decorrência da violência que ao longo de quase quarenta anos não para de crescer em nosso país, aterrorizando cada vez mais a população.

Segundo ainda o estudo do IPEA/FBSP, o numero de assassinatos no Brasil em 2016 é maior do que a soma dos homicídios ocorridos em 52 países e também maior do que a soma dos assassinatos ocorridos no mesmo ano na Europa, na China e nos Estados Unidos em conjunto. Vale a pena lembrar que a população da Europa, da China e dos EUA representam mais de 2,4 bilhões de pessoas, enquanto o Brasil naquele ano tinha apenas 206 milhões de habitantes. A taxa de homicídios no Brasil é 140 vezes maior do que na Europa, na China ou em diversos países asiáticos. Entre 1980 até o final de 2018, estima-se que mais de 1,1 milhões de pessoas tiverem ou terão suas vidas ceifadas precocemente de forma violenta. Um absurdo, uma vergonha, muito descaso e incompetência dos nossos governantes.

Para a OMS, se um país apresenta taxa de homicídio acima de 10 mortes por cem mil habitantes está diante de uma epidemia. A taxa média de homicídios no mundo em 2016, segundo a OMS foi de 8 assassinatos por cem mil habitantes e no Brasil foi de 30,3; ou seja; 279,1% maior do que a media mundial, algo que reflete uma realidade que todo mundo vê, sente, tem medo e está ceifando milhares de vidas a cada ano e milhões em poucas décadas, ante o descaso, incompetência, insensibilidade, demagogia de nossos governantes, os quais, por não definirem e implementarem planos, programas e ações efetivas para combater e colocar um paradeiro nesta guerra, também são cúmplices da bandidagem, do crime organizado que agem com desassombro.

O relatório do IPEA/FBSP, da mesma forma que tantas outras pesquisas de outras instituições que se dedicam a estudar a dinâmica da violência, devem ser lidos, debatidos e que esses dados sirvam de subsídios para que a população e as organizações da sociedade civil cobrem mais de nossas autoridades e governantes para agirem com inteligência, planejamento estratégico e alocarem recursos suficientes para que, de fato, esta carnificina tenha um fim.

O país e a população estão fartos de discursos, principalmente em períodos eleitorais ou ações espetaculosas ou demagógicas que acabam não dando em nada, a não ser muita pirotecnia e belas mentiras dourados dos governos.

Enquanto esta incompetência e insensibilidade correm soltas, a população brasileira, todos os dias enterram seus mortos, deixando para traz um rastro de dor, indignação e descrença em relação às nossas instituições, inclusive a Justiça, nossos governantes e nossas autoridades.



* JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversos veículos de comunicação

professor.juacy@yahoo.com.br - Twitter@profjuacy - Blog www.professorjuacy.blogspot.com



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